A exportação de bovinos leiteiros brasileiros voltou a ganhar destaque com o recente envio de 110 animais da raça Gir Leiteiro ao Equador, em uma operação realizada pelo Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP).
A ação, coordenada pela Latam Cargo em parceria com uma empresa especializada no transporte de animais vivos, teve como objetivo fortalecer a produção de leite no país andino.
De acordo com informações da Latam Cargo, dois aviões cargueiros modelo Boeing 767, cada um com capacidade para 50 toneladas, foram utilizados para transportar os bovinos até Quito.
A escolha da raça Gir Leiteiro se deve às suas características de alta produtividade em regiões de clima quente e úmido, tornando-a especialmente adequada para as condições do Equador.
Antes do embarque, os animais — oriundos de fazendas localizadas em São Paulo e Minas Gerais — passaram por um período de quarentena em Uberaba (MG), conforme as normas sanitárias internacionais.
Após a liberação, foram transportados por caminhões até Campinas, onde receberam os cuidados necessários para a viagem. Cada vaca e reprodutor viajou em baias homologadas para o transporte de bovinos, garantindo o bem-estar durante todo o trajeto aéreo.
No Equador, os bovinos serão distribuídos entre propriedades rurais com o intuito de melhorar a genética dos rebanhos locais.
A expectativa é que, com o cruzamento entre o Gir Leiteiro e raças já existentes no país, como a Holandesa e a Jersey, seja possível aumentar a produtividade de leite e a resistência dos animais.
O interesse equatoriano pela genética brasileira não é recente. O Gir Leiteiro tem se consolidado como uma das raças mais valorizadas para a produção de leite em regiões tropicais.
Essa preferência se explica pela capacidade de adaptação a altas temperaturas e pela produção expressiva mesmo em sistemas de manejo menos intensivos.
Um exemplo desse potencial é o recorde alcançado em 2024 pela vaca “Darlin FIV”, que produziu uma média de 84,54 kg de leite, estabelecendo um marco mundial para a raça.
Esse tipo de desempenho reforça o valor agregado das exportações brasileiras de material genético e animais vivos.
Para o Brasil, a operação representa não apenas um negócio pontual, mas também uma oportunidade estratégica de consolidar sua posição como fornecedor de genética leiteira de qualidade.
A exportação de bovinos da raça Gir Leiteiro tem crescido em importância nos últimos anos, acompanhando a tendência global de diversificação genética para melhorar a eficiência produtiva em países tropicais.
O embarque a partir do Aeroporto Internacional de Viracopos reforça o papel de São Paulo como um dos principais hubs logísticos para exportações agropecuárias.
Segundo informações do terminal, operações desse porte demandam planejamento complexo, envolvendo desde a logística terrestre até o manejo especializado dos animais.
Especialistas apontam que esse tipo de negociação fortalece o agronegócio brasileiro ao abrir novos mercados e consolidar parcerias internacionais, além de gerar receita para produtores e empresas de genética.
O Equador, por sua vez, ganha acesso a uma raça que pode elevar seu padrão produtivo e contribuir para o aumento da oferta de leite no mercado interno.
Com a crescente demanda global por alimentos e a busca por raças adaptadas a diferentes condições climáticas, iniciativas como essa devem se tornar cada vez mais frequentes.
A exportação de bovinos leiteiros do Brasil para o Equador demonstra que a genética nacional continua sendo um diferencial competitivo na pecuária internacional.
*Adaptado para eDairyNews, com informações de G1