O investimento da Natville superior a R$ 700 milhões em novas fábricas no Nordeste redefine o posicionamento industrial da empresa e altera a dinâmica da cadeia de lácteos na região.
A estratégia combina aumento de capacidade, expansão territorial e integração com a produção primária, com impacto direto sobre captação, oferta e estrutura produtiva.
O movimento se materializa com novas unidades industriais na Bahia e em Alagoas, além da reativação de uma planta adquirida em Jeremoabo e da conclusão de outra em Batalha. Com isso, a empresa amplia sua presença geográfica e cria novas frentes de processamento, o que tende a absorver maior volume de leite em regiões já integradas à sua operação.
Hoje, a Natville coleta cerca de 1,1 milhão de litros por dia junto a mais de duas mil propriedades rurais. A meta declarada é atingir mais de 1,5 milhão de litros diários em até três anos, ampliando também a base de fornecedores para 2,5 mil pecuaristas. Esse avanço indica uma intensificação da relação com produtores e maior demanda por matéria-prima, especialmente em áreas do semiárido onde a atividade leiteira é central para a renda.
O mecanismo que sustenta essa expansão vai além da indústria. A construção de uma fábrica de ração em Nossa Senhora da Glória introduz um elemento de integração vertical relevante. Com capacidade inicial de 500 toneladas por dia, a unidade será abastecida pelo milho produzido na própria região, reduzindo a dependência de insumos externos e criando uma lógica mais fechada de produção.
Na prática, isso impacta diretamente a produtividade nas fazendas. O acesso a ração balanceada, sobretudo em períodos de estiagem prolongada, contribui para estabilidade produtiva e qualidade do leite, dois fatores críticos para a indústria. Ao mesmo tempo, reforça o vínculo entre empresa e fornecedor, consolidando um modelo de parceria de longo prazo.
Outro vetor relevante é a infraestrutura já instalada. A Natville opera com mais de dois mil tanques de refrigeração distribuídos nas propriedades, permitindo conservação e rastreabilidade do leite. Esse sistema sustenta o aumento de escala sem comprometer padrões de qualidade, elemento essencial diante da diversificação do portfólio industrial.
Com faturamento de R$ 1,3 bilhão em 2025 e projeção acima de dois dígitos para 2026, a empresa busca alcançar R$ 1,5 bilhão até o fim do ano. O crescimento projetado está diretamente associado à ampliação da capacidade produtiva e à consolidação de mercado, especialmente no Nordeste, onde já lidera em categorias como leite UHT, requeijão e manteiga.
Do ponto de vista da cadeia, o que muda é a densidade produtiva regional. A combinação de novas plantas, maior captação e oferta de insumos tende a fortalecer polos leiteiros no semiárido, ampliando empregos e movimentando economias locais. Ao mesmo tempo, eleva o nível de exigência operacional para produtores e consolida uma estrutura mais integrada entre campo e indústria.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de FaxAju






