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7 out 2026
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Do leite em pó desnatado aos contratos europeus, o maior mercado de derivativos do mundo vê um mesmo fio condutor. Qual? 🔎
Quando o leite fluido muda de destino, o leite em pó desnatado sente primeiro. O que está por trás desse desvio nos EUA? 🧀
Quando o leite fluido muda de destino, o leite em pó desnatado sente primeiro. O que está por trás desse desvio nos EUA? 🧀

O leite em pó desnatado acumula alta de mais de 100% no ano no mercado dos Estados Unidos, e a explicação, segundo o CME Group, está no destino que o leite fluido vem tomando.

A leitura é de John Ricci, chefe global de produtos agrícolas do maior mercado de derivativos do mundo, em entrevista ao Valor nesta segunda-feira (5/10), durante passagem pelo Brasil.

O raciocínio começa no leite fluido. Os produtores o destinam aos itens em que as margens são melhores, e a busca crescente por proteína, que Ricci associa ao avanço das canetas emagrecedoras, aqueceu a procura por iogurte, queijo cottage, queijos em geral e whey. O leite desviado para esses produtos deixa de abastecer outras finalidades, como o leite em pó desnatado.

Do lado da bolsa, o cenário é de recorde. O mercado de laticínios dos EUA registrou máximas de contratos em aberto e de volume de negociação no ano passado, e a expectativa do executivo é repetir o desempenho neste ano. Foi esse quadro, segundo ele, que alimentou o entusiasmo do CME em entrar no mercado europeu de lácteos.

A porta para a Europa é uma parceria com a European Energy Exchange (EEX), firmada em setembro, que transfere para o CME os indicadores de laticínios da EEX no mercado europeu. De acordo com o anúncio feito no mês passado, a expectativa é que a transição seja concluída antes do fim de 2027.

Por trás da procura por ferramentas de proteção, Ricci descreve um ambiente de risco permanente: fluxos comerciais globais sendo reconfigurados, tarifas, tensões geopolíticas e maior volatilidade. Os números ajudam a ilustrar o movimento. Em setembro, a soja bateu recorde mensal de 1,1 milhão de contratos em aberto, e a média diária de negociação de produtos agrícolas chegou a 2,1 milhões de contratos, somando futuros e opções, volume nunca visto antes.

A vitrine do CME também mudou. A bolsa lançou contratos de sorgo com entrega física, em operação desde 24 de agosto, e de aparas de carne magra (beef trim), que Ricci descreve como os contratos da carne de hambúrguer. Criou ainda o Agriculture Index, indicador que reúne grãos, oleaginosas, pecuária, madeira e cinco dos seis contratos de laticínios.

Mais lançamentos estão no radar, talvez no fim deste ano ou no primeiro trimestre do ano que vem, nas palavras do executivo. Para o leite, o recado é direto: a demanda por proteína está redefinindo a destinação do leite fluido, e a bolsa de Chicago já se movimenta para acompanhar.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Webtv Paracatu

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