Em qualquer caso, este elo da cadeia leiteira nacional se destaca por sua produção média diária relativamente alta, como a Argentina e o Chile, superando a do resto dos países da região. Entretanto, eles estão longe dos níveis médios de referência alcançados pelos estabelecimentos na Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos.
Estas diferenças se devem em parte ao grande número de pequenos agricultores que caracterizam os sistemas de produção latino-americanos.
Neste sentido, “um dos desafios para melhorar o nível de produtividade na região pode estar associado ao aumento da eficiência da escala”, diz o estudo Beyond the dairy farm: Framing dairy policy dialogue in Latin America, elaborado por especialistas da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e da Federação Pan-Americana de Laticínios (Fepale), que foi publicado recentemente.
A indústria leiteira latino-americana também é heterogênea em termos de volume de consumo de leite. Entre as 25 maiores empresas, a maior (a Lala do México) processa cerca de 1,7 bilhões de litros de leite por ano, enquanto a menor do grupo, a Alpina da Colômbia, processa cerca de 380 milhões de litros.
O Conaprole ficou em sexto lugar na lista com cerca de 1,3 bilhões de litros industrializados. O consumo combinado de leite dessas 25 empresas representa aproximadamente 30% da produção total na América Latina. Este vínculo industrial é pequeno em escala quando comparado com as principais indústrias globais de laticínios.
Segundo os autores, isto tem duas implicações principais: primeiro, o tamanho facilita a integração das empresas em cadeias globais de maior valor; segundo, o tamanho da empresa está associado a economias de escala que afetam o nível de competitividade do setor na região.
Produtividade
Em outro capítulo, especialistas da FAO e da Fepale mediram o nível de produtividade total e parcial dos fatores no setor lácteo em um grupo de países da América Latina. No primeiro caso, eles descobriram que o aumento entre 2008 e 2017 foi “modesto”, com uma média de 0,7% ao ano.
A análise da produtividade parcial dos fatores “destaca que um dos principais desafios para melhorar o nível de sustentabilidade econômica dos sistemas leiteiros na região está associado ao aumento da produtividade do trabalho, seguido da produtividade da terra e do capital”, dizem eles.
Um dos elementos que explica o baixo nível de produtividade parcial dos fatores é o tamanho do sistema de produção, associado à pequena escala. Entre os países com melhor desempenho em termos de produtividade total dos fatores estão o Brasil (aumento anual de 4%) e a Costa Rica (3,3%), alcançado por avanços simultâneos tanto em inovação quanto em eficiência.
Com relação à produtividade do trabalho, o estudo encontrou uma grande heterogeneidade em toda a região. Entre os países analisados, o mais produtivo neste aspecto foi a Argentina, com uma média de 16 toneladas de sólidos (gordura mais proteína) por unidade de trabalho, seguido do Uruguai, com 12, e do Chile, com seis toneladas.
Em países da América Central, como Honduras e Costa Rica, a produtividade foi estimada em duas toneladas e quatro toneladas, respectivamente. Em comparação com as áreas de referência do setor lácteo no mundo, a produtividade média nos países do Cone Sul analisada de oito toneladas por unidade de trabalho se compara com 22 toneladas na União Européia, 39 toneladas nos Estados Unidos e 50 toneladas na Nova Zelândia.
“Em outras palavras, nestas três regiões de referência, a produtividade média do trabalho é mais de quatro vezes superior à média dos seis países latino-americanos estudados”, observam os autores. Eles enfatizam a questão do tamanho da fazenda como um fator explicativo.
A produtividade de fazendas maiores pode ser o dobro ou o triplo da produtividade de fazendas menores, como é o caso da Argentina, Uruguai e América Central. Por outro lado, o estudo da FAO e da Fepale analisou a produtividade da terra, entendida como a relação entre o número de litros de leite produzido e o número de hectares utilizados.
A este respeito, concluiu que a produtividade bruta nas regiões temperadas da América do Sul de 8.040 litros por hectare não é muito diferente da da América Central (7.686). Uma análise da produtividade ajustada revelou que as diferenças são amplificadas, atingindo 31% a favor dos sistemas do Cone Sul.
“Isto implica que as produtividades relativamente altas de alguns sistemas da América Central são devidas à compra de ração fora da fazenda. Entretanto, isto se traduz em custos de produção mais altos e não em uma melhoria efetiva” na produtividade, interpretam os pesquisadores. Para a análise da produtividade de capital, eles tomaram como indicador proxy a relação entre o preço por litro de leite e o custo de produção (dinheiro mais depreciação, menos as vendas de subprodutos).
Tomando oito sistemas de produção no Cone Sul, verificou-se que a produtividade de capital é maior em fazendas maiores. Mas existem diferenças importantes; por exemplo, na Argentina, enquanto a produtividade de capital no sistema maior se aproxima de 30%, nos menores é inferior a 5%.
“O Uruguai é impressionante, onde a produtividade negativa do capital indica que o retorno obtido mal cobre os custos variáveis de produção, mas não gera excedentes para suportar a capitalização do sistema.
Esta situação reflete o alto nível de vulnerabilidade dos pequenos produtores à volatilidade dos preços de insumos”, dizem eles. Com uma média de 23 centavos de dólar por litro de leite na Argentina, 25 no Chile e 27 no Uruguai, o custo de produção no Cone Sul “é razoavelmente competitivo internacionalmente”, de acordo com o estudo.
Este é um dos fatores que “tem permitido a expansão do setor”, embora estes sistemas de produção sejam vulneráveis “às flutuações do preço internacional, bem como da taxa de câmbio”.
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