A Adecoagro igualou a Vicentin em US$ 3,5 milhões na disputa pela ARSA, empresa argentina em falência que reúne duas plantas industriais e marcas de iogurtes, flans e sobremesas durante anos associadas à SanCor.
A companhia havia entrado no processo com US$ 3 milhões e agora chegou ao mesmo patamar da rival. Mas esse número ainda não é preço de venda de nada.
A sigla ARSA diz pouco, mas as marcas que ela carrega são outra história: Yogs, Shimy, Sancorito, Sublime, Vida, Primeros Sabores e Lechelita. Em 2016, o Vicentin Family Group comprou, por meio da ARSA, o negócio de iogurtes e sobremesas da SanCor por cerca de US$ 100 milhões. Hoje, os lances somam uma fração desse valor.
Entre uma cifra e outra, a empresa quebrou. A ARSA começou a ter problemas financeiros anos depois da compra, entrou em concurso preventivo em 2024 e acabou na falência. Segundo o Punto Biz, a South American Food Company controla 99% do capital, e o VFG ficou com 1%.
A Vicentin foi a primeira a se mexer, com uma proposta inicial de US$ 2,5 milhões. Quando a Adecoagro apareceu, em agosto, com US$ 3 milhões, a Vicentin subiu para US$ 3,5 milhões, com garantia de US$ 350 mil, e pediu o direito de cobrir uma eventual oferta maior se a Justiça abrir uma disputa competitiva. A Adecoagro respondeu agora e empatou.
Há uma diferença de desenho entre as propostas. A Vicentin detalhou o que pagaria por cada ativo: US$ 1,7 milhão pela planta de Monte Cristo, em Córdoba, US$ 1,15 milhão por Arenaza, na província de Buenos Aires, junto com alguns ativos de marcas, US$ 625 mil pelas demais marcas e US$ 25 mil por veículos e estoques. A Adecoagro apresentou um valor global para o conjunto.
A Adecoagro, aliás, conhece esse território. Em 2019, criou a L3N, empresa por meio da qual faria agora a eventual compra, e que serviu para incorporar ativos que foram da SanCor: as marcas Las Tres Niñas, Angelita e Apóstoles, além das plantas de Chivilcoy e Morteros. Ficar com a ARSA significaria somar mais marcas conhecidas e duas unidades industriais.
O terceiro nome da mesa é a Elcor, dona da marca Tonadita, que também manifestou interesse em ativos da ARSA e pediu que a Justiça estabeleça um mecanismo competitivo. O juízo ainda precisa definir como as propostas serão recebidas e comparadas, se haverá nova rodada para melhorá-las e em que condições o patrimônio será adjudicado.
Por isso, o empate em US$ 3,5 milhões é só uma fotografia de um processo aberto. Vale ainda não confundir a falência da ARSA com a liquidação judicial da SanCor Cooperativas Unidas Limitada: são expedientes e patrimônios diferentes, embora ambos tenham plantas e marcas com raiz na histórica cooperativa. O próximo lance é do juízo.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por EDairyNews Español






