A produção de leite em Goiás avançou de 2,98 bilhões para 3,2 bilhões de litros entre 2023 e 2025.
Ao mesmo tempo, as cooperativas ampliaram sua captação de 268 milhões para 370 milhões de litros, movimento acompanhado por maior participação dos produtores associados e pela intensificação dos investimentos dentro das propriedades.
Mais do que ampliar o acesso ao mercado, as cooperativas passaram a atuar diretamente sobre fatores que influenciam a produtividade. Assistência técnica, melhorias de manejo, apoio à gestão, financiamento para infraestrutura, compra de animais e aquisição de insumos aparecem como os principais instrumentos utilizados pelos produtores para elevar a produção.
Segundo dados da Faeg, cerca de 5.050 produtores cooperados, distribuídos em 38 cooperativas leiteiras goianas, responderam por mais de 370 milhões de litros em 2025, o equivalente a 11,6% da produção estadual.
Na avaliação do gerente técnico da entidade, Edson Novaes, o crescimento da captação pode refletir tanto o aumento da produção dos cooperados quanto a migração de produtores que antes comercializavam diretamente com a indústria e passaram a entregar leite às cooperativas.
A estratégia também aparece nos resultados da Centroleite. A central, que reúne 37 cooperativas e aproximadamente 4,5 mil produtores, elevou seu volume de 231 milhões de litros em 2023 para 266 milhões em 2024 e alcançou 332 milhões em 2025.
Além de ampliar o número de cooperativas filiadas, a organização reforçou o suporte técnico e buscou melhores negociações para aumentar a remuneração do leite comercializado em conjunto. O resultado foi uma expansão da captação diária de 400 mil para 1 milhão de litros e o crescimento do número de cooperativas participantes, de 18 para 25.
Na prática, esse modelo cria condições para que os produtores invistam mais dentro das propriedades. A Cooperativa Mista dos Produtores de Leite de Morrinhos (Complem), por exemplo, oferece condições diferenciadas para aquisição de alimentos para o rebanho, facilita o acesso ao crédito, financia animais leiteiros sem juros e disponibiliza condições especiais para compra de ração e geradores de energia.
Mesmo reduzindo em 29% o número de cooperados entre 2023 e 2025, a Complem aumentou sua captação de leite em 7,32%. O volume produzido passou de 37 milhões para 40 milhões de litros graças ao avanço da tecnificação e da profissionalização dos produtores.
Segundo a cooperativa, o volume médio produzido por cooperado cresceu cerca de 30%, impulsionado por investimentos em melhoramento genético, assistência técnica e maior qualificação da produção.
O caso do produtor Paulo Antônio Fernandes ilustra como essas decisões podem transformar uma propriedade. Após ingressar em uma cooperativa de crédito em 2023, ele utilizou o primeiro financiamento para ampliar a área destinada ao leite. Em seguida, investiu na correção das pastagens, genética, máquinas e infraestrutura.
O rebanho passou de cinco vacas para 130 matrizes girolandas. A produção, que antes variava entre 15 e 20 litros por dia destinados à fabricação de queijo, alcançou entre 300 e 400 litros diários, com média de 15 litros por animal.
Além da expansão do plantel, Fernandes adotou um sistema baseado em animais cruzados entre girolanda e guzerá leiteiro, buscando combinar produção de leite com melhor valor comercial dos bezerros machos.
Os exemplos apresentados pelas cooperativas mostram que o crescimento da produção não depende de uma única medida. Crédito, assistência técnica, gestão, genética, manejo e investimentos em infraestrutura aparecem de forma integrada como fatores que permitiram elevar a produtividade dentro das propriedades.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por O Popular






