ESPMEXENGBRAIND
20 abr 2026
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🏭 Capacidade de 1,8 milhão de litros/dia sustenta proposta e reforça papel da indústria.
Cidade
🌎 Exportação e processamento ampliam visibilidade do polo lácteo

O projeto Cidade Industrial do Leite em Três de Maio reposiciona o município a partir da sua capacidade industrial, deslocando o foco da produção primária para a escala de processamento.

A proposta, de autoria do vereador Pato Roberto, já recebeu parecer favorável em comissões e aguarda entrada em pauta, com articulação para votação antes da Expoterneira 2026.

O eixo central é a capacidade instalada. As indústrias locais, incluindo Lactalis e Laticínios Petry, somam cerca de 1,8 milhão de litros de leite por dia em processamento. Esse volume é apresentado como o maior entre municípios gaúchos com laticínios em operação, o que redefine a leitura competitiva do território dentro do estado. A transformação do leite em produtos como leite em pó, queijos fatiados e whey protein evidencia uma estrutura voltada à agregação de valor, não apenas à captação de matéria-prima.

Esse ponto altera o enquadramento estratégico da cadeia local. Embora a produção primária em Três de Maio esteja em torno de 85 mil litros diários, com mais de 31 milhões de litros por ano oriundos de 210 propriedades e 6,8 mil vacas, o diferencial competitivo não está no volume produzido, mas na capacidade de industrialização. Para o empresário, isso indica um ambiente onde a indústria exerce papel estruturante, com potencial de tração sobre fornecedores, logística e posicionamento de mercado.

O projeto também conecta essa base industrial à visibilidade comercial. A produção processada é distribuída no Rio Grande do Sul e em praticamente todo o Brasil, com reconhecimento de qualidade. No caso da planta da Lactalis, há autorização para exportação a mercados exigentes, como a China. Esse dado reforça que a operação local não é apenas relevante em escala regional, mas integrada a fluxos internacionais.

No plano econômico, a proposta formaliza um reconhecimento já implícito: o leite como vetor de geração de emprego, renda e sustentação de agroindústrias e da agricultura familiar. A narrativa inclui a evolução da bacia leiteira local, desde a introdução de vacas importadas na década de 1950 até o avanço em melhoramento genético e qualificação produtiva. Não se trata de substituir identidades existentes do município, mas de incorporar a dimensão industrial como parte estruturante.

O contexto regional amplia esse enquadramento. Três de Maio está inserida na mesorregião Noroeste Rio-Grandense, apontada como a maior produtora de leite do país, com cerca de 2,72 bilhões de litros por ano, equivalentes a 7,7% da produção nacional. Isso reforça o peso sistêmico do território e sua conexão com uma base produtiva mais ampla.

Para a cadeia láctea, o avanço do projeto sinaliza uma tendência clara: municípios com menor volume primário podem ganhar relevância estratégica quando concentram capacidade industrial e acesso a mercados. A decisão política sobre o título tende a consolidar esse posicionamento e a influenciar a forma como o município se apresenta para investimentos, parcerias e expansão industrial.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Rádio Colonial FM

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