ESPMEXENGBRAIND
2 jan 2026
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📉 Com produção recorde e exportações fracas, o preço do leite recua 8,3% no mês e mais de 23% em um ano, segundo o Cepea.
🧠 A combinação de oferta robusta, importações persistentes e consumo lento mantém o preço do leite sob forte pressão.
🧠 A combinação de oferta robusta, importações persistentes e consumo lento mantém o preço do leite sob forte pressão.

O preço do leite encerrou mais um mês em queda no Brasil, aprofundando um movimento de desvalorização que já se estende ao longo de praticamente todo o ano de 2025.

Pelo oitavo mês consecutivo, o valor pago ao produtor recuou na chamada Média Brasil, refletindo um cenário de oferta elevada, estoques crescentes e dificuldades de escoamento dos derivados no mercado interno.

Dados do Cepea, centro de pesquisas ligado à Esalq/USP e referência no acompanhamento da cadeia láctea, indicam que o leite captado em novembro de 2025 foi comercializado, em média, a R$ 2,1122 por litro na Média Brasil líquida. O indicador considera os estados da Bahia, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em relação a outubro, a queda foi de 8,31%. Na comparação anual, o recuo chega a 23,3% em termos reais, com os preços deflacionados pelo IPCA de novembro.

Segundo analistas do Cepea, a trajetória negativa do preço do leite está diretamente associada ao aumento expressivo da oferta ao longo do ano. As projeções apontam que 2025 deve ser encerrado com crescimento médio de 7% na captação industrial, alcançando um volume recorde estimado em 27,14 bilhões de litros.

Esse avanço produtivo tem origem, principalmente, nos investimentos realizados em 2024, que ampliaram a capacidade das propriedades, e nas condições climáticas mais favoráveis observadas em 2025. No Sudeste e no Centro-Oeste, o clima contribuiu para ganhos de produtividade, enquanto, no Sul, a retração sazonal típica do período foi menos intensa do que o histórico sugere.

Os indicadores de captação confirmam esse movimento. Entre outubro e novembro, o ICAP-L, índice que mede a variação mensal da captação de leite, avançou 1,61% na Média Brasil. No acumulado do ano, a alta chega a 15,9%, sinalizando um fluxo contínuo de matéria-prima para a indústria, mesmo diante da deterioração das margens no campo.

Além da produção doméstica robusta, o mercado brasileiro segue amplamente abastecido pelas importações. Embora os volumes tenham recuado 14,8% em novembro, as compras externas continuam elevadas. Na parcial de 2025, o Brasil internalizou cerca de 2,05 bilhões de litros em equivalente leite, apenas 4,8% abaixo do registrado no mesmo período de 2024, ano marcado por recorde histórico de importações.

No sentido oposto, as exportações perderam fôlego. Os embarques brasileiros de lácteos acumulam queda de 33% na comparação anual, somando apenas 62,4 milhões de litros em equivalente leite. Esse desempenho reduz ainda mais as alternativas de escoamento do excedente interno, aumentando a pressão sobre os preços ao longo da cadeia.

Com oferta abundante e consumo doméstico incapaz de absorver o volume disponível, os estoques de lácteos cresceram de forma significativa. Agentes de mercado relatam níveis elevados tanto nas indústrias quanto nos canais de distribuição, o que tem forçado negociações mais agressivas no atacado.

Levantamento do Cepea, realizado com apoio da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), mostra que, em novembro, os principais derivados negociados no atacado paulista registraram novas desvalorizações em termos reais. O queijo muçarela teve queda de 3,7%, com preço médio de R$ 28,99 por quilo. O leite UHT recuou 11,1%, passando para R$ 3,59 por litro, enquanto o leite em pó caiu 2,9%, para uma média de R$ 28,57 por quilo.

Segundo o centro de pesquisas, esse ambiente limita a capacidade de pagamento da indústria, reforçando o ciclo de pressão sobre o preço do leite ao produtor. O resultado é uma rentabilidade cada vez mais comprometida no campo.

Do lado dos custos, o alívio segue limitado. Embora o preço da ração tenha recuado 0,63% em novembro, o Custo Operacional Efetivo avançou 0,22%, impulsionado pela alta de outros insumos. A valorização do milho agravou o cenário: em outubro, foram necessários 28,4 litros de leite para a compra de uma saca de 60 quilos, alta de 7,1% em relação a setembro.

Diante desse quadro, analistas avaliam que o setor entra em 2026 sob cautela. A tendência é de desaceleração gradual da produção nos próximos meses, à medida que produtores ajustem o ritmo da atividade para tentar reequilibrar custos e receitas. A reversão do ciclo de desvalorização dependerá, sobretudo, da recuperação do consumo interno, da redução dos estoques e do comportamento das importações.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de CompreRural

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