A neozelandesa a2 Milk fechou o ano fiscal encerrado em 30 de junho com um tropeço marcante em seu principal mercado.
O lucro líquido atribuível da companhia somou NZ$ 113,6 milhões (US$ 66,94 milhões), uma queda de 44% frente aos NZ$ 202,9 milhões registrados no exercício anterior. A causa não foi falta de demanda, mas o contrário: um problema de abastecimento que a própria empresa reconhece ter custado parte de sua base de clientes na China.
Segundo a a2 Milk, uma combinação de forte demanda no terceiro trimestre, acúmulo de produção e aumento nos custos de frete comprometeu a logística e gerou escassez de produto justamente no trimestre encerrado em junho, o quarto do ano fiscal.
A empresa afirmou que essa ruptura “impactou materialmente a disponibilidade de produtos no mercado durante o 4º trimestre” e levou “uma grande parcela dos usuários existentes a migrar para marcas alternativas à medida que esgotaram os estoques domésticos, principalmente em junho”.
O efeito mais direto apareceu na receita de fórmula infantil com rótulo chinês, destinada especificamente ao mercado local: uma queda de 14%, para NZ$ 544,3 milhões. É um dado relevante porque mostra que a perda não foi de faturamento genérico, mas de um segmento de produto específico, o que reforça a leitura de que consumidores trocaram de marca dentro da própria categoria, e não simplesmente reduziram o consumo.
A companhia informou que os níveis de estoque já melhoraram desde então e que agora concentra esforços em reconquistar os clientes perdidos e atrair novos compradores.
Ainda assim, o episódio ilustra um ponto sensível para qualquer exportador de lácteos que dependa do mercado chinês de fórmula infantil: a fidelidade de marca nesse segmento pode ser rapidamente rompida diante de uma falha pontual de fornecimento, com a migração de consumidores acontecendo em questão de semanas.
Nem todos os números foram negativos. Em base subjacente — métrica que exclui efeitos não recorrentes —, o lucro anual da a2 Milk somou NZ$ 235,8 milhões, 7% acima do ano anterior. E a receita do conjunto formado por China e demais países da Ásia, seu maior mercado, cresceu 11,2%, atingindo NZ$ 1,45 bilhão, impulsionada pelo aumento nas vendas de fórmulas infantis com rótulo em inglês — um segmento distinto daquele afetado pela escassez.
A empresa também comunicou um dividendo final de 9,5 centavos de dólar neozelandês por ação, valor inferior aos 11,5 centavos pagos no ano anterior, movimento que acompanha a queda do lucro líquido do período.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Investing.com






