ESPMEXENGBRAIND
2 fev 2026
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🌾 Sem experiência no curral, ela aprendeu tudo sozinha e transformou a produção de leite no sustento da família e em símbolo de resiliência.
🐮 Viúva há anos, Luziélia acorda às 4h30, tira leite, cria bezerros e mantém sozinha um sítio em Jaraguá, retratando a realidade da agricultura familiar.
🐮 Viúva há anos, Luziélia acorda às 4h30, tira leite, cria bezerros e mantém sozinha um sítio em Jaraguá, retratando a realidade da agricultura familiar.

A produção de leite começa antes do amanhecer no sítio de um alqueire em Jaraguá, no interior de Goiás.

Às 4h30 da manhã, Luziélia já está de pé, organizando a casa, preparando as filhas para a escola e se preparando para mais um dia no curral. Viúva há alguns anos, ela assumiu sozinha a responsabilidade de manter a pequena propriedade, cuidar dos animais e garantir a renda que sustenta a família.

A rotina e a história de Luziélia ganharam visibilidade a partir de um vídeo publicado no canal do criador Lucas Pereira Lima, que registrou o dia a dia da produtora rural. Nas imagens, ela relata os primeiros meses após a perda do marido e a decisão difícil de permanecer no campo. “Eu fiquei perdida. Ao mesmo tempo queria ir embora, ao mesmo tempo queria ficar”, conta no depoimento.

Sem nunca ter trabalhado no curral, Luziélia precisou aprender tudo sozinha. “Eu não sabia nem o nome das vacas”, relembra. Nos primeiros dias, foi a filha mais velha, Laila, quem ajudou a identificar os animais. A adaptação não foi simples. No início, das oito vacas disponíveis, ela conseguiu tirar leite de apenas cinco. “Elas não estavam acostumadas comigo, e eu também não estava acostumada com elas”, explica.

Hoje, a produção diária varia entre 10 e 14 litros de leite, vendidos para um laticínio local. Segundo Luziélia, os preços pagos não reagiram durante a seca de 2025 como em anos anteriores, pressionando ainda mais a renda da propriedade. Além do leite, a venda de bezerros complementa o orçamento. Um animal desmamado pode chegar a R$ 1.800, embora os atuais ainda valham cerca de R$ 1.000.

A história pessoal de Luziélia reflete uma realidade mais ampla. Dados do Censo Agropecuário de 2017 indicam que mulheres respondem por cerca de um quarto das propriedades rurais brasileiras, e informações da CNA mostram crescimento de 38% no número de mulheres à frente de negócios rurais entre 2006 e 2017. Apesar disso, o caminho costuma ser solitário.

No caso dela, o isolamento foi agravado pelo preconceito. Luziélia relata que, após ficar viúva, vizinhos evitaram ajudar por receio ou julgamento. “Como eu sou viúva, as mulheres não deixaram os homens ajudar”, afirmou no vídeo. O resultado foi enfrentar sozinha tarefas pesadas, como carregar sacos de ração, tratar o gado, plantar silagem e garantir a alimentação dos animais durante a seca.

Além da produção de leite, Luziélia enfrenta uma jornada tripla. Cuida da casa, acompanha as três filhas e ainda busca trabalhos de faxina em propriedades vizinhas para complementar a renda. A pensão por morte do marido não é suficiente para cobrir todas as despesas. “Só o que entra aqui não dá”, resume.

Para aliviar a solidão e lidar com a tristeza, ela encontrou nas redes sociais um espaço inesperado. No TikTok, compartilha vídeos da rotina no curral e momentos de dança. O perfil alcançou cerca de 10 mil seguidores, abrindo a possibilidade de monetização e, sobretudo, criando conexões que diminuem o isolamento.

Em um sítio pequeno, com apenas duas vacas em ordenha e alguns bezerros, Luziélia segue firme. A decisão de ficar no campo, tomada cerca de 30 dias após o luto, nunca mais foi revista. “Depois que peguei o ritmo, não quis mais sair”, afirma. Sua história traduz, em escala humana, a força silenciosa que sustenta grande parte da produção de leite no Brasil rural.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de CPG Click Petróleo e Gás

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