Produtores de leite do Paraná formalizaram a criação da União Paranaense de Produtores de Leite com o objetivo de reagir a um cenário de margens negativas e instabilidade que, segundo o setor, compromete a atividade há pelo menos três anos.
A iniciativa busca estruturar representação estadual e coordenar medidas para evitar a saída de produtores.
O movimento foi oficializado durante a 38ª edição do Show Rural Coopavel, em Cascavel, reunindo lideranças do agro e o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária no Congresso Nacional, deputado federal Pedro Lupion. Entre os participantes, prevaleceu a avaliação de que a organização coletiva é condição necessária para reequilibrar a cadeia produtiva.
A entidade nasce com prioridades claras: unificar o discurso do setor, ampliar o equilíbrio nas margens ao longo dos diferentes elos e defender ações capazes de reduzir a volatilidade de preços, apontada como fonte recorrente de instabilidade econômica.
Uma das lideranças do movimento, Meysson Vetorello, afirmou que o cenário projetado para 2026 repete as dificuldades enfrentadas em 2025 e exige resposta rápida. Segundo ele, a nova estrutura representa o primeiro passo para consolidar uma representação sólida, inspirada em modelos já existentes em outros estados e com potencial de articulação futura em nível nacional.
Os relatos dos produtores indicam discrepâncias na distribuição de resultados dentro da cadeia, com rentabilidade concentrada em outros segmentos enquanto a produção opera no limite financeiro. Vetorello sintetizou a pressão econômica ao afirmar que os produtores recebem cerca de R$ 2 por litro, diante de um custo aproximado de R$ 2,40, situação que implica operar no prejuízo.
Entre os principais entraves citados estão o volume de importações e a fragilidade na fiscalização de mercado. Para os pecuaristas, esses fatores ampliam a incerteza e dificultam a previsibilidade necessária para investimentos.
A preocupação ganha relevância estrutural devido ao perfil da bovinocultura de leite, caracterizada por investimentos de longo prazo e pela construção gradual das propriedades. Produtores que deixam a atividade tendem a não retornar, o que pode resultar em redução permanente da base produtiva do estado caso não haja mudanças no ambiente de mercado.
Nesse contexto, a criação da união sinaliza uma tentativa de coordenação setorial diante de um quadro econômico adverso e reforça o debate sobre sustentabilidade financeira da produção.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Presente Rural






