Proteína virou palavra de ordem nas academias, nos supermercados e nas redes sociais. Dato impactante: o corpo só consegue aproveitar cerca de 25 a 30 gramas por refeição. O que passa disso pode ser armazenado — inclusive como gordura.
A ideia de que “quanto mais proteína, mais músculo” é sedutora, mas não é tão simples. Segundo a nutricionista e pesquisadora da Universidade de São Paulo, Sophie Deram, o ganho de massa depende do conjunto: alimentação equilibrada e estímulo muscular adequado. “Não é se entupindo de proteína que você vai ganhar músculo”, resume.
O conceito é direto e emocional: equilíbrio constrói resultado, excesso pode trazer frustração. Pessoas que apostam em dietas hiperproteicas para emagrecer podem, paradoxalmente, ganhar peso se ultrapassarem o que o organismo consegue utilizar.
Hoje, a proteína está em todo lugar: leites, pães, iogurtes, barras, biscoitos e até bolos. A reportagem do Fantástico ouviu especialistas que alertam para o consumo exagerado. A nutricionista Lara Natacci explica que o excedente não vira automaticamente músculo e pode ser convertido em gordura corporal.
As recomendações internacionais variam. Enquanto os Estados Unidos sugerem de 1,2 a 1,6 gramas por quilo de peso corporal, a Organização Mundial da Saúde orienta entre 0,8 e 1,2 grama por quilo. Para a maioria das pessoas, cerca de 1 grama por quilo ao dia, distribuída ao longo das refeições, costuma ser suficiente.
Há ainda um alerta importante: excesso de proteína pode agravar problemas renais em quem já tem predisposição. E muita gente desconhece alterações na função dos rins, já que os sintomas costumam aparecer tardiamente. Dois exames simples — creatinina e urina — ajudam na detecção precoce.
A reportagem também contou a história do ex-atleta Tiago Guzoni, que aumentou drasticamente o consumo de proteína para ganhar massa muscular. Após dois anos, descobriu que seus rins funcionavam com apenas 50% da capacidade. Ele passou por hemodiálise e, em 2024, precisou de transplante renal. Hoje, mantém dieta equilibrada e acompanhamento profissional.
E o whey protein? Produzido a partir do soro do leite, passa por secagem rápida que preserva nutrientes. Especialistas afirmam que não é considerado ultraprocessado, embora muitas versões incluam adoçantes e aromatizantes.
Na prática, a comparação é simples: uma barrinha tem cerca de 12 a 15 gramas de proteína. Dois ovos oferecem aproximadamente 13 gramas — além de vitaminas e minerais. Alimentos in natura, como arroz, feijão, carne e salada, costumam suprir as necessidades diárias sem exageros.
A conclusão é menos glamourosa que o marketing, mas mais sustentável: proteína é essencial. Excesso, não.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de G1






