Mato Grosso do Sul produz menos da metade do leite que consome e depende de outros estados para abastecer o próprio mercado.
O retrato é do presidente do Núcleo de Criadores de Girolando de MS, Alessandro Coelho, que adiantou nesta terça-feira (13) que o setor vai entregar ao governador, durante a ExpoLeite, no fim de novembro, um projeto para aumentar a produção em 30% até 2030. “O Estado produz muito pouco hoje, e podemos ir muito além”, disse, em entrevista ao Giro Estadual de Notícias.
A meta, segundo ele, é para atender o mercado interno, não para vender para fora. A atividade encolheu ao longo de 20 anos no Estado, e a última ExpoLeite organizada pela Acrissul foi há cerca de 14 anos. A feira volta agora, de 25 a 29 de novembro, no Parque de Exposições Laucídio Coelho, em Campo Grande.
Pelos números de Alessandro, a produção média em Mato Grosso do Sul é de 100 litros por produtor. “O volume total do Estado não é pequeno, mas se divide entre muita gente. Passar de 100 para 130 litros, depende de melhoramento genético e de uma pequena acomodação na alimentação, o que torna a meta possível em um prazo curto”, explica.
O argumento a favor do leite é a regularidade. “A única fonte de renda com frequência mensal dentro do meio rural é o leite. Todas as demais são sazonais”, afirmou. Os programas estaduais Pro-Leite e Extra-Leite ajudam a fechar a conta: segundo Alessandro, o incentivo ao leite de qualidade chega a pagar até R$ 0,30 a mais por litro.
Com o Girolando, raça que responde por cerca de 80% do leite produzido no país, segundo dados da associação nacional da raça já publicados pelo A Crítica, o pequeno produtor consegue boa produtividade com custo relativamente baixo, disse ele.
Falta gente preparada para a vaca de leite
O maior desafio, na avaliação dele, é a mão de obra. O Estado tem trabalhadores qualificados para o gado de corte, manejado em lote e a cavalo, mas a vaca de leite exige trato individual, a pé, todos os dias, com mais cuidado de limpeza e sanidade. “Se você pegar uma vaca de leite e der um grito com ela, ela já não vai produzir com você naquele dia.
O clima pesa: a vaca sente a variação de temperatura, e o manejo precisa acompanhar, com sombra nos dias quentes”, diz.
Do outro lado da cadeia, a indústria opera abaixo da capacidade, e há fábricas fechadas por falta de leite, segundo Alessandro. Ele contou que conversou com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), que busca novas indústrias para reativar essas unidades, porque a produção começou a subir.
Há regiões que ficaram sem laticínio por perto, e ele citou Nova Andradina, Paranaíba e Jaraguari ao falar da logística cara, que encarece o produto para a indústria e pode reduzir o que o produtor recebe.
Em Campo Grande, já foi aprovada uma lei, hoje em regulamentação, para levar leite in natura à merenda escolar, com o desafio de refrigerar o produto em escolas que têm mais de 3 mil alunos. Em maio, a prefeitura discutiu com o setor a regulamentação do Programa Municipal de Suplementação Alimentar com Leite e Derivados Frescos, que prevê a distribuição a famílias em situação de vulnerabilidade e, no futuro, a escolas.
O objetivo é dar estabilidade ao preço pago ao produtor, que hoje oscila: a título de exemplo, citou um litro a R$ 3 que cai para R$ 2,20 e depois para R$ 1,80.
Para o consumidor, Alessandro não vê queda de preço no curto prazo. Ele atribui o valor alto à carga tributária acumulada ao longo da cadeia, da energia do ventilador e do aquecedor de água da sala de ordenha ao milho, ao sal mineral e ao frete. “A muçarela e o doce de leite pagam menos tributo que o leite in natura, e o ideal seria zerar os impostos dos produtos da cesta básica. Ela chega cara no final e remunera mal todo mundo”, disse sobre a cadeia.
Serviço
ExpoLeite MS 2026 e 2º Festival de Leite, Queijo e Economia Criativa
Data: de quarta-feira (25) a domingo (29) de novembro
Local: Parque de Exposições Laucídio Coelho, Campo Grande
Entrada: gratuita, segundo o Núcleo Girolando MS. Pode levar o cachorro
Abertura: cavalgada na quarta-feira (25), do Horto Florestal até o parque
Julgamentos: Girolando e Gir Leiteiro, de 25 a 28 de novembro
Realização: Acrissul, Núcleo de Criadores de Girolando de MS e Prefeitura de Campo Grande, com apoio do governo do Estado e organização da Boin Eventos
Informações divulgadas pela organização da ExpoLeite MS e por Alessandro Coelho, presidente do Núcleo de Criadores de Girolando de MS, em entrevista ao Giro Estadual de Notícias, do Grupo Feitosa de Comunicação, que edita este jornal. Programação sujeita a alteração.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por A Crítica






