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9 jan 2026
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Preço do leite baixo e sem previsibilidade coloca produtores de SC em alerta 🥛
🥛 Preço do leite em risco produtores temem nova queda em SC
🥛 Preço do leite em risco produtores temem nova queda em SC

O preço do leite segue no centro das preocupações dos produtores rurais do Alto Uruguai catarinense, uma das principais regiões produtoras de Santa Catarina.

A combinação entre valores pagos abaixo do custo de produção, falta de previsibilidade nos pagamentos e perspectivas de novas quedas tem colocado em risco a continuidade da atividade leiteira e ampliado o clima de incerteza no campo.

Produtores da região relatam que a baixa valorização do litro do leite vem corroendo as margens e tornando a produção economicamente inviável para muitas famílias. Além disso, a ausência de regras claras sobre a formação do preço e o momento do pagamento dificulta qualquer planejamento financeiro dentro das propriedades.

Em entrevista à Rádio Atual, o produtor rural Neudemar Metz, que mantém uma propriedade na comunidade de Barra do Tigre, no interior de Concórdia, descreveu o cenário como extremamente delicado. Segundo ele, há produtores trabalhando no prejuízo mês após mês, sem perspectiva de melhora no curto prazo.

De acordo com Metz, o valor atualmente pago pela agroindústria está muito abaixo do custo real de produção, especialmente em um contexto de elevação de despesas com alimentação animal, energia, mão de obra e insumos. “Muitos produtores estão produzindo no vermelho, apenas para manter a atividade funcionando”, afirmou.

Outro ponto destacado por Metz é a total falta de previsibilidade nos pagamentos. Atualmente, o produtor entrega o leite diariamente, mas só descobre qual será o valor recebido por litro cerca de 30 dias depois. Para ele, essa prática inviabiliza qualquer forma de gestão eficiente da propriedade.

“O produtor não sabe quanto vai receber, não consegue se organizar, investir ou mesmo prever se vai conseguir cobrir os custos do mês”, relatou. Segundo ele, sem previsibilidade, decisões básicas como compra de ração, manutenção de equipamentos ou investimentos em genética ficam comprometidas.

Além dos fatores internos, os produtores também apontam o impacto da importação de leite e derivados como um dos principais elementos de pressão sobre o mercado. Metz destacou que a entrada de produtos estrangeiros, especialmente da Argentina, amplia a oferta no mercado interno e contribui para a queda do preço pago ao produtor brasileiro.

Com maior volume disponível, a indústria encontra espaço para reduzir os valores praticados, penalizando quem produz localmente. Para os produtores do Alto Uruguai catarinense, a situação é ainda mais sensível, já que a região tem papel estratégico no abastecimento de leite do estado.

Apesar dessa relevância, Metz afirma que os produtores enfrentam dificuldades severas para manter a atividade. Muitos já reduziram investimentos, venderam parte do rebanho ou operam apenas para cumprir compromissos financeiros assumidos anteriormente.

O cenário para o início de 2026 também preocupa o setor. Informações extraoficiais que circulam entre produtores e entidades indicam a possibilidade de uma nova queda no preço do leite já nos primeiros meses do ano. A redução poderia chegar a até R$ 0,20 por litro, o que agravaria ainda mais uma situação já considerada crítica.

Caso essa projeção se confirme, Metz avalia que muitos produtores não conseguirão absorver o impacto. “Uma nova queda nesse patamar pode tornar a atividade insustentável para uma parcela significativa dos produtores”, alertou.

Diante desse contexto, o produtor cobra das autoridades ações concretas para proteger a produção nacional. Entre as medidas defendidas estão mecanismos para limitar ou regular a entrada de leite importado e políticas públicas que garantam maior estabilidade e previsibilidade na formação dos preços.

Segundo Metz, sem apoio institucional e sem regras mais claras, cresce o número de produtores que cogitam abandonar a atividade leiteira. Esse movimento, além de afetar a renda das famílias rurais, pode comprometer a economia local, a produção de alimentos e a permanência das pessoas no campo.

Para os produtores do Alto Uruguai catarinense, o debate sobre o preço do leite vai além de números. Trata-se da sobrevivência de um setor estratégico para Santa Catarina e para a segurança alimentar, em um momento em que a instabilidade do mercado coloca em xeque o futuro da atividade.

Escrito para o eDairyNews, com informações de AtualFM.

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