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19 out 2026
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Salas de banho, conforto térmico e bem-estar animal são alguns dos segredos para produção de 102 mil litros de leite por dia.
Em um diálogo enriquecedor com Sérgio Ferraz Ribeiro Filho, diretor geral de produção e neto do fundador, a paixão pela pecuária leiteira e um profundo respeito pelos animais transpareceram em cada palavra.
Em um diálogo enriquecedor com Sérgio Ferraz Ribeiro Filho, diretor geral de produção e neto do fundador, a paixão pela pecuária leiteira e um profundo respeito pelos animais transpareceram em cada palavra.

Tivemos a oportunidade de cruzar a porteira de uma propriedade onde a dedicação ao bem-estar de cada vaca ecoa em cada balde de leite fresco ordenhado.

Essa experiência inesquecível aconteceu ano passado ao visitarmos à Fazenda São José (Bela Vista), localizada no interior paulista, em Tapiratiba, divisa com o município de Guaxupé/MG. Iniciada pelo saudoso pecuarista Sr. Olavo Barbosa, em 1960, a fazenda transcende a mera produção leiteira, erguendo-se como um farol de como a sinergia entre o cuidado animal e a inovação tecnológica pavimenta o caminho para resultados notáveis.Pecuária e Gado

Com um rebanho de mais de 2.750 vacas holandesas em lactação, a fazenda alcança uma produção diária impressionante de 102 mil litros de leite, sendo a maior fazenda leiteira do Brasil. Um feito que ganha contornos ainda mais admiráveis ao compreendermos a filosofia que nutre essa produção. Com esse resultado, a propriedade retomou a liderança do ranking MilkPoint/Abraleite em 2026, superando a Fazenda Colorado, localizada em Araras, no interior de São Paulo, que até então ocupava a primeira posição entre as maiores produtoras de leite do país.

O bem-estar animal é a pedra angular da Bela Vista, visível em cada canto da propriedade. O sistema de Free Stall proporciona às vacas a liberdade de movimento e repouso em um ambiente com conforto térmico (média de 29ºC). Contudo, a busca incessante por aprimorar o bem-estar impulsionou a fazenda a conceber uma solução engenhosa, inspirada na própria rotina de ordenha: as salas de banho.

A intenção dessa ideia reside na observação meticulosa, através de dataloggers inseridos nas vacas, de que o período pós-ordenha se apresentava como um momento estratégico para a redução da temperatura corporal dos  animais. Na sala de ordenha existente, em operação desde 1987, em sistema de free stall – um dos primeiros do Brasil, essa prática já era adotada. Mas a intensa demanda da infraestrutura, que funciona por 19 horas diárias, com três ordenhas rigorosamente às 4h, 12h e 20h, impunha limitações à frequência dos banhos.

Em um diálogo enriquecedor com Sérgio Ferraz Ribeiro Filho, diretor geral de produção e neto do fundador, a paixão pela pecuária leiteira e um profundo respeito pelos animais transpareceram em cada palavra. “Se o animal não estiver feliz, e satisfeito, ele não vai conseguir expressar o potencial que ele tem de produção de leite.“, enfatiza.

Movidos por essa percepção, a equipe da Bela Vista embarcou em uma jornada de pesquisa e inspiração, buscando modelos em grandes projetos já implementados no México. “E começamos a discutir e vimos que existinham projetos já feitos, grandes projetos do México. E aí nós fizemos contatos com empresas que conhecem as pessoas nas fazendas do México e conseguimos as visitas para ir lá para concretizar o que a gente tinha imaginado.”, compartilhou Sérgio. Essa busca culminou na construção de duas salas de banho como protótipos, estrategicamente posicionadas próximas à área de ordenha. O objetivo era monitorar de perto os impactos dessa intervenção com o auxílio dos dataloggers.

Os resultados iniciais foram tão encorajadores que impulsionaram a construção de mais quatro salas, visando replicar essa prática em toda a área de confinamento. É notável como a observação atenta do comportamento animal, aliada à busca por soluções inovadoras, pode gerar um impacto significativo tanto no bem-estar quanto na produtividade.

A Fazenda Bela Vista, contudo, não se limita à excelência na produção primária. Ela integra verticalmente sua operação com uma indústria própria de lácteos, que oferece um diversificado portfólio de produtos para atender o mercado brasileiro. Essa integração demonstra uma visão abrangente do negócio, permitindo um controle de qualidade rigoroso em todas as etapas, desde o pasto até a mesa do consumidor.

Respondendo a pergunta inicial para alcançar uma produção diária de 102 mil litros de  leite em uma propriedade rural, podemos concluir que isso não é tarefa fácil e exige dedicação total. Mas se pegarmos como exemplo aquilo que observamos na prática acontecendo na Fazenda Bela vista, podemos destacar:

É evidente o forte compromisso da Fazenda Bela Vista com a economia circular e a sustentabilidade, implementado por diversas práticas para otimizar o uso de recursos e minimizar o impacto ambiental. Sérgio Ferraz destaca que eles realizam a reciclagem de 100% da água utilizada na fazenda, que após o tratamento, é destinada à fertilização. Além disso, toda a parte de esterco sólido, que chega a um volume de 52 toneladas diárias do complexo produtivo, é direcionada para uma área de compostagem. O material compostado retorna então às áreas de produção de milho como adubação organomineral, fechando um ciclo importante de nutrientes.

Embora ainda estejam “só perdendo o gás“, existe um projeto de biodigestor, que permitirá aproveitar o biogás gerado. Para Sérgio, a sustentabilidade é fundamental não só no agronegócio, mas em todas as atividades, pois sem ela, “não se sustenta“. Ele também observa que a consciência da população está cada vez mais voltada para empresas com essa preocupação ambiental. Essa abordagem integrada da Fazenda Bela Vista demonstra como a busca pela produtividade pode e deve caminhar lado a lado com a preservação do meio ambiente.

Motivado, o diretor geral da fazenda Bela Vista manda um recado para os demais produtores de leite brasileiros: “Eu acho que sempre o leite é persistência. O leite é sempre resolver todos os problemas, não desanimar, porque o leite tem dia que desanima de acordo com as coisas do mercado. Mas tem que ter fé, tem que ter foco e muita fé e procurar tecnologia sempre que podem ajudar nesse desenvolvimento.“, finaliza Sérgio.

A propriedade projeta elevar sua produção para 150 mil litros de leite por dia nos próximos três anos. Para sustentar essa expansão, estão sendo investidos R$ 15 milhões na modernização e ampliação do laticínio instalado na própria fazenda, a aproximadamente 300 quilômetros da capital paulista. O projeto inclui a aquisição de novos equipamentos de pasteurização e homogeneização, implantação de linhas de envase, empacotamento e rotulagem, além da ampliação da estrutura industrial, das áreas de armazenamento e das câmaras frias.

A imersão na Fazenda Bela Vista transcendeu a mera análise de estatísticas impressionantes. Foi uma experiência enriquecedora que revelou a profunda conexão entre o cuidado genuíno com os animais, a constante busca por inovação e a dedicação de uma família à arte da produção leiteira. As “salas de banho” personificam a visão de que o investimento em bem-estar animal não é apenas um imperativo ético, mas também uma estratégia inteligente para assegurar a qualidade e a produtividade de um negócio que nutre a vida de inúmeros brasileiros.

Em cada litro de  leite produzido na Fazenda Bela Vista, sente-se a dedicação e o carinho investidos em cada animal dessa exemplar fazenda-indústria.

 

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*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Agronews 

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