ESPMEXENGBRAIND
17 fev 2026
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💡 Com apoio de celebridades, colostro avança no varejo, enquanto evidências clínicas seguem limitadas.
🧬 Promessas de imunidade e beleza impulsionam o colostro no mercado fitness dos EUA.
🧬 Promessas de imunidade e beleza impulsionam o colostro no mercado fitness dos EUA.

Colostro tornou-se um dos ingredientes mais comentados do mercado de suplementos nos Estados Unidos, combinando crescimento acelerado de vendas com forte apelo de marketing.

Em 52 semanas encerradas em 3 de janeiro de 2026, consumidores americanos gastaram mais de US$ 19 milhões em suplementos à base do ingrediente, segundo dados da NielsenIQ. O avanço supera 3.000% em relação aos cerca de US$ 612 mil registrados dois anos antes. Outros US$ 3 milhões foram destinados a produtos que incorporam o componente em suas formulações.

O salto comercial ocorre em meio a promessas de benefícios para imunidade, saúde intestinal e aparência da pele. O colostro é o primeiro leite produzido por mamíferos após o parto. No caso dos bovinos, concentra proteínas, gorduras, vitaminas, minerais e imunoglobulinas como IgA e IgG. De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, essa composição tem a função de garantir a sobrevivência dos bezerros logo após o nascimento.

A conversão desse atributo biológico em argumento de consumo adulto é o ponto central da tendência. Marcas especializadas posicionam o ingrediente como um restaurador do equilíbrio natural do organismo. Uma das empresas mais visíveis é a Armra, fundada em 2021 pela médica Sarah Rahal. A marca ganhou notoriedade após divulgação por celebridades como Jennifer Aniston. Em junho, a revista Vogue relatou que a cantora Dua Lipa inclui o suplemento diluído em água e eletrólitos em sua rotina pré-ioga.

Apesar da visibilidade e do discurso de diferenciação, o ritmo de expansão comercial não encontra paralelo proporcional na literatura científica. Especialistas ouvidos pela Business of Fashion afirmam que as evidências clínicas para adultos ainda são limitadas. O site da Armra menciona mais de 5.000 estudos sobre o ingrediente, mas análises independentes indicam que muitos desses trabalhos envolvem amostras pequenas, testes com animais ou financiamento da indústria de laticínios.

Para Timothy Caulfield, professor da Escola de Saúde Pública da Universidade de Alberta, o padrão repete ciclos anteriores do mercado de suplementos: entusiasmo inicial impulsionado por marketing, seguido por revisões que tendem a identificar efeitos modestos ou inexistentes. Jeffrey Bland, cofundador do Instituto de Medicina Funcional, avalia que pode haver aplicações pontuais, como em determinados distúrbios gastrointestinais, mas ressalta que existem alternativas mais acessíveis, como suplementos de fibra.

Outro fator relevante para o setor é o ambiente regulatório. Suplementos alimentares não passam pelo mesmo rigor aplicado a medicamentos, e a composição do colostro pode variar conforme processamento, raça, alimentação e condições de produção dos animais. Para decisores da cadeia láctea e do varejo, o movimento sinaliza oportunidade comercial combinada com risco reputacional, em um mercado no qual percepção e evidência científica nem sempre avançam no mesmo ritmo.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Exame

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