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30 jan 2026
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Estudo na Nature Food mostra que apenas 44% dos países garantem autossuficiência em lácteos, com déficits severos na África Subsaariana e Oceania 🥛
Mesmo grandes produtores enfrentam pressão: autossuficiência em lácteos cai diante de população, clima e cadeias frágeis ⚠️
Mesmo grandes produtores enfrentam pressão: autossuficiência em lácteos cai diante de população, clima e cadeias frágeis ⚠️

A autossuficiência em lácteos tornou-se um dos principais pontos de vulnerabilidade dos sistemas alimentares globais, segundo um estudo publicado em 2025 na revista Nature Food.

A pesquisa analisou 186 países e concluiu que apenas 44% conseguem atender internamente suas necessidades de lácteos, revelando um déficit estrutural que afeta mais da metade do mundo.

O levantamento, baseado em Food Balance Sheets da FAO combinados com modelagem demográfica de dietas, avaliou a capacidade dos países de suprir requisitos nutricionais essenciais. Embora a autossuficiência em carnes seja relativamente elevada em escala global, os lácteos surgem como uma das categorias mais críticas, especialmente em regiões com rápido crescimento populacional ou limitações produtivas.

Os déficits são mais acentuados na África Subsaariana e na Oceania, onde mais de 80% dos países não conseguem produzir lácteos suficientes para consumo doméstico. Em contraste, a Europa aparece como uma exceção relevante: todos os países europeus avaliados atingem a autossuficiência em lácteos, sustentados por cadeias produtivas consolidadas, alta produtividade e políticas agrícolas estáveis.

O estudo também destaca implicações estratégicas para a Índia, maior produtora de leite do mundo em volume absoluto. Apesar da liderança global, o país enfrenta pressões crescentes decorrentes do aumento populacional, da volatilidade dos preços do leite e da necessidade de transição para modelos mais sustentáveis de consumo e produção. Segundo os autores, manter a autossuficiência em lácteos exigirá investimentos contínuos em produtos de maior valor agregado, tecnologia aplicada à pecuária leiteira e práticas resilientes ao clima.

A análise aponta ainda que blocos econômicos e uniões regionais oferecem proteção limitada frente aos desafios nutricionais. O Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), por exemplo, alcança autossuficiência apenas em carnes, enquanto nenhum bloco regional analisado consegue suprir integralmente a demanda por vegetais. A concentração excessiva das importações em poucos fornecedores é identificada como um risco adicional, reduzindo a capacidade de resposta a choques logísticos, climáticos ou geopolíticos.

No caso indiano, os pesquisadores ressaltam a importância estratégica de preservar a autossuficiência tanto em lácteos quanto em alimentos básicos ricos em amido. Para isso, recomendam priorizar infraestrutura de cadeia fria, fortalecimento das cadeias de valor e acesso equitativo ao leite, especialmente para populações rurais e de baixa renda. Inovações como agricultura leiteira de precisão e leite fortificado são citadas como caminhos viáveis para ampliar a oferta nutricional sem comprometer a sustentabilidade.

À medida que a demanda alimentar global cresce, impulsionada pelo aumento da população e pela urbanização, o estudo funciona como um alerta claro: segurança nutricional não depende apenas de volume produzido, mas de planejamento estratégico, investimento tecnológico e políticas comerciais diversificadas. Para o setor lácteo global, a capacidade de adaptação rápida será determinante para evitar que a autossuficiência em lácteos se torne um risco sistêmico.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Dairy News Today

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