Whey protein tornou-se um dos ingredientes mais disputados da cadeia global de lácteos, em um contexto no qual a demanda por proteínas avançadas continua superando a capacidade de oferta disponível.
O cenário vem pressionando fornecedores a ampliar rapidamente suas estruturas industriais para evitar perdas comerciais e capturar oportunidades em mercados de maior valor agregado.
Segundo o movimento observado no setor, ingredientes como whey protein concentrate (WPC) e whey protein isolate (WPI) seguem com pedidos fechados com meses de antecedência. Essa condição sustenta preços estáveis e posicionamento premium, ao mesmo tempo em que contrasta com a pressão enfrentada por commodities lácteas em um ambiente de excesso global de oferta.
O descompasso entre oferta e demanda tem levado algumas empresas a considerar alternativas técnicas, como o uso de caseinatos em determinadas aplicações alimentícias. Ainda assim, o foco principal permanece na ampliação da produção de whey protein, dada sua versatilidade em alimentos, bebidas e nutrição esportiva.
Diante desse quadro, grandes grupos internacionais vêm anunciando investimentos relevantes para expandir capacidade produtiva em diferentes regiões.
Nos Estados Unidos, a Actus Nutrition ampliou sua presença industrial ao adquirir, em maio do ano passado, uma unidade de processamento de whey protein de 99 mil pés quadrados da Foremost Farms USA. A operação incluiu também uma parceria de longo prazo entre as empresas, voltada à expansão das capacidades proteicas de ambas. Localizada em Sparta, no estado de Wisconsin, a planta passou a ser a sétima da Actus, que já mantém operações na Califórnia, Idaho, Nebraska, Illinois e Minnesota.
Na Nova Zelândia, a Fonterra avançou na ampliação de sua planta de pós em Studholme, com o objetivo de reforçar a produção de proteínas lácteas avançadas. O investimento, estimado em 75 milhões de dólares australianos, foi iniciado em 2024 em resposta ao crescimento do segmento global de produtos com alto teor proteico. A cooperativa informou que, a partir de 2026, a unidade passará a fabricar WPCs e outros ingredientes avançados para atender clientes internacionais.
A Glanbia, por sua vez, anunciou a expansão de sua capacidade de WPI por meio de uma joint venture com a Southwest Cheese, nos Estados Unidos. O projeto adicionará cerca de 10 milhões de libras — aproximadamente 4,5 mil toneladas — de capacidade anual de whey protein isolate. A nova produção está prevista para entrar em operação em 2027, conforme comunicado do CEO Hugh McGuire durante o Capital Markets Day da companhia, realizado em novembro de 2025.
A Arla Foods Ingredients também vem reforçando sua estratégia em whey protein. Em 2022, a empresa estabeleceu uma parceria de co-manufatura com a cooperativa britânica First Milk para produção de WPC. Mais recentemente, em 2025, fortaleceu sua presença industrial nos Estados Unidos por meio de um acordo de manufatura contratada com a Valley Queen, em Dakota do Sul. A partir do inverno de 2025/26, a planta passou a produzir um WPC microparticulado destinado a aplicações de alto teor proteico em alimentos e bebidas.
Além disso, a Arla está redirecionando sua unidade de Videbæk, na Dinamarca, para produção de ingredientes, abandonando a fabricação de nutrição infantil no local. A empresa informou que os primeiros testes produtivos estão previstos para janeiro de 2027.
Outro movimento relevante vem de Idaho Milk Products, que anunciou um investimento de US$ 200 milhões na construção de uma nova planta de blending de pós e produção de sorvetes. Com conclusão prevista para o início de 2026, a instalação ampliará a capacidade de processamento final de proteínas isoladas, transformando pós industriais em produtos prontos para o mercado. A empresa informou que a unidade deverá entrar em operação em maio de 2026.
No estado de Wisconsin, a Wisconsin Whey Protein — recentemente adquirida pela FrieslandCampina Ingredients — está expandindo sua fábrica de WPI. O projeto, com conclusão prevista para o início de 2026, elevará a capacidade anual total para 22 milhões de libras, cerca de 10 mil toneladas métricas, sendo até 13 milhões de libras produzidas na nova instalação.
Na Europa, a irlandesa Tirlán anunciou um investimento de €126 milhões para ampliar sua produção de ingredientes premium à base de whey protein. Trata-se do maior projeto de valor agregado da empresa até o momento. A nova unidade, projetada para ser neutra em água e eficiente em carbono, deve entrar em operação em meados de 2027, reforçando a estratégia de posicionamento premium da cadeia láctea irlandesa.
Em conjunto, esses projetos evidenciam uma corrida global para ampliar a oferta de whey protein, em um mercado no qual a escassez estrutural segue moldando decisões industriais, estratégias comerciais e investimentos de longo prazo.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Dairy Reporter






