Preço do leite pago ao produtor em Mato Grosso registrou o sexto recuo consecutivo, indicando um cenário de maior disponibilidade de matéria-prima e ajuste nas relações entre oferta e remuneração no campo.
Em dezembro de 2025, o valor médio do leite captado foi de R$ 1,77 por litro, queda de 4,02% frente ao mês anterior, conforme análise semanal do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). O movimento prolonga a tendência observada ao longo do segundo semestre e reforça um ambiente de pressão sobre a renda do produtor.
O principal vetor dessa retração foi o aumento da captação, associado à melhora das pastagens após o avanço das chuvas no estado. Com maior disponibilidade de forragem, a produção ganhou fôlego e ampliou a oferta de matéria-prima, fator que tradicionalmente reduz o poder de negociação do pecuarista.
Mesmo com o ciclo recente de quedas, o desempenho anual apresentou sinal positivo. Em 2025, o produtor recebeu em média R$ 2,19 por litro, alta de 1,05% em relação a 2024. O resultado representa o segundo maior patamar da série histórica, ficando atrás apenas do registrado em 2022.
Esse avanço anual foi sustentado sobretudo pelo comportamento do mercado no primeiro semestre, período marcado por menor produção estadual e por elevação dos custos de produção, elementos que contribuíram para impulsionar os preços da matéria-prima.
A leitura combinada dos dados sugere uma virada de ciclo ao longo do ano: de um ambiente de restrição produtiva e preços firmes para outro de recomposição da oferta e maior pressão sobre as cotações. Para agentes da cadeia, o movimento reforça a sensibilidade do preço do leite às condições climáticas e à capacidade de produção.
O cenário atual indica que ganhos de produtividade podem rapidamente se traduzir em ajustes de preço, especialmente em mercados regionais onde a oferta reage com velocidade às melhorias nas condições de pastagem.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Agrolink






