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9 jan 2026
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Mercosul avança após UE prometer mais recursos agrícolas à Itália 🌍
🌍 Mercosul destrava acordo após promessa de € 10 bi à agricultura italiana
🌍 Mercosul destrava acordo após promessa de € 10 bi à agricultura italiana

O acordo entre a União Europeia e o Mercosul ganhou novo impulso político após a Comissão Europeia sinalizar maior flexibilidade orçamentária para atender demandas do setor agrícola, com impacto direto sobre a posição da Itália nas negociações.

Segundo autoridades italianas, o país poderá contar com até 10 bilhões de euros adicionais destinados à agricultura, o que abriu caminho para um possível aval do governo de Giorgia Meloni ao tratado comercial.

A mudança ocorre no contexto das discussões sobre o próximo orçamento plurianual da União Europeia, referente ao período de 2028 a 2034. Diante da pressão de agricultores em diversos países do bloco, a Comissão prometeu ajustes à proposta original, com o objetivo de ampliar a margem de manobra dos Estados-membros na alocação de recursos da Política Agrícola Comum (PAC).

A iniciativa foi recebida com entusiasmo pela primeira-ministra italiana. Giorgia Meloni classificou o movimento como “um passo adiante importante”, destacando que as correções anunciadas atendem a reivindicações históricas do setor agrícola. Em troca, o governo italiano passou a sinalizar maior disposição para apoiar o acordo com o Mercosul, que vinha enfrentando resistências políticas internas.

O ministro da Agricultura da Itália, Francesco Lollobrigida, reforçou essa leitura ao afirmar que “o saldo para a Itália representa dez bilhões a mais para o setor agrícola”. Segundo ele, as mudanças garantem que os recursos destinados ao campo não apenas deixem de sofrer cortes, como sejam ampliados dentro do novo marco orçamentário europeu.

Na prática, no entanto, a proposta apresentada pela Comissão Europeia não prevê aumento do orçamento total da União nem a ampliação direta dos recursos destinados especificamente à Itália. O que está em jogo é uma reformulação das regras de flexibilidade, permitindo que cada país direcione uma fatia maior de seus recursos para setores considerados estratégicos, como a agricultura.

A solução foi concebida sob a liderança da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e busca responder às críticas crescentes de produtores rurais, que temem perdas de competitividade diante de acordos comerciais internacionais, incluindo o tratado com o Mercosul. A maior flexibilidade, contudo, pode implicar redução de verbas em outras áreas do orçamento europeu, o que ainda deverá ser objeto de intensos debates.

O movimento italiano não ocorre de forma isolada. Sinais positivos também vieram da França, tradicionalmente um dos países mais críticos ao acordo com o Mercosul. O presidente Emmanuel Macron afirmou acolher “favoravelmente os anúncios da Comissão”, indicando que Paris acompanha de perto as concessões feitas ao setor agrícola europeu.

Apesar disso, o caminho até a aprovação definitiva do novo orçamento e do acordo comercial permanece complexo. A proposta da Comissão Europeia ainda precisará passar por negociações no Parlamento Europeu e, sobretudo, obter consenso entre os 27 governos do bloco. Divergências sobre comércio internacional, sustentabilidade e proteção dos agricultores seguem no centro das discussões.

Para analistas, a estratégia da Comissão revela uma tentativa clara de destravar o acordo com o Mercosul oferecendo garantias políticas aos países mais reticentes. A agricultura se tornou o principal ponto de tensão nas negociações, especialmente em nações que temem a concorrência de produtos agropecuários sul-americanos.

Ao acenar com mais recursos e maior autonomia orçamentária, Bruxelas busca equilibrar interesses internos e externos, preservando a coesão do bloco ao mesmo tempo em que avança em sua agenda comercial global. O apoio da Itália, terceira maior economia da zona do euro, é considerado estratégico para dar legitimidade política ao acordo.

Do lado do Mercosul, o avanço das negociações é acompanhado com atenção, uma vez que o tratado é visto como uma oportunidade de ampliar o acesso ao mercado europeu para produtos agrícolas e industriais. No entanto, o desfecho dependerá da capacidade da União Europeia de conciliar suas políticas agrícolas com compromissos comerciais de longo prazo.

Se confirmado, o novo posicionamento da Itália pode representar um ponto de inflexão nas negociações. Ao transformar recursos agrícolas em moeda de barganha política, a União Europeia sinaliza que o futuro do acordo com o Mercosul está cada vez mais atrelado ao equilíbrio entre liberalização comercial e proteção dos produtores locais.

Escrito para o eDairyNews, com informações de Fondazione Qualivita.

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