ESPMEXENGBRAIND
23 jan 2026
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A Agropecuária Palma, uma das maiores fazendas leiteiras do Centro-Oeste enfrenta disputa judicial entre herdeiras e impactos diretos na operação.
⚖️ Avaliada em centenas de milhões, a Agropecuária Palma vive crise familiar que ameaça produção e gestão.
⚖️ Avaliada em centenas de milhões, a Agropecuária Palma vive crise familiar que ameaça produção e gestão.

Agropecuária Palma sempre foi sinônimo de escala, influência e prosperidade no leite do Centro-Oeste.

Fundada e expandida por Joaquim Roriz, ex-governador do Distrito Federal, a empresa rural instalada em Luziânia (GO), no Entorno de Brasília, transformou-se ao longo de décadas em uma referência regional em produção de leite e derivados. Hoje, porém, o que chama atenção não são os volumes produzidos, mas a disputa judicial que ameaça o futuro do negócio.

Após a morte de Roriz, em 2018, a Agropecuária Palma tornou-se o epicentro de um conflito entre suas três filhas. Weslliane Roriz, 64 anos, Liliane Roriz, 59, e Jaqueline Roriz, 63, romperam relações e passaram a se enfrentar em ações judiciais e embates públicos pelo controle do patrimônio deixado pelo pai.

O episódio mais recente ocorreu no início de dezembro, quando a Justiça de Goiás determinou a reintegração de posse da fazenda Campo Belo, uma das áreas que integram o complexo da Palma. A decisão atingiu diretamente Liliane Roriz, que ocupava o imóvel com o marido. O cumprimento do mandado envolveu aparato policial e levantamento judicial dos bens existentes na propriedade.

A reintegração atendeu a pedido de Weslliane, administradora da Agropecuária Palma e escolhida por Joaquim Roriz, ainda em vida, para conduzir o negócio. À época, Liliane e Jaqueline optaram por seguir carreira política em Brasília, chegando ambas a exercer mandatos parlamentares. Segundo os autos, a ocupação da área por Liliane teria começado com um acordo verbal, mas passou a contrariar os interesses da empresa.

A ação judicial menciona a manutenção de cerca de 600 cabeças de gado na área e a extração de eucalipto para fins comerciais sem participação da Palma. O caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça, com julgamento de recurso previsto para fevereiro, após o recesso do Judiciário.

Na esteira do conflito, a administração da empresa também notificou extrajudicialmente Jaqueline Roriz a deixar outra fazenda do grupo, a Jacobina. O caso não foi judicializado porque Jaqueline não integra mais formalmente o quadro societário da empresa. Atualmente, Weslliane e Liliane dividem a sociedade da Agropecuária Palma em partes iguais, com 50% cada, e discordam abertamente sobre o destino do negócio.

Avaliada em mais de R$ 300 milhões — considerando terras, equipamentos e valor de mercado —, a Palma já foi a principal fonte de renda do clã Roriz. A fazenda reúne mais de mil vacas leiteiras e, em seu auge, chegou a faturar cerca de R$ 2 milhões por mês. São mais de 12 mil hectares que viveram seu período de maior expansão durante os mandatos de Joaquim Roriz no governo do Distrito Federal.

Com o avanço da disputa familiar, os reflexos passaram a atingir a operação. Segundo relatos que constam no processo, surgiram dificuldades para acesso a crédito e gargalos logísticos para escoar a produção. Nos últimos meses, Weslliane buscou alternativas diretas de comercialização, incluindo a venda pontual de leite a restaurantes de Brasília. Um desses estabelecimentos adquiriu cerca de 600 litros em um único mês.

Além da Palma, o espólio inclui a JJL, empresa voltada à locação de imóveis comerciais da família. Avaliada em aproximadamente R$ 200 milhões, a imobiliária também foi palco de disputas societárias após Jaqueline negociar sua participação com Liliane. Somadas, as empresas elevam o valor do patrimônio em litígio para algo próximo de R$ 500 milhões.

O conflito extrapolou o ambiente empresarial e ganhou contornos públicos. Em julho de 2024, um confronto verbal entre Liliane e Weslliane na sede da fazenda foi gravado e divulgado na internet, resultando em medida protetiva concedida à administradora da Palma. Há ainda um litígio envolvendo a venda da antiga mansão da família no Park Way, em Brasília, negociada por R$ 5 milhões, com valores depositados em juízo.

Procurada, a defesa de Liliane Roriz afirmou que a gestão da Agropecuária Palma estaria concentrada de forma irregular em Weslliane, com uso pessoal do patrimônio e retenção de lucros. Já os advogados da administradora rebatem as acusações, sustentando que a gestão é transparente e que a reintegração de posse teve como único objetivo preservar a empresa construída por Joaquim Roriz.

Enquanto os processos seguem em diferentes instâncias, a Agropecuária Palma permanece como símbolo de um paradoxo recorrente no agronegócio brasileiro: negócios sólidos, ativos robustos e, ao mesmo tempo, vulneráveis quando sucessão, governança e família deixam de caminhar juntas.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de PlatôBR

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