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9 jan 2026
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Micotoxinas na silagem de milho podem afetar vacas, leite e consumidores, segundo pesquisa da UFLA ⚠️
🌽 Do silo ao leite micotoxinas na silagem desafiam a cadeia láctea
🌽 Do silo ao leite micotoxinas na silagem desafiam a cadeia láctea

As micotoxinas presentes na silagem de milho representam um risco silencioso que começa no campo, afeta a saúde animal e pode chegar à mesa do consumidor por meio do leite e da carne.

Invisíveis a olho nu, essas substâncias tóxicas são produzidas por fungos que se desenvolvem quando a silagem sofre deterioração, especialmente em situações de contato com o oxigênio.

O alerta vem de uma pesquisa conduzida na Universidade Federal de Lavras (UFLA), em Minas Gerais, pela professora e pesquisadora em Zootecnia Carla Ávila. O estudo investiga estratégias para reduzir a deterioração da silagem e, consequentemente, diminuir a presença de micotoxinas ao longo da cadeia produtiva de alimentos de origem animal.

Segundo a pesquisadora, o problema geralmente começa na etapa de conservação do volumoso. A silagem é um alimento fermentado fundamental para a produção de leite e carne, sobretudo em períodos de escassez de pastagens, como a estação seca. Para garantir sua qualidade, o processo de ensilagem exige boa compactação e ausência de oxigênio, condição conhecida como anaerobiose.

“Quando a silagem é mal vedada ou passa a ter entrada de oxigênio após a abertura do silo, ocorre o crescimento de fungos. Dependendo da espécie, esses fungos produzem micotoxinas que prejudicam os animais e podem chegar aos alimentos de origem animal”, explica Carla Ávila. Além da redução do valor nutricional do alimento, a deterioração pode gerar perdas econômicas expressivas para o produtor rural.

O impacto das micotoxinas vai além do desempenho produtivo dos animais. Essas toxinas estão associadas a distúrbios metabólicos, queda na produção de leite, comprometimento do sistema imunológico e problemas reprodutivos nos rebanhos. Em casos mais graves, resíduos dessas substâncias podem ser detectados no leite, ampliando as preocupações com a segurança alimentar.

Dentro desse contexto, a pesquisa avaliou o uso de inoculantes microbianos aplicados no momento da ensilagem. Esses produtos contêm bactérias capazes de direcionar a fermentação, favorecendo a produção de ácidos orgânicos e dificultando o desenvolvimento de microrganismos indesejáveis.

Entre as cepas testadas, uma bactéria isolada de silagens produzidas em Minas Gerais apresentou resultados considerados promissores pela equipe. De acordo com os dados observados, a silagem tratada com esse inoculante apresentou menor crescimento de microrganismos associados à deterioração, maior estabilidade aeróbia após a abertura do silo e redução das perdas de matéria seca.

Um dos pontos mais relevantes do estudo foi o comportamento das micotoxinas ao longo do tempo. As análises indicaram que a silagem que recebeu o inoculante apresentou menor concentração da toxina detectada quando comparada à silagem sem o uso da bactéria. Para a pesquisadora, esse resultado reforça o papel da tecnologia como aliada da sanidade e da eficiência produtiva.

“Além de conservar melhor a silagem, os resultados indicam uma redução do risco sanitário, o que é importante tanto para o produtor quanto para quem consome leite e carne”, destaca Carla Ávila. Segundo ela, o controle da deterioração no campo é uma etapa estratégica para garantir alimentos mais seguros ao longo de toda a cadeia.

O estudo conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) e tem gestão administrativa e financeira da Fundação de Desenvolvimento Científico e Cultural (FUNDECC), fundação de apoio da UFLA. A pesquisa se insere em um esforço mais amplo de aproximar a ciência produzida na universidade das demandas reais do setor agropecuário.

Ao reduzir perdas no campo, melhorar a qualidade da alimentação animal e diminuir o risco de contaminação por micotoxinas, o trabalho evidencia como a pesquisa científica pode contribuir diretamente para a sustentabilidade da produção e para a confiança do consumidor. Em um cenário de crescente exigência por segurança alimentar, o controle da silagem ganha protagonismo como um elo-chave entre o campo e o leite que chega ao mercado.

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Escrito para o eDairyNews, com informações de Lavras24H.

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