Proteína se consolidou como uma das forças mais relevantes da indústria de ingredientes, elevando a demanda global e expondo limites na oferta de whey.
Para fornecedores, o cenário já não é apenas de crescimento, mas de execução estratégica para evitar rupturas e capturar valor.
O avanço está ligado a mudanças estruturais no comportamento do consumidor. A busca por wellness ganhou intensidade, combinando saúde com prazer alimentar, enquanto o envelhecimento saudável passou a influenciar decisões até entre consumidores mais jovens. Nesse contexto, a proteína deixou de ser associada apenas ao desempenho esportivo e passou a ocupar múltiplas ocasiões de consumo ao longo do dia.
Outro vetor emergente é o uso de medicamentos GLP-1 para controle de peso. A expectativa de que até 40% dos adultos nos Estados Unidos experimentem esses fármacos ao longo da vida sugere um potencial efeito multiplicador sobre a ingestão proteica, especialmente se versões em comprimidos substituírem aplicações injetáveis.
Os dados reforçam o movimento. A FrieslandCampina Ingredients observa crescimento global de 6% a 7% para proteínas do soro, com taxas ainda maiores no mercado norte-americano. Quando considerados consumidores de GLP-1, a expansão pode alcançar 10% a 11%.
O problema é que a oferta não acompanha o ritmo. Diversas regiões enfrentam escassez de whey, em grande parte associada ao mercado dos Estados Unidos. Com fornecedores já comprometidos com vendas que avançam até 2026, os preços do whey protein isolate subiram de forma significativa e praticamente não há estoques elevados no sistema.
A resposta estratégica da FrieslandCampina Ingredients se apoia em dois eixos. O primeiro é capacidade. A companhia investe em projetos nos Países Baixos para redirecionar proteínas antes destinadas à ração ou a usos alimentares de menor valor para aplicações de nutrição ativa e de performance.
Nos Estados Unidos, a aquisição da Wisconsin Whey Protein adiciona capacidade de whey protein isolate. A fábrica passa por um processo de duplicação produtiva, sinalizando que novos volumes devem chegar ao mercado nos próximos anos.
O segundo eixo é inovação. A empresa aposta na expansão para além dos pós tradicionais, priorizando barras, bebidas, whey transparente e melhorias de sabor e textura. A adaptação regional também entra no radar, especialmente na Ásia, onde preferências sensoriais diferem e o consumo de lácteos ainda está em estágio inicial.
À medida que o PIB cresce em partes do continente asiático, consumidores tendem a migrar diretamente para produtos premium e ricos em proteína, abrindo espaço para nutrição esportiva e iogurtes de alto teor proteico.
Para a indústria, o consenso é claro: a proteína deixou de ser uma tendência passageira e se firmou como uma megatendência. O desafio agora é transformar crescimento em capacidade real, evitando que a escassez limite o próprio avanço do mercado.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Dairy Reporter






