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30 jan 2026
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🥛 Intercâmbio com a China reforça pesquisa, tecnologia e viabilidade do leite de jumenta brasileiro.
🐴 Cooperação acadêmica revela potencial produtivo e comercial do leite de jumenta para o Brasil.
🐴 Cooperação acadêmica revela potencial produtivo e comercial do leite de jumenta para o Brasil.

O leite de jumenta passou a ocupar uma posição estratégica no radar da pesquisa agropecuária brasileira após um intercâmbio técnico-científico entre universidades do Brasil e da China, abrindo caminho para a estruturação de uma nova cadeia produtiva de perfil premium, com aplicações nutricionais, farmacológicas e industriais.

Entre os dias 9 e 17 de janeiro, os professores Gustavo Ferrer Carneiro, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), e Jorge Lucena, da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE), estiveram na China a convite do Departamento de Zootecnia e Tecnologia da Universidade de Agricultura da China, instituição fundada em 1905. A agenda incluiu palestras acadêmicas, visitas técnicas e intercâmbio de dados sobre reprodução equídea e manejo produtivo de asininos.

Durante o período, os pesquisadores brasileiros apresentaram aos estudantes e docentes chineses os avanços obtidos no Brasil em reprodução equídea, sistemas de ordenha e viabilidade produtiva do leite de jumenta, área na qual a UFAPE desenvolve estudos desde 2018. O convite partiu do professor Sheming Zang, titular da universidade chinesa e referência internacional em biotecnologias reprodutivas.

Além das atividades acadêmicas, a comitiva visitou fazendas especializadas em cria, recria e engorda de asininos, assim como o Instituto Nacional de Inovação e Pesquisa da Cadeia Industrial dos Asininos e o Centro Nacional de Criação de Jumentos. Essas estruturas são reconhecidas por operar com tecnologias avançadas de ordenha, reprodução e gestão populacional da espécie.

Segundo Jorge Lucena, a experiência permitiu compreender o papel sistêmico do leite de jumenta na China. “A cadeia produtiva do leite sustenta a cadeia da carne, fornecendo animais de descarte, de forma semelhante ao que ocorre com os bovinos no Brasil. Trata-se de um modelo que contribui para a sustentabilidade populacional e econômica da espécie”, afirmou.

Lucena destacou ainda que, apesar do elevado nível tecnológico observado, os sistemas brasileiros desenvolvidos no semiárido apresentam vantagens relevantes. A comparação direta entre os modelos revelou que a produção na Caatinga demonstra maior viabilidade financeira, com custos menores e adaptação ambiental superior, mesmo frente a produções chinesas que variam entre 50 e 500 litros diários por unidade produtiva.

Gustavo Ferrer Carneiro ressaltou que o fortalecimento institucional entre Brasil e China é decisivo para acelerar a consolidação de uma nova cadeia produtiva. “A introdução de tecnologias avançadas permite superar desafios reprodutivos e avançar rumo a um sistema sustentável de asininocultura, com impacto econômico e social”, afirmou o professor da UFRPE.

O intercâmbio incluiu a troca de conhecimentos sobre técnicas como congelamento de sêmen e produção de embriões via ICSI, além de práticas de ordenha e manejo sanitário. Para os pesquisadores, esse conjunto de tecnologias cria as bases para escalabilidade produtiva sem comprometer características funcionais do leite.

Como próximo passo, o professor Sheming Zang, que integra o Conselho Diretor da Sociedade Internacional de Reprodução Equídea (ISER) ao lado de Carneiro, visitará o Brasil. A agenda prevê palestras em universidades pernambucanas e o aprofundamento das parcerias científicas.

No Brasil, os trabalhos em andamento avançam também sobre métodos de pasteurização do leite de jumenta, buscando preservar suas propriedades farmacológicas. Os pesquisadores avaliam que esses resultados podem acelerar a inserção do produto em nichos de alto valor agregado, posicionando o país de forma competitiva em um mercado ainda pouco explorado.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de CompreRural

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