A silagem de milho pode consumir parcelas muito diferentes da receita de uma fazenda leiteira, mesmo quando o produto final é o mesmo. Dados do Projeto Campo Futuro mostram que a diferença aparece com força quando o custo da alimentação é convertido em litros de leite: em determinados níveis de produtividade, uma tonelada de silagem pode exigir mais que o dobro do volume necessário em sistemas mais eficientes.
O levantamento, realizado em 2026, analisou 18 propriedades típicas e coloca a produtividade por hectare no centro da conta econômica. A lógica apresentada é direta: quanto maior a quantidade de silagem colhida na mesma área, maior a possibilidade de diluir os gastos e reduzir o custo por tonelada produzida.
Na safra 2025/26, o custo médio de produção foi estimado em R$ 9.123,61 por hectare na primeira safra e R$ 6.965,52 por hectare na segunda safra. Mas a diferença mais relevante aparece no custo unitário: R$ 247,08 por tonelada na safra e R$ 277,49 na safrinha.
É justamente aí que o documento faz sua principal mudança de perspectiva: o hectare mais caro nem sempre produz a silagem mais cara.
Nas propriedades que superaram 40 toneladas por hectare na safra 25/26, o custo ficou em R$ 226,86 por tonelada. Naquelas que produziram até 30 toneladas por hectare, chegou a R$ 288,22, uma diferença de 21,3%.
Na safrinha, o contraste foi ainda maior. As propriedades acima de 30 toneladas por hectare registraram custo de R$ 181,02 por tonelada, enquanto as que ficaram em até 20 toneladas por hectare chegaram a R$ 416,32 por tonelada.
Quando o custo da silagem vira litros de leite
O estudo transforma essa diferença em uma medida diretamente ligada ao caixa da fazenda: quantos litros de leite são necessários para pagar uma tonelada de silagem.
Em uma simulação com preço do leite de R$ 2,50 por litro, uma propriedade que produz até 30 toneladas de silagem por hectare na safra precisaria de 115 litros de leite para cobrir o custo de uma tonelada.
Acima de 40 toneladas por hectare, a necessidade cai para 91 litros.
Na safrinha, a distância cresce ainda mais: são 167 litros na faixa de até 20 toneladas por hectare, contra 72 litros nas propriedades acima de 30 toneladas. Ou seja, no primeiro caso, são necessários mais que o dobro dos litros de leite para pagar a mesma quantidade de silagem.
A tabela apresentada no relatório simula essa relação para os próximos 12 meses com preços do leite entre R$ 2,00 e R$ 3,00 por litro e mostra que o padrão se mantém em praticamente todos os cenários: maior produtividade de silagem reduz a quantidade de leite necessária para pagar o alimento.
Onde está o peso maior do custo
O documento também abre a composição da conta.
As operações mecanizadas representam, em média, 38% do custo total da silagem, enquanto os fertilizantes respondem por cerca de 30%. A colheita concentra 25% dos gastos, fase em que a contratação de prestadores de serviço aparece com frequência crescente.
Por isso, o relatório aponta plantio e colheita como áreas com grande espaço para ganho de eficiência. A avaliação é que tecnologia e planejamento nessas operações têm potencial de melhorar o resultado por tonelada produzida. Ativos-do-Campo-Pecuaria-de-Lei…
Um comparativo entre duas propriedades ajuda a dimensionar esse efeito.
Em Marmeleiro, no Paraná, uma propriedade com produtividade de 50 t/ha, sem terceirização de etapas, teve custo de R$ 7.469,17 por hectare e de R$ 149,38 por tonelada.
Em Passos, Minas Gerais, outra propriedade alcançou 45 t/ha, mas terceirizou colheita, transporte e compactação. O custo chegou a R$ 11.023,58 por hectare e R$ 244,97 por tonelada, valor 64% superior ao registrado em Marmeleiro.
Produzir ou comprar silagem
A decisão também pesa quando a alternativa é adquirir o volumoso fora da propriedade.
Segundo o levantamento, em diversas regiões do Brasil os preços de compra de silagem de terceiros chegam a ser quase três vezes maiores que o custo da produção própria. Em uma propriedade típica de Milhã, no Ceará, a aquisição de silagem de milho chegou a R$ 650 por tonelada.
O relatório relaciona esse resultado à combinação entre correção e adubação do solo, produtividade e controle dos custos. Mesmo quando sistemas mais produtivos exigem investimentos maiores, o aumento do volume colhido ajuda a distribuir a despesa em mais toneladas.
Para a atividade leiteira, a mensagem econômica é clara: acompanhar apenas o gasto por hectare pode mostrar apenas parte da realidade. O indicador que melhor traduz a eficiência da operação, segundo o documento, é o custo por tonelada produzida.
E, quando essa conta é convertida em litros de leite, a diferença deixa de ser apenas agronômica: passa a mostrar diretamente quanto da produção é necessário para pagar a alimentação do rebanho.
*Producido por eDairyNews, con información publicada por CNA Brasil






