ESPMEXENGBRAIND
16 fev 2026
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📊 Queda de vendas, 1.024 tambos fechados e ativos à venda redesenham o mapa competitivo do setor,
⚙️ Endividamento, paralisações e vendas estratégicas marcam 2025, Indústria
⚙️ Endividamento, paralisações e vendas estratégicas marcam 2025.

A indústria láctea argentina atravessa uma fase de contração estrutural que já atinge seus principais nomes e altera o equilíbrio da cadeia.

Queda nas vendas, fechamento de tambos, endividamento elevado e desinvestimentos estratégicos configuram um cenário de ajuste forçado, com impactos diretos para fornecedores, trabalhadores e investidores regionais.

O Observatorio de la Cadena Láctea informou retração na comercialização nos últimos meses, ainda que dezembro tenha mostrado leve melhora. Entidades que representam pequenas e médias empresas do interior afirmam que, apenas em janeiro, as vendas de lácteos caíram ao menos 18%. Ao mesmo tempo, mais de 1.000 tambos encerraram atividades nos últimos dois anos. Segundo dados citados por fontes setoriais, 2025 terminou com 8.900 tambos operativos, rompendo o piso histórico do segmento.

Durante o governo de Javier Milei, 1.024 tambos fecharam, de acordo com o OCLA. A redução da base produtiva ocorre em paralelo a um movimento de concentração. Representantes da FECOFE apontam que produtores tiveram aumento de apenas 6% em 2025 em muitas regiões, insuficiente para sustentar custos, o que acelerou saídas e consolidações.

O paradoxo central é que a produção de leite cresceu mais de 9% em 2025, mas esse avanço não se converteu em rentabilidade. O mercado doméstico, principal canal para a maioria das empresas, segue deprimido. Os preços finais recuaram entre 5% e 10%, refletindo perda de poder aquisitivo e forte concorrência. Com exportações limitadas pelo câmbio e pela perda de competitividade externa, o excedente encontra poucas alternativas comerciais.

Nesse contexto, a decisão da canadense Saputo de vender 80% de seu negócio local ao grupo peruano Gloria Foods funciona como sinal de inflexão. A operação inclui duas plantas industriais e marcas tradicionais como La Paulina, Ricrem e Molfino. Antes da venda, a filial processava mais de 3,5 milhões de litros diários.

A subsidiária argentina gerou aproximadamente 1,2 bilhão de dólares canadenses no último ano, cerca de 7% do faturamento consolidado do grupo. A empresa informou que manterá participação voltada ao mercado exportador, mas justificou a desinversão como parte de uma estratégia global de alocação de capital. O fechamento formal da operação está previsto para o primeiro trimestre fiscal de 2027 da companhia.

Se a saída parcial de um líder global acende alerta estratégico, a situação de empresas locais revela tensão operacional imediata. A Lácteos Verónica acumula paralisações em plantas de Santa Fe, salários atrasados e interrupção no fornecimento de matéria-prima. São cerca de 700 empregados afetados. No registro do Banco Central, a empresa soma 3.877 cheques sem fundos, totalizando quase 13.600 milhões de pesos. Apenas com cerca de 150 produtores de Santa Fe, a dívida estimada gira em torno de 60 milhões de dólares.

A SanCor também enfrenta intervenção judicial confirmada pela Câmara de Apelação de Santa Fe. A cooperativa acumula dívida trabalhista de aproximadamente 20.000 milhões de pesos e mais de 300 pedidos de falência. Dois ex-presidentes foram processados por suposta apropriação indevida de recursos destinados a aportes trabalhistas. Atualmente, a empresa se sustenta majoritariamente por contratos de produção para terceiros e apresentou plano de crise com corte de 304 empregos, após já ter realizado 370 demissões em dois anos.

No varejo, a rede Luz Azul reconhece queda nas vendas e absorção de franquias para evitar fechamentos. A empresa possui 70 pontos comerciais, sendo 57 franquias. Segundo sua direção, o queijo cremoso opera com perda entre 5% e 6%. Após reajuste anterior, foi necessário reduzir preços em 20% diante da multiplicação de ofertas no mercado.

Os casos de falência reforçam o quadro sistêmico. A Justiça decretou a quebra da Lácteos Conosur, controladora da tradicional La Suipachense, com 140 empregos perdidos. Também foi formalizado o encerramento da Alimentos Refrigerados S.A., produtora de iogurtes e sobremesas sob marca SanCor, que empregava mais de 400 pessoas em Sunchales.

Para empresários brasileiros, o cenário argentino oferece dois sinais claros. Primeiro, aumento de oferta de ativos industriais e marcas consolidadas em condições defensivas. Segundo, risco elevado associado à dependência do mercado interno em contextos de retração prolongada.

A indústria láctea argentina combina hoje sobreoferta de matéria-prima, consumo retraído, preços pressionados e restrições externas. A soma desses fatores explica por que líderes históricos encolhem, vendem operações ou entram em processos judiciais. O ajuste em curso não é episódico. Trata-se de uma reconfiguração profunda da cadeia, com implicações regionais no Cone Sul.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de iP

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