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19 jan 2026
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🇪🇺 Acordo Mercosul-UE preocupa cadeia do leite e acelera discussão sobre eficiência produtiva no Centro-Oeste.
📉 Concorrência com lácteos europeus reacende debate sobre custos, subsídios e produtividade no acordo Mercosul-UE.
📉 Concorrência com lácteos europeus reacende debate sobre custos, subsídios e produtividade no acordo Mercosul-UE.

O acordo Mercosul-UE voltou ao centro das preocupações da cadeia leiteira de Mato Grosso do Sul, diante da expectativa de maior concorrência com produtos europeus e do risco de pressão adicional sobre o preço pago ao produtor.

A avaliação parte da Assuleite (Associação dos Produtores de Leite de Mato Grosso do Sul), que acompanha os desdobramentos da assinatura do tratado de livre comércio entre os dois blocos.

Segundo a entidade, a redução de tarifas e a criação de cotas para importação de lácteos da União Europeia — como leite em pó e queijos finos — tendem a ampliar a oferta no mercado interno brasileiro. Em um cenário já marcado por margens estreitas, a entrada de produtos com maior competitividade pode afetar diretamente a remuneração do produtor rural, sobretudo os de menor escala.

O presidente da Assuleite e coordenador da Câmara Setorial Consultiva do Leite, Eder Souza Oliveira, afirmou em entrevista ao Campo Grande News que o setor enfrenta dificuldades estruturais antes mesmo da entrada em vigor do acordo. De acordo com ele, o custo de produção elevado e a instabilidade de preços já pressionam a atividade. “Hoje o produtor trabalha com margem apertada e custo elevado, e qualquer aumento de oferta no mercado interno pressiona o preço do leite”, declarou.

Na avaliação do dirigente, os pequenos produtores são os mais sensíveis a esse movimento. Segundo ele, variações negativas no preço do leite são rapidamente sentidas por quem opera com menor escala e menor capacidade de absorver custos adicionais. “Esse efeito chega mais rápido ao pequeno produtor”, afirmou.

A concorrência com produtos europeus preocupa especialmente pela diferença estrutural entre os sistemas produtivos. Eder destacou que os países da União Europeia contam com outro nível de subsídios, logística mais eficiente e cadeias produtivas historicamente organizadas. “A Europa tem outra estrutura, outro nível de subsídio e logística diferente, o que dificulta competir em igualdade”, disse. Para ele, a tendência é de maior pressão sobre o valor pago ao produtor, principalmente em períodos de maior oferta de leite no mercado brasileiro.

Além do impacto direto sobre preços, o acordo Mercosul-UE também levanta preocupações quanto à adoção de novas exigências regulatórias. Segundo Eder, o tratado pode ampliar cobranças relacionadas à rastreabilidade, padrões ambientais e critérios de sustentabilidade. Embora reconheça a importância desses avanços, ele alertou que a adaptação exige investimentos que pesam mais para quem produz em menor escala. “Esse tipo de exigência demanda recursos e estrutura”, afirmou.

Apesar do cenário de incerteza, o dirigente avaliou que o acordo também expõe fragilidades históricas da cadeia leiteira brasileira. Para ele, o novo contexto pode acelerar discussões que já se mostram inevitáveis, como eficiência produtiva, redução de custos e melhor organização da produção. “Isso obriga o setor a discutir eficiência, redução de custos e organização da produção”, afirmou, ressaltando que parte desse movimento já ocorre em Mato Grosso do Sul.

O Estado integra a Aliança Láctea Sul Brasileira, um fórum público-privado que reúne Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. No âmbito estadual, participam das discussões entidades como o Silems (Sindicato das Indústrias de Laticínios), a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) e a Semadesc (Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação).

Entre as ações em curso está o fortalecimento da produção por meio do Proleite, programa que prevê investimentos em genética como estratégia para elevar produtividade e reduzir o custo por litro. A iniciativa inclui a entrega de conjuntos de animais aos produtores cadastrados, além da oferta de serviços de IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo) e prenhez por embrião.

Outro eixo destacado é o Extraleite, programa financeiro que está em fase de implantação. A proposta é oferecer apoio de curto prazo ao produtor, enquanto as ações estruturais avançam. Segundo a avaliação do setor, a iniciativa busca evitar a saída de produtores da atividade em um momento de maior pressão econômica.

Diante do acordo Mercosul-UE, a leitura predominante entre lideranças do setor é que a competitividade passa a ser um tema central e inadiável para a sustentabilidade da produção de leite no Estado e no país.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de MS NEWS

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