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15 abr 2026
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🧀 Investigação apura se diárias públicas financiaram venda de queijo em feira agro no Mato Grosso, após vídeos divulgados nas redes.
📍 Caso envolve assessora, feira Show Safra e suspeita de desvio de finalidade no uso de recursos públicos.
📍 Caso envolve assessora, feira Show Safra e suspeita de desvio de finalidade no uso de recursos públicos.

Queijo, diárias e política ganharam o centro do debate após a Justiça autorizar a abertura de investigação sobre o uso de recursos públicos em uma feira agro no Mato Grosso.

O caso envolve o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) e levanta uma pergunta simples — e incômoda: onde termina o interesse institucional e começa o privado?

A decisão partiu do desembargador Marcos Machado, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que determinou a instauração de inquérito policial para apurar possíveis crimes de peculato-desvio e uso irregular de verbas públicas. A investigação foi encaminhada à Delegacia Especializada em Crimes contra a Administração Pública.

No centro da controvérsia está a participação de uma assessora parlamentar durante a Show Safra, realizada entre o fim de março e o início de abril, em Lucas do Rio Verde. De acordo com dados de transparência, a servidora recebeu R$ 1.620 em diárias para o período de 24 a 28 de março, com justificativa de “interesse institucional”.

O ponto de tensão surge com a circulação de vídeos — compartilhados pelo próprio deputado — em que a assessora aparece comercializando queijos da marca familiar em um estande do evento, ao lado da esposa de Cattani. A marca, vale lembrar, foi criada em homenagem à filha do parlamentar, vítima de feminicídio.

Para o Ministério Público, as imagens constituem indício mínimo suficiente para investigação. O promotor Marcelo Caetano Vacchiano argumenta que pode ter havido desvio de finalidade funcional, caso fique comprovado que recursos públicos — como as diárias — foram utilizados para impulsionar atividade privada.

A defesa, por sua vez, sustenta outra narrativa. Em manifestação nas redes sociais, o deputado afirmou que a Assembleia Legislativa teria, pela primeira vez, montado um estande próprio na feira e que ele teria sido designado para coordenar o espaço institucional. Segundo ele, as atividades privadas teriam ocorrido de forma paralela e sem irregularidades.

O despacho judicial não antecipa conclusões, mas delimita o escopo: reunir provas robustas, ouvir testemunhas e analisar documentos para verificar se houve — ou não — infração penal. O prazo inicial para as diligências é de 120 dias.

Para além do caso específico, o episódio ressoa em um ponto sensível para o setor público e também para o ambiente de negócios: a fronteira entre representação institucional e promoção privada em eventos estratégicos do agronegócio. Feiras como a Show Safra são vitrines relevantes, onde política, produção e mercado frequentemente se encontram — às vezes, de forma menos clara do que o desejável.

O desfecho da investigação deve trazer não apenas respostas jurídicas, mas também sinalizações sobre governança e uso de recursos em agendas que misturam interesses públicos e privados.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Olhar Jurídico

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