A Piracanjuba pretende se relacionar com o produtor de leite a partir de uma necessidade concreta: abastecer uma nova unidade industrial que nasce com capacidade instalada superior ao volume atualmente processado.
A estratégia combina expansão produtiva local, fortalecimento do vínculo direto com fornecedores e programas voltados ao aumento de eficiência na base da cadeia.
A planta inaugurada em São Jorge D’Oeste inicia suas operações transformando cerca de 400 mil litros de leite por dia em muçarela e manteiga, mas foi dimensionada para alcançar 1,2 milhão de litros diários já nesta primeira etapa. Essa diferença entre operação inicial e capacidade instalada define o principal vetor de ação da empresa no curto prazo: ampliar rapidamente a oferta de matéria-prima na região.
O mecanismo para isso passa por um trabalho estruturado junto aos produtores locais. A empresa reconhece atributos já existentes na bacia leiteira, como relevo adequado, capacidade produtiva e relevância regional, mas aponta espaço para avanço em produtividade e qualidade. Nesse contexto, o programa Pró-campo surge como instrumento central para organizar essa relação, com foco em elevar o desempenho das propriedades e, ao mesmo tempo, garantir o suprimento necessário para a indústria.
Esse movimento não ocorre isoladamente. A própria dinâmica regional impõe limites e condicionantes. A empresa indica que a expansão da captação deve considerar a demanda das demais indústrias já presentes, o que sugere um ambiente competitivo por matéria-prima. Na prática, isso reforça a necessidade de ganhos de eficiência dentro da porteira, mais do que simplesmente redistribuição de volume entre compradores.
A localização da unidade também desempenha papel estratégico. A posição equidistante entre mercados consumidores do Sul e Sudeste agrega valor logístico à operação, ampliando o potencial de escoamento e justificando o investimento em escala. Para o produtor, isso pode se traduzir em maior estabilidade de demanda, desde que consiga atender aos padrões exigidos.
No médio prazo, a relação com os produtores tende a ganhar complexidade. A segunda etapa do projeto industrial prevê a produção de lactose e concentrados proteicos, insumos de maior valor agregado utilizados em diferentes segmentos. Essa evolução industrial implica exigências adicionais sobre qualidade e regularidade do leite, elevando o nível de coordenação necessário entre indústria e campo.
O impacto se estende além da captação. A unidade, com 54 mil metros quadrados de área construída e cerca de 250 empregos diretos iniciais, cria um efeito multiplicador na cadeia, envolvendo fornecedores e prestadores de serviço. Ao mesmo tempo, incorpora práticas voltadas à eficiência ambiental, como tratamento e reaproveitamento de água e uso de biogás, o que tende a influenciar padrões operacionais ao longo da cadeia.
No conjunto, o movimento da Piracanjuba aponta para um modelo de relação mais ativo com o produtor, baseado em desenvolvimento produtivo orientado à demanda industrial. A capacidade de resposta dos fornecedores locais será determinante para viabilizar o ritmo de expansão planejado pela empresa.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Rádio Educadora






