ESPMEXENGBRAIND
29 nov 2025
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Com R$ 287 bi previstos para 2025, o food service sustenta expansão mesmo sob inflação, juros altos e consumo pressionado 📊
Enquanto o varejo patina, o food service consolida participação e exige novas estratégias de inovação e eficiência. ⚙️
Enquanto o varejo patina, o food service consolida participação e exige novas estratégias de inovação e eficiência. ⚙️

O food service brasileiro volta a se destacar em 2025, mantendo um ritmo de expansão superior ao do varejo alimentício e reforçando seu papel como um dos motores da indústria de alimentos no país.

Projeções divulgadas pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) durante o 18º Congresso de Food Service indicam que o segmento deve movimentar R$ 287,1 bilhões no próximo ano, impulsionado pela demanda por conveniência, pela retomada gradual do turismo e pela digitalização de serviços. O avanço representa uma alta nominal de 10% em relação a 2024 e consolida a alimentação fora do lar como um componente estratégico do agronegócio e da economia urbana.

Segundo a entidade, o food service deve responder por 28,3% da produção total da indústria de alimentos no Brasil em 2025. Embora o desempenho siga robusto, o crescimento real projetado é de apenas 2,5%, reflexo direto de um ambiente macroeconômico mais desafiador, marcado por inflação persistente em itens de alimentação, câmbio pressionado e juros ainda elevados. Esses fatores afetam tanto os custos operacionais das empresas quanto a frequência de consumo das famílias, impondo limites à expansão e exigindo maior eficiência das operações.

Durante a conferência, Joicelena Fernandes, coordenadora do Comitê de Food Service da ABIA e diretora de Food Service da Seara Alimentos, destacou que o principal desafio do setor será manter a trajetória de crescimento em meio à desaceleração do consumo. Ela afirmou que, para sustentar o avanço, será necessário que indústrias e operadores aprofundem estratégias de relacionamento com o consumidor final, entendendo de forma mais precisa seus hábitos, preferências e expectativas. Segundo a executiva, a indústria precisa agir com velocidade, inovação e foco em soluções integradas para construir diferenciais competitivos.

Fernandes reforçou que o desempenho de longo prazo dependerá da capacidade de adaptação a novos modelos de consumo. Ela observou que clientes exigem hoje mais personalização, conveniência, rapidez e experiências diferenciadas — demandas que exigem desde cardápios mais flexíveis até investimentos em tecnologias voltadas para gestão, atendimento e produção. Para a executiva, a colaboração entre indústrias, operadores e fornecedores de tecnologia tende a ser um vetor central de evolução.

Os dados da ABIA também mostram que, apesar da perspectiva de crescimento nominal, o comportamento do consumidor está mais cauteloso. No terceiro trimestre de 2024, o tráfego em bares, restaurantes e lanchonetes recuou 5%, ao mesmo tempo em que o ticket médio cresceu 7%. Isso indica uma ida mais seletiva aos estabelecimentos, mas com maior gasto por visita — tendência associada à combinação de inflação acumulada de 8,24% na alimentação fora do lar e ao aumento dos custos fixos enfrentados pelos operadores.

Outro ponto de preocupação levantado pela ABIA é o endividamento das famílias, que segue elevado e limita o orçamento destinado ao lazer e à alimentação fora de casa. A entidade chama atenção ainda para o impacto crescente das apostas esportivas, que, segundo análises internas, têm desviado parte do orçamento que antes se destinava a alimentação, entretenimento e consumo cotidiano.

Apesar das pressões econômicas, o setor enxerga oportunidades relevantes para 2025. A ABIA aponta que o turismo doméstico deve ganhar força com novos eventos regionais, ampliação da malha aérea e aumento das viagens de curta distância. Além disso, a digitalização segue ampliando o alcance do food service: cardápios digitais, sistemas de gestão integrados, aplicativos de fidelidade e novos modelos de delivery seguem redefinindo a experiência do consumidor e abrindo espaço para negócios híbridos e formatos mais eficientes.

Entre as principais estratégias para o próximo ciclo, a entidade destaca a expansão de portfólios adaptados a diferentes perfis de operadores, o fortalecimento de parcerias entre indústria e food service e o investimento contínuo em inovação e diferenciação de produtos. A ABIA também ressalta o papel do setor como espaço de criatividade e conexão social, lembrando que a alimentação fora do lar tem importância cultural e afetiva, presente desde o café da manhã até as celebrações familiares.

Com esses movimentos, o food service se consolida como uma das áreas mais dinâmicas da indústria de alimentos e segue ocupando espaço estratégico no agronegócio brasileiro. Para 2025, a combinação de inovação, eficiência e leitura precisa do consumidor deverá definir quem capturará as melhores oportunidades em um mercado competitivo e em transformação.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Novidades MT

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