ESPMEXENGBRAIND
19 jan 2026
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🌱 Testes com soja alto oleico indicam ganhos rápidos em qualidade do leite e queda relevante no gasto com ração.
📊 Fazenda adota soja alto oleico, vê resultados em dias e aponta impacto potencial para toda a indústria.
📊 Fazenda adota soja alto oleico, vê resultados em dias e aponta impacto potencial para toda a indústria.

A soja alto oleico começou a mudar a dinâmica produtiva de uma fazenda leiteira familiar no sul de Michigan e reacendeu o debate sobre o papel da pesquisa aplicada na redução de custos e na melhoria da qualidade do leite.

À primeira vista, os cerca de 400 acres cultivados com soja na Preston Farms não se diferenciam de outras áreas agrícolas da região. No entanto, a lavoura integra um projeto conduzido em parceria com a Michigan State University (MSU) que vem gerando resultados econômicos e zootécnicos expressivos.

A decisão de destinar quase um terço dos 1.500 acres da propriedade à nova variedade foi tomada na primavera de 2024. A família Preston, hoje na quarta geração à frente do negócio, assumiu um risco considerável ao substituir áreas que tradicionalmente seriam ocupadas por milho e outros grãos usados na alimentação do rebanho. Brian Preston, responsável pela operação diária e pela gestão de cerca de mil vacas, reconhece que a escolha exigiu convicção. Segundo ele, aquelas áreas representavam, na prática, a base alimentar do ano.

Os resultados, no entanto, foram rápidos. Após a colheita, a soja passou a ser incorporada à dieta das vacas. Em poucos dias, os indicadores de produção responderam. De acordo com Preston, em aproximadamente três dias já era possível observar aumento nos teores de gordura e proteína do leite, elevando o valor do produto entregue. O impacto imediato trouxe alívio e confiança à família, que passou a enxergar o experimento como algo além de um teste pontual.

O efeito econômico chamou ainda mais atenção. Preston relata que os custos com ração adquirida caíram cerca de 20% ao mês, um patamar que ele descreve como raro ao longo de uma geração. A redução está diretamente ligada à substituição de suplementos tradicionais por soja alto oleico produzida e processada na própria fazenda.

Por trás desses resultados está mais de uma década de pesquisa em nutrição de vacas leiteiras. Adam Lock, professor do Departamento de Ciência Animal da MSU e líder do grupo de estudos, explica que sua equipe vem investigando há anos a relação entre gorduras dietéticas, composição do leite, saúde animal e rentabilidade das fazendas. Dentro desse escopo, a soja alto oleico, rica em ácido oleico, surgiu como uma alternativa promissora.

Segundo Lock, a hipótese era de que esse perfil lipídico específico poderia elevar a produção de gordura e proteína no leite sem os efeitos colaterais associados a algumas fontes de gordura suplementar. Os estudos confirmaram o potencial e avançaram para etapas práticas, incluindo o processamento do grão. Ensaios adicionais demonstraram que a torrefação da soja antes do fornecimento aos animais intensifica os benefícios produtivos.

A pesquisa conta com financiamento público e apoio institucional de diferentes entidades, entre elas o USDA National Institute of Food and Agriculture, alianças estaduais ligadas à agropecuária e organizações de produtores. Para Lock, esse tipo de investimento é decisivo para transformar ciência em soluções aplicáveis no campo, fortalecendo tanto a confiança dos produtores quanto a economia agrícola regional.

Tradicionalmente, muitas fazendas leiteiras dependem de suplementos caros, como fontes concentradas de gordura e aminoácidos, para ajustar a dieta do rebanho. Na avaliação de Preston, a soja alto oleico, especialmente quando torrada na própria propriedade, permite substituir grande parte desses insumos externos. O interesse crescente confirma essa percepção: de acordo com Lock, fornecedores de sementes em Michigan esgotaram o estoque da variedade no último ano diante da demanda elevada.

O caso da Preston Farms não ocorre de forma isolada. Michigan abriga mais de 850 fazendas leiteiras e cerca de 436 mil vacas, com uma contribuição estimada de US$ 15,7 bilhões para a economia estadual. Nesse contexto, pequenos avanços em eficiência alimentar e qualidade do leite podem gerar impactos relevantes em escala setorial.

A relação entre a família Preston e a MSU é antiga e atravessa gerações. Desde a década de 1940, membros da família mantêm vínculo com a universidade e com seus programas de extensão. Ainda assim, Brian Preston avalia que a colaboração em torno da soja alto oleico se destaca pela rapidez dos resultados e pelo potencial transformador. Para ele, trata-se de uma inovação capaz de influenciar toda a indústria leiteira.

Glenn Preston, tio de Brian e proprietário da fazenda, reforça que o acesso ao conhecimento científico é um diferencial competitivo. Em sua visão, o trabalho conjunto com pesquisadores permite não apenas melhorar a rentabilidade, mas também garantir a continuidade do negócio familiar. Ele destaca que a atuação da MSU ajuda a criar condições para que a fazenda siga ativa por mais uma geração.

Em um cenário no qual diversas universidades reduzem investimentos em pesquisa leiteira, a expectativa é que o novo Centro de Ensino e Pesquisa em Gado Leiteiro da MSU sustente iniciativas focadas no produtor. Para pesquisadores e produtores envolvidos, a soja alto oleico representa um exemplo concreto de como ciência aplicada pode sair dos laboratórios e gerar mudanças reais nos cochos, nos tanques de leite e nas decisões cotidianas das fazendas.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Mirage News

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