As Diretrizes Alimentares para os Americanos referentes ao período de 2025 a 2030 devem ser divulgadas ainda este mês e sinalizam uma mudança importante na forma como o governo dos Estados Unidos comunica suas recomendações nutricionais à população.
A nova edição promete um documento mais enxuto, com linguagem simplificada e maior ênfase no consumo de alimentos integrais.
A expectativa foi reforçada por declarações de Kyle Diamantas, vice-comissário para alimentos humanos da Food and Drug Administration (FDA), feitas em 30 de dezembro durante entrevista ao programa televisivo “Fox & Friends”. Segundo o dirigente, versões anteriores das Diretrizes Alimentares chegaram a ter entre 400 e 500 páginas, o que dificultava o acesso e a compreensão por parte dos consumidores.
“Essa versão que será lançada nas próximas duas semanas será pequena. Será mais direta e vai empoderar os pais”, afirmou Diamantas. De acordo com ele, o novo documento busca resgatar princípios básicos de alimentação, priorizando alimentos integrais como proteínas, frutas, vegetais e produtos lácteos.
Ainda segundo o representante da FDA, as Diretrizes Alimentares também devem reforçar a recomendação de minimizar o consumo de alimentos altamente processados, especialmente aqueles com elevados teores de açúcares adicionados. Esses produtos, conforme destacou, estão associados a picos no índice glicêmico e a impactos negativos na saúde metabólica.
As declarações de Diamantas dialogam com as conclusões do relatório da Make America Healthy Again Commission (MAHA), publicado em 22 de maio de 2025. O documento fez críticas contundentes ao consumo excessivo de alimentos ultraprocessados ricos em açúcares adicionados, grãos refinados, gorduras consideradas não saudáveis e sódio.
A comissão foi criada em fevereiro de 2025 por iniciativa do presidente Donald Trump, com o objetivo de revisar políticas públicas relacionadas à alimentação e à saúde. O relatório da MAHA defendeu uma abordagem mais rigorosa em relação à qualidade dos alimentos consumidos pela população norte-americana, especialmente diante do avanço de doenças crônicas associadas à dieta.
Apesar disso, o debate sobre alimentos ultraprocessados permanece sensível. Entidades representativas da indústria de alimentos têm ressaltado que não existe, atualmente, uma definição federal clara para o termo “ultraprocessado”. Além disso, o setor argumenta que, em diversos casos, o processamento contribui para ganhos nutricionais, maior segurança alimentar e aumento da vida útil dos produtos.
As Diretrizes Alimentares dos Estados Unidos são elaboradas e publicadas conjuntamente pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), que inclui a FDA, e pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O documento é atualizado a cada cinco anos e serve como referência para políticas públicas, programas de alimentação escolar, ações de saúde e diretrizes para a indústria.
Embora as recomendações não tenham caráter obrigatório, elas exercem influência significativa sobre decisões de consumo, formulação de produtos e estratégias de comunicação das empresas do setor de alimentos e bebidas.
Para Diamantas, a nova edição das Diretrizes Alimentares representa apenas o início de um movimento mais amplo dentro do governo federal. “Isso é apenas a ponta do iceberg do trabalho que queremos fazer na FDA e no HHS”, afirmou durante a entrevista.
Entre as mudanças previstas para os próximos anos, o dirigente destacou que a FDA planeja, em 2026, ampliar a aprovação de corantes de origem mais natural. A iniciativa responde a uma crescente demanda dos consumidores por ingredientes considerados mais próximos da natureza e menos artificiais.
Outro ponto mencionado foi a intenção de revisar profundamente o sistema que permite às empresas determinarem por conta própria o status de “geralmente reconhecido como seguro” (GRAS) de determinados ingredientes. Segundo Diamantas, essa prerrogativa deve passar por mudanças, o que pode alterar a dinâmica regulatória da indústria de alimentos nos Estados Unidos.
Especialistas avaliam que as novas Diretrizes Alimentares podem ter impactos relevantes não apenas sobre hábitos alimentares, mas também sobre inovação, rotulagem e posicionamento de produtos no mercado. O maior foco em alimentos integrais tende a favorecer categorias tradicionais, como proteínas de origem animal, frutas, vegetais e lácteos, ao mesmo tempo em que pressiona segmentos fortemente associados a açúcares adicionados e formulações altamente processadas.
À medida que o lançamento oficial se aproxima, a expectativa do setor é compreender com mais clareza como as Diretrizes Alimentares 2025–2030 irão equilibrar simplicidade, ciência nutricional e interesses econômicos. Em um cenário de crescente atenção à saúde e à qualidade da dieta, o novo documento pode redefinir prioridades tanto para consumidores quanto para a indústria de alimentos e bebidas.
Escrito para o eDairyNews, com informações de SOSLAND PUBLISHING.






