Acordo comercial entre Estados Unidos e Argentina inaugura uma nova etapa no acesso ao mercado lácteo sul-americano ao eliminar tarifas de até 28% sobre produtos selecionados, como leite em pó, proteínas lácteas e lactose.
A medida também estabelece uma quota anual de 1.000 toneladas métricas para determinados queijos norte-americanos. Na prática, a combinação entre redução tarifária e volume garantido tende a melhorar as condições de entrada em segmentos de maior valor agregado.
Outro ponto central do acordo é o compromisso argentino de reduzir barreiras não tarifárias, incluindo exigências relacionadas ao registro de instalações. Para exportadores, a simplificação regulatória costuma representar menor custo operacional e maior previsibilidade comercial.
O entendimento também prevê a proteção de 39 nomes de queijos amplamente utilizados, entre eles “parmesan”. A iniciativa é vista como relevante para manter a consistência global dos produtos e evitar restrições associadas a disputas sobre denominações.
Krysta Harden, CEO do US Dairy Export Council, afirmou que os compromissos assegurados criam “oportunidades reais” para as exportações lácteas rumo à América do Sul. Já Gregg Doud, da National Milk Producers Federation, destacou o potencial do acordo para se traduzir em crescimento concreto para produtores, observando que a negociação acompanha o ritmo contínuo das operações nas fazendas.
Para Jaime Castaneda, do Consortium for Common Food Names, a proteção das denominações chega em momento oportuno, especialmente diante do risco de que acordos da União Europeia com o Mercosul limitem o uso de nomes reconhecidos globalmente por exportadores norte-americanos.
Do ponto de vista estratégico, o movimento reforça a política dos Estados Unidos de firmar acordos recíprocos para ampliar mercados. A iniciativa sucede entendimentos semelhantes com El Salvador e Guatemala, igualmente voltados à redução de barreiras.
Entidades do setor indicaram que continuarão trabalhando com o governo norte-americano para transformar os compromissos comerciais em crescimento mensurável das exportações. Se implementado conforme previsto, o acordo pode elevar a competitividade dos produtos dos EUA na Argentina, especialmente em categorias como queijos especiais e ingredientes lácteos.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de FoodBev Media






