A inovação láctea recebeu um novo impulso nos Estados Unidos com o anúncio de que o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) irá investir mais de US$ 11 milhões para apoiar pequenas e médias empresas do setor.
Os recursos serão distribuídos por meio do Dairy Business Innovation (DBI), um programa federal voltado ao desenvolvimento, comercialização e distribuição de produtos lácteos inovadores, com foco no fortalecimento das economias locais e da indústria nacional.
De acordo com o USDA, o objetivo central do programa é ampliar a capacidade de produtores e processadores de leite para agregar valor, diversificar portfólios e responder a mudanças no mercado de consumo. A iniciativa também busca reforçar a resiliência do setor em um contexto de custos elevados, margens pressionadas e exigências crescentes por diferenciação de produtos.
Em declaração institucional, o subsecretário do USDA para Programas de Marketing e Regulamentação, Dudley Hoskins, afirmou que o financiamento se insere em uma estratégia mais ampla de apoio à cadeia láctea doméstica. Segundo ele, os recursos do DBI representam “investimentos importantes na indústria láctea dos Estados Unidos”, contribuindo para que os consumidores tenham acesso a produtos acessíveis e de qualidade, ao mesmo tempo em que fortalecem produtores e processadores locais.
O anúncio também foi bem recebido por representantes da indústria. Michael Dykes, presidente e CEO da International Dairy Foods Association (IDFA), destacou que o apoio financeiro do USDA cria condições para que empresas do setor avancem em inovação e cooperação. Em sua avaliação, os recursos permitem enfrentar desafios comuns da indústria e abrir novas oportunidades de mercado para produtos lácteos considerados nutritivos e alinhados às demandas atuais dos consumidores.
Diferentemente de edições anteriores, os recursos anunciados em 2026 serão concedidos de forma não competitiva às quatro iniciativas regionais já existentes dentro do programa DBI. São elas: California State University, Fresno; University of Tennessee; Vermont Agency of Agriculture, Food & Markets; e University of Wisconsin. Essas instituições atuam como polos regionais de inovação, responsáveis por canalizar os recursos federais para produtores e empresas em suas respectivas áreas de atuação.
Segundo o USDA, essas organizações fornecerão assistência técnica, apoio em planejamento de negócios, marketing, branding e acesso a subvenções diretas. Também está prevista a ampliação do acesso a técnicas inovadoras de produção e processamento, com ênfase no desenvolvimento de produtos lácteos de maior valor agregado e na consolidação de mercados regionais.
No Meio-Oeste, o anúncio teve repercussão direta na Wisconsin Cheese Makers Association (WCMA), que coordena a Dairy Business Innovation Alliance (DBIA) em parceria com o Center for Dairy Research (CDR) da Universidade de Wisconsin. A entidade destacou que o novo aporte reconhece os resultados alcançados desde a criação da aliança.
Para John Umhoefer, diretor executivo da WCMA, o financiamento valida o papel do programa em apoiar empresas em períodos de maior pressão econômica. Ele observa que, por meio da DBIA, já foram distribuídos mais de US$ 24 milhões em subsídios a empresas lácteas do Meio-Oeste, permitindo adaptações estratégicas, inovação em produtos e fortalecimento da base produtiva regional.
Com o novo ciclo de recursos, a DBIA poderá acessar até US$ 3,45 milhões, destinados a atividades de pesquisa e desenvolvimento de produtos, capacitação técnica, educação setorial e concessão de novos subsídios diretos. A atuação da aliança abrange 12 estados: Illinois, Indiana, Iowa, Kansas, Michigan, Minnesota, Missouri, Nebraska, Ohio, Dakota do Sul e Wisconsin.
Desde 2018, o programa DBI já direcionou cerca de 300 subsídios e ofereceu serviços educacionais e consultivos a centenas de empresas lácteas em diferentes regiões do país. Para o USDA, o histórico do programa demonstra que a inovação orientada regionalmente é um instrumento-chave para sustentar a competitividade do setor lácteo norte-americano no longo prazo.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Dairy Herd






