ESP – MEX – ENG– BRA – IND
7 out 2026
ESP – MEX – ENG– BRA – IND
7 out 2026
Vender mais não garantiu receita maior. Nas exportações de lácteos do Uruguai, a explicação passa por um cliente que acelerou e outro que freou 📉
As exportações de lácteos do Uruguai esconderam uma virada em 2026, e dois destinos explicam por que a conta não fecha.
As exportações de lácteos do Uruguai esconderam uma virada em 2026, e dois destinos explicam por que a conta não fecha.

As exportações de lácteos do Uruguai fecharam os nove primeiros meses de 2026 com um paradoxo.

Foram 178.247 toneladas embarcadas, cerca de 5% acima das 169.627 toneladas do mesmo período de 2025. A receita, porém, ficou em US$ 646,7 milhões, 1,5% abaixo dos US$ 656,8 milhões do ano passado. O país vendeu cerca de 8.620 toneladas a mais e recebeu aproximadamente US$ 10,1 milhões a menos.

A explicação começa pelo preço médio. Pelas contas feitas a partir dos dados informados, a tonelada exportada passou de cerca de US$ 3.872 para US$ 3.628, uma queda próxima de 6%. O número não significa que todos os produtos ficaram mais baratos, já que o resultado também depende do mix exportado e dos destinos. Mas mostra que o volume, sozinho, não garantiu receita.

É nesse cenário que o Brasil ganha protagonismo. Em setembro, o país comprou 7.860,5 toneladas de lácteos uruguaios, por US$ 29,9 milhões, contra 5.554 toneladas e US$ 22,8 milhões um ano antes. A alta foi de cerca de 41% em volume. Com isso, o Brasil concentrou perto de 35% de todas as toneladas exportadas pelo Uruguai no mês e liderou o ranking de destinos por ampla margem.

Do outro lado da balança, a Argélia fez o caminho inverso. Em setembro de 2025, o Uruguai havia colocado ali 9.809 toneladas, por US$ 38 milhões. Um ano depois, foram 2.431 toneladas, por US$ 8,9 milhões: um quarto do volume anterior, ou uma retração de cerca de 75%. O tombo pesa porque a Argélia é historicamente compradora de leite em pó integral uruguaio.

A comparação mostra o limite da compensação. O Brasil acrescentou cerca de 2.300 toneladas e US$ 7 milhões ao mês, enquanto a Argélia deixou de levar mais de 7.300 toneladas e cerca de US$ 29 milhões. O avanço brasileiro amorteceu parte da queda, mas o mês fechou com 22.560 toneladas e US$ 79 milhões, contra 23.465 toneladas e US$ 90,76 milhões em setembro de 2025. É uma baixa de 3,8% em volume e de 13% em valor.

Isso significa que o valor médio também recuou. A receita por tonelada passou de cerca de US$ 3.868 para US$ 3.502, uma redução de aproximadamente 9,5%. Ou seja, o dinheiro que faltou no mês não se explica apenas por ter vendido menos.

Sobre a Argélia, a fonte lembra que o recuo já vinha sendo observado nos meses anteriores. Referentes da Conaprole atribuíram parte da queda a problemas logísticos e à disponibilidade de navios, e não ao desaparecimento da demanda. Depois de Brasil e Argélia, a Nigéria ficou em terceiro lugar, com cerca de 1.000 toneladas, seguida por África do Sul e Mauritânia.

O pano de fundo é um ano de forte crescimento da produção uruguaia. Com mais leite disponível, o país precisa colocar uma parcela importante dos derivados fora do mercado doméstico, e por isso diversificar destinos é decisivo. Os números de 2026, no entanto, indicam que o desafio mudou: pesam o que se exporta, para quem e a que preço. A tarefa que fica para a lechería exportadora é vender com mais valor por tonelada e com uma carteira de compradores menos dependente de poucos mercados.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por  EDairyNews Es

 

Te puede interesar

Notas Relacionadas

Faça login na minha conta