A organização, que representa os processadores de lácteos do Reino Unido, respondeu ao relatório Doing Dairy Differently, da The Wildlife Trusts.
O documento alerta que a migração para sistemas leiteiros maiores e mais intensivos aumenta a pressão sobre a terra, a água e o meio ambiente em geral, dos quais dependem as fazendas, as pessoas e a vida selvagem.
O relatório afirma que há mais de 40 megafazendas leiteiras no Reino Unido, a maior delas com 2.600 vacas. Argumenta que, ao contrário das unidades intensivas de suínos e aves, as grandes fazendas de leite e de gado de corte não estão sujeitas ao mesmo monitoramento governamental, o que deixa seu tamanho e seus impactos ambientais sem controle.
Uma análise da The Wildlife Trusts com base em dados da Agência Ambiental concluiu que a atividade leiteira foi responsável por 71% dos incidentes graves de poluição agrícola somente na Inglaterra, com danos a rios, contribuição para a proliferação de algas, redução dos níveis de oxigênio e prejuízos à fauna.
A entidade pede o fortalecimento da regulação dos sistemas leiteiros de maior risco, incluindo o licenciamento de unidades muito grandes, confinadas, e de fazendas com pouco ou nenhum pastejo. Também solicita apoio para que os produtores invistam em armazenamento de dejetos líquidos (chorume) e em outras medidas de prevenção da poluição.
“O sistema atual está gerando resultados ruins, incluindo mais poluição e maior exposição aos impactos das mudanças climáticas. No entanto, quando integrada de forma adequada às práticas agrícolas, a natureza pode fazer parte da solução. As fazendas que trabalham com a natureza já estão reduzindo a dependência de insumos caros e, ao mesmo tempo, construindo resiliência para os desafios que virão”, disse Gemma Lane, gerente de Políticas de Uso da Terra da The Wildlife Trusts.
“O governo do Reino Unido deve ampliar o licenciamento ambiental para as fazendas intensivas de leite e de gado de corte, de modo que seus impactos possam ser devidamente medidos e gerenciados. Ao mesmo tempo, precisa investir em um setor leiteiro resiliente às pressões climáticas, apoiando o sustento dos produtores. Com financiamento, assessoria e apoio na cadeia de suprimentos adequados para incorporar a natureza às práticas agrícolas, mais produtores poderão reduzir os riscos de poluição, recuperar a vida selvagem local e construir negócios lucrativos e sustentáveis, preparados para o futuro.”
A Dairy UK, por sua vez, afirmou que o setor conta com iniciativas bem-sucedidas para reduzir seu impacto ambiental.
Por meio do Dairy Roadmap, todo o setor trabalha de forma conjunta e registra avanços importantes: uma redução superior a 50% na intensidade do uso de água no processamento desde 2008 e uma queda de 22% na intensidade de emissões do leite na fazenda desde 1990, sendo mais de 9% nos últimos cinco anos.
A Dairy UK também ressaltou que a pecuária leiteira britânica é predominantemente baseada em pasto, mesmo nos sistemas confinados. Segundo a entidade, mais de 80% da alimentação das vacas leiteiras não pode ser consumida por humanos, sendo composta por forragens, grãos de baixa qualidade e subprodutos como casca de soja e grãos de destilaria.
A organização destacou ainda que os processadores de lácteos, por meio da Dairy UK, anunciaram recentemente a expectativa de que, a partir de dezembro de 2026, os alimentos para animais fornecidos à cadeia leiteira do país atendam a requisitos reconhecidos de ausência de desmatamento para as principais commodities de risco florestal.
“Como setor, reconhecemos a necessidade de melhorar nosso impacto sobre a qualidade da água, mas rebanhos maiores não são o problema. Como destacado neste artigo, os produtores precisam de apoio de capital, mas também de um marco regulatório favorável. Na Inglaterra, foram disponibilizados recentemente £ 108 milhões em duas rodadas do Slurry Infrastructure Grant”, afirmou a Dra. Emma Gregson, gerente de Meio Ambiente da Dairy UK.
“A demanda foi alta, com 2.087 solicitações iniciais, mas apenas 186 projetos receberam financiamento, menos de 9% do total. Produtores e organizações do setor apontam como grandes barreiras as exigências de planejamento, a complexidade administrativa, a disponibilidade de empreiteiros e os prazos de execução dos projetos.”
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Dairy Reporter






