O manifesto entregue ao governador de Santa Catarina durante o Itaipu Rural Show consolidou um movimento de produtores que buscam reposicionar a cadeia leiteira no debate estadual.
A mobilização foi liderada pela União Nacional dos Produtores de Leite e reuniu representantes de diversas regiões do Estado.
O documento formaliza demandas consideradas prioritárias diante do que o setor classifica como momento crítico da atividade. No centro da preocupação está a pressão exercida pelas importações de produtos lácteos da Argentina e do Uruguai, apontadas como fator de desequilíbrio competitivo por chegarem ao mercado brasileiro a preços considerados desfavoráveis aos produtores locais.
Segundo relato do produtor Zito Lunardi, o cenário já produz efeitos concretos. Parte dos produtores estaria abandonando a atividade e migrando para áreas urbanas. O fenômeno sinaliza não apenas retração produtiva, mas também impacto social, uma vez que a bovinocultura leiteira envolve milhares de famílias em Santa Catarina e sustenta economias regionais.
O alerta central do manifesto projeta um efeito de curto prazo sobre preços. Com a redução da produção interna, cresce a dependência de importações. Esse mecanismo, segundo o setor, pode resultar em elevação do preço do leite ao consumidor caso a oferta doméstica continue encolhendo.
A entrega ocorreu no palco principal do Itaipu Rural Show e teve caráter simbólico e político. Sob o lema “Produtores de leite de todo Estado unidos pela nossa causa”, o movimento buscou reforçar a representatividade da cadeia produtiva e ampliar sua interlocução com o governo estadual.
Para tomadores de decisão, o documento explicita três sinais relevantes. Primeiro, há percepção de perda de competitividade frente a produtos importados. Segundo, observa-se tendência de saída de produtores da atividade. Terceiro, projeta-se risco de instabilidade na oferta interna, com reflexos potenciais nos preços.
A mobilização indica que o setor busca transformar um diagnóstico de crise em agenda formal de negociação. Ao consolidar suas demandas em um manifesto, os produtores sinalizam que a discussão deixou de ser pontual e passa a integrar uma estratégia organizada de defesa da cadeia leiteira catarinense.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de RCO






