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7 out 2026
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Quarto maior produtor de leite do mundo, o Brasil está parado em 35 bilhões de litros há uma década, e o Nordeste é a exceção.
Brasil
O saldo comercial do setor acumulou déficit de US$ 6,887 bilhões entre 2016 e 2026, em preços constantes de março de 2026.

Entre 2015 e 2024, a produção brasileira de leite praticamente não saiu do lugar e ficou em torno de 35 bilhões de litros por ano.

Em 2024 foram 35,744 bilhões, alta de 1,41% sobre o ano anterior. A taxa média de crescimento, de 4,13% ao ano entre 1974 e 2014, caiu para 0,19% na década seguinte.

Uma região fugiu à regra: o Nordeste cresceu em média 5,24% ao ano, enquanto as demais tiveram médias negativas.

De acordo com uma investigação compartilhada pela revista Qualis A Open Minds (propriedade do CPAH, o Centro de Pesquisa e Análises Heráclito, sob gestão técnica da Editora Atena), o economista Tagore Villarim de Siqueira, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e mestre em Teoria Econômica pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), traça um panorama da cadeia do leite. O estudo foi aceito em 22 de setembro de 2026 e integra o volume 2, número 16.

O brasileiro bebe leite suficiente?

O consumo per capita ficou em 178 litros por ano em 2024, abaixo do pico de 180 litros de 2013 e 2014. Tomando 200 litros anuais, o equivalente a um copo de 500 ml por dia, como referência, o consumo está 11% abaixo. Os países líderes, como Irlanda, Dinamarca, Turcomenistão, Luxemburgo e Suíça, ficam entre 414 e 600 litros.

Parte da demanda é atendida por importações. O saldo comercial do setor acumulou déficit de US$ 6,887 bilhões entre 2016 e 2026, em preços constantes de março de 2026. O déficit médio foi de US$ 454 milhões entre 2016 e 2022 e subiu para US$ 929 milhões entre 2023 e 2025.

Por que o Nordeste destoa?

Pernambuco produziu 1,457 bilhão de litros em 2024, alta de 9,21%, o que o colocou em primeiro lugar na região e em sétimo no país. O Ceará chegou a 1,210 bilhão, com avanço de 6,44%. Sergipe, com 296 litros por habitante, é o único estado nordestino acima dos 200 litros de referência. No outro extremo, o Piauí produz 21 litros por habitante e o Maranhão, 55.

As principais bacias da região incluem o Agreste Meridional de Pernambuco, o Vale do Jaguaribe, no Ceará, o Seridó, no Rio Grande do Norte, e o sul e o extremo sul da Bahia. O autor destaca o efeito do setor sobre emprego e renda no semiárido e no combate à fome.

O clima manda no rebanho?

O estudo relaciona a queda no número de vacas ordenhadas, sobretudo no Nordeste, aos episódios fortes de El Niño de 2015 e 2016 e de 2023 e 2024, que agravam a seca. Como o fenômeno é previsto de forma intensa para 2026, Siqueira defende um plano de prevenção para reduzir perdas.

Falta modernização na porteira?

Sim. Cerca de 80% das propriedades leiteiras usam ordenha manual, 20% usam ordenha mecânica e só 2% têm sistemas automatizados. No Censo Agropecuário de 2006, apenas 10,78% das propriedades tinham tanque de resfriamento: 24% no Sul, 10,76% no Sudeste, 1,26% no Norte e 0,28% no Nordeste.

Os preços pagos ao produtor refletem a pressão. O leite chegou a R$ 2,07 por litro em janeiro de 2026 e fechou junho em R$ 2,75. A média do primeiro semestre, de R$ 2,47, ficou 14% abaixo da do mesmo período de 2025. Nesse cenário, o estudo registra o lançamento do mercado futuro de leite, em 13 de maio de 2026, para proteger produtores e compradores de oscilações bruscas, e a estratégia das “vacas tokenizadas”, em que animais com coleira inteligente viram garantia de crédito rural.

O que o autor propõe?

Um plano estratégico para a cadeia, com foco em qualidade, produtividade e sustentabilidade. Entre as frentes citadas:

* programas de qualidade, inovação e assistência técnica, em parceria com universidades e a Embrapa;

* acesso a ordenha automatizada, tanques de resfriamento e caminhões refrigerados;

* certificações de qualidade e indicações geográficas para queijos artesanais;

* biodigestores e energia solar para reduzir custos;

* crédito sob medida, preço mínimo, estoques reguladores e incentivos fiscais.

O estudo cita também o programa federal de compra de leite de agricultores familiares para doação, criado em 2003, que teve orçamento de R$ 130 milhões em 2025 e R$ 156 milhões em 2026.

A Open Minds é propriedade intelectual e científica do CPAH. A Editora Atena atua como gestora técnica, administradora do ISSN e parceira comercial mediante royalties, mas não é dona do periódico.

Fonte: Open Minds International Journal, vol. 2, n. 16, 2026, artigo 10. Autor: Tagore Villarim de Siqueira.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Novo Momento 

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