As exportações de lácteos da Argentina começaram 2026 em queda na comparação mensal, refletindo principalmente fatores sazonais da produção.
Em janeiro, os embarques totalizaram 38.992 toneladas, 22,9% abaixo de dezembro, enquanto as vendas no mercado interno também registraram retração na comparação com o mesmo mês do ano passado.
Segundo dados do Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA), a queda mensal nas exportações representou cerca de 11.600 toneladas a menos embarcadas e uma redução de aproximadamente US$ 42 milhões em receitas externas. No total, os envios geraram US$ 147,3 milhões no mês, 22,2% abaixo do registrado em dezembro.
Apesar do recuo mensal, o desempenho em relação a janeiro do ano passado foi positivo. As exportações cresceram 31,8% em volume e 26,6% em valor. O próprio OCLA ressalta, no entanto, que essa comparação parte de uma base baixa, já que os embarques no início de 2025 haviam sido reduzidos.
Dentro da estrutura da produção leiteira argentina, a participação das exportações em janeiro ficou em 29,1% da produção total de leite, um nível considerado dentro da faixa histórica normal.
Dinâmica sazonal da produção
A explicação central para a queda mensal está na própria dinâmica da produção de leite no país. A Argentina apresenta pico produtivo na primavera. Nesse período, desde a saída do inverno até o fim do ano, é comum que as exportações aumentem para absorver excedentes de leite disponíveis.
Quando a produção diminui, essa estratégia perde intensidade e os embarques desaceleram. Esse movimento foi ainda mais evidente neste início de ano porque dezembro apresentou volumes particularmente elevados de exportação, ampliando a diferença na comparação mensal.
Preços pressionados
Além do recuo em volume, os preços médios também mostraram queda. Em janeiro de 2026, o valor médio das exportações ficou em US$ 3.778 por tonelada, 4% abaixo do mesmo mês do ano anterior.
Nas leites em pó, principal categoria exportada pela Argentina e responsável por 42,4% do total, o preço médio foi de US$ 3.492 por tonelada. O valor representa uma redução de 11,7% em relação ao registrado um ano antes.
Mercado interno ainda fraco
No mercado doméstico, o comportamento foi misto dependendo da base de comparação. Em relação a dezembro, as vendas de produtos lácteos cresceram 2,6%. Porém, frente a janeiro do ano passado, houve queda de 5,6%.
Quando a análise considera litros equivalentes, que medem o volume de leite utilizado na produção, a retração em relação a dezembro chega a 8%.
Entre as categorias de produtos, a maior queda ocorreu nas leites em pó, com retração de 23,4% na comparação interanual. Em seguida aparecem “outros produtos”, grupo que inclui doce de leite, manteiga e iogurtes, com recuo de 9,1%, e as leites fluidas, com queda de 5%.
O único segmento com crescimento foi o de queijos, cujo consumo avançou 1,9% em relação a janeiro do ano passado. Esse dado é relevante para a cadeia, já que cerca de 50% do leite produzido no país é destinado à fabricação desse produto.
Mudanças no comportamento de compra
Especialistas apontam dois fatores que ajudam a explicar o recuo das vendas registradas. O primeiro está relacionado à própria base de dados utilizada para medir o mercado.
Os números da comercialização de lácteos vêm de um levantamento da Direção Nacional de Laticínios que reúne informações de empresas que representam cerca de 60% do mercado. Isso significa que parte das vendas, especialmente de marcas não capturadas pela pesquisa ou do mercado informal, não aparece nas estatísticas.
Diante disso, uma das hipóteses levantadas é que consumidores estejam migrando de marcas líderes para produtos fora do universo monitorado.
O segundo fator citado está ligado às oscilações do poder de compra da população. A comparação com janeiro do ano passado também reflete que, naquele momento, as vendas haviam sido relativamente fortes após um período difícil para o consumo em 2024.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Clarín






