A entrada em vigor das tarifas do Canadá contra produtos dos Estados Unidos adiciona uma nova camada à disputa comercial entre os dois países e coloca setores como os laticínios novamente no centro das tensões.
As medidas começaram a valer pouco depois da meia-noite desta terça-feira (8), atingindo US$ 20 bilhões em produtos americanos.
A decisão do governo de Mark Carney representa uma resposta direta às tarifas impostas pelos Estados Unidos no mês passado. As novas alíquotas canadenses variam de 15% a 50% e alcançam produtos como aço, móveis, roupas e eletrônicos.
O movimento ocorre depois do fracasso das negociações entre os dois países. Segundo a fonte, há duas semanas um acordo parecia próximo, mas as conversas acabaram interrompidas.
Laticínios entre os setores atingidos
O setor lácteo está entre as atividades afetadas pelas tarifas americanas implementadas no mês passado. As medidas dos Estados Unidos atingiram vinho, móveis, laticínios, cimento, roupas, varas de pesca e equipamentos de hóquei.
No total, essas tarifas abrangem US$ 20 bilhões em exportações canadenses para os Estados Unidos, equivalente a 5% das vendas do Canadá ao seu principal parceiro comercial.
A dimensão dessa relação ajuda a explicar a pressão criada pelo conflito. Segundo dados dos governos canadense e americano citados pela Reuters, quase 68% de todas as exportações canadenses neste ano tiveram os Estados Unidos como destino.
Cerca de 80% dessas exportações foram comercializadas sem tarifas devido às isenções previstas pelo Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA).
É justamente o futuro desse acordo que passou a gerar uma das principais incertezas da disputa.
Um acordo cada vez mais pressionado
As novas tarifas canadenses são uma retaliação dólar por dólar às medidas americanas. Segundo a fonte, elas foram estabelecidas em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos com base em uma lei americana da época da Grande Depressão, que não permite a aplicação das isenções previstas no USMCA.
O acordo passa por revisões anuais, depois que Donald Trump se recusou a prorrogá-lo por mais uma década.
A combinação entre tarifas, negociações interrompidas e dúvidas sobre o futuro do USMCA aumenta a incerteza sobre investimentos e crescimento no Canadá.
Para Michael Harvey, diretor-executivo da Canadian Agri-Food Trade Alliance e integrante do comitê consultivo de Carney sobre as relações econômicas bilaterais com os Estados Unidos, existe o risco de uma escalada.
Ao mesmo tempo, segundo Harvey, o governo canadense precisa encontrar áreas de influência.
Pressão econômica e política
A reação canadense acontece em um momento delicado para o governo de Carney. Pesquisas citadas pela fonte indicam amplo apoio dos canadenses à postura do primeiro-ministro, mas analistas políticos avaliam que esse respaldo pode desaparecer em poucos meses à medida que os efeitos da guerra comercial se tornem mais evidentes.
Nos Estados Unidos, apenas 20% dos entrevistados aprovaram as tarifas de Trump sobre produtos canadenses, segundo uma pesquisa Reuters/Ipsos.
Carney havia afirmado na semana passada que seu governo estava pronto para assinar um acordo comercial que beneficiasse os dois países. Atualmente, porém, não há negociações entre ministros ou autoridades dos dois lados, segundo uma fonte do governo.
Enquanto isso, Trump ameaçou elevar para 50%, a partir de 1º de janeiro, as tarifas americanas sobre todos os carros, caminhões e peças automotivas do Canadá.
Para Harvey, a estratégia canadense precisa combinar pressão com cautela. O governo de Ottawa, segundo ele, deve manter os canais abertos com Washington e evitar exageros na retórica ou nas reações às declarações americanas.
A disputa, que já dura 18 meses, entra assim em uma nova fase — com os laticínios entre os setores expostos e o futuro das regras comerciais entre os dois países cada vez mais incerto.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por CNN Brasil






