Os alimentos de origem animal têm sido alvo de ataques constantes no mundo desenvolvido.
Desde críticas de grupos ambientalistas, que os responsabilizam pelas mudanças climáticas, até recomendações médicas para reduzir seu consumo por questões de saúde.
Em alguns países da União Europeia e nos Estados Unidos, até mesmo setores governamentais sugeriram mudanças na dieta populacional.
No entanto, a realidade que se observa entre os consumidores segue na direção oposta, o que deveria servir de incentivo para pecuaristas do mundo inteiro.
O espanhol Juan Pascual, autor de “Razões para ser onívoro”, afirma que o melhor para a saúde é uma dieta variada que inclua produtos de origem animal. Ele também assegura que não há indícios de que os habitantes do mundo desenvolvido estejam abandonando a proteína da carne bovina.
Substitutos lácteos perdem força
As estatísticas mostram que, no Reino Unido, nos últimos 10 anos, o consumo de cereais caiu enquanto o de proteína animal no café da manhã aumentou.
Como resultado, a indústria de cereais enfrenta uma crise grave: uma grande fabricante planeja demitir 300 funcionários, enquanto outra propõe fechar uma de suas principais fábricas em Merseyside. No total, as 10 principais marcas de cereais do Reino Unido venderam 10,1 milhões de quilos a menos no último ano.
Por outro lado, um grupo de especialistas constatou que, em média, os substitutos lácteos analisados continham 60 vezes menos proteínas, 8 vezes menos cálcio e 50% mais sal por cada 100 g de produto.
Além disso, a composição de ácidos graxos desses produtos era menos favorável em comparação com um queijo semiduro convencional: apresentavam 50% mais ácidos graxos saturados, quase cinco vezes menos ácidos graxos monoinsaturados e apenas um terço dos ácidos graxos poli-insaturados por cada 100 g de produto, sem contar a presença de gorduras trans.
Indústria de substitutos enfrenta crise
Após um período inicial de grande entusiasmo, o valor de mercado das empresas que produzem substitutos da carne caiu drasticamente.
O mesmo acontece com as empresas que fabricam alternativas vegetais ao leite: muitas estão enfrentando fechamentos, demissões e desinvestimentos. “Infelizmente para os envolvidos, o produto simplesmente não vende”, resume Pascual.
Nos Estados Unidos, a primeira empresa a experimentar com carne artificial teve de reduzir sua equipe novamente. A demanda pelos produtos à base de vegetais é muito inferior à da carne tradicional, mesmo em situações extremas, como a iminência de um furacão.
Pascual cita uma foto icônica de um supermercado na Flórida, onde os consumidores esgotaram os estoques de carne bovina antes da chegada de um furacão, mas deixaram as opções vegetais praticamente intocadas.
A carne cultivada em laboratório também segue enfrentando dificuldades. Ainda não comercializada em grande escala, continua sendo uma promessa distante e tem recebido cada vez menos investimentos. Além disso, em diversos estados americanos, como Wyoming e Montana, sua venda foi proibida recentemente.
Preferência por alimentos tradicionais se mantém
O consumo de carne aumentou mais de 6% na Espanha, enquanto o de ovos cresceu quase 8% no último ano. Em países onde se esperava uma redução no consumo de carne, ocorre o contrário.
“A demanda oscila ao longo do tempo, mas é evidente que as alternativas vegetais não funcionaram como esperado: o mercado as rejeita, e muitas empresas estão fechando ou enfrentando dificuldades financeiras”, afirma Pascual.
Não se trata de falta de oferta. Produtos substitutos da carne são cada vez mais comuns em supermercados e restaurantes. Em 2019, uma pesquisa da Gallup revelou que metade dos americanos conhecia esses produtos e quatro em cada dez já os tinham experimentado.
No entanto, a taxa de vegetarianismo ou veganismo nos Estados Unidos continua baixa, indicando que esses produtos não conseguiram converter os consumidores a uma dieta sem carne.
O especialista espanhol enfatiza que é fundamental deixar de lado discursos ideológicos e se basear na ciência e nos dados concretos. “Cada um deve comer o que quiser, mas a densidade nutricional da carne, leite, ovos e peixes é inigualável.
Esses alimentos contêm nutrientes exclusivos, e a grande maioria do público segue preferindo consumi-los”.
Traduzido e adaptado para eDairyNews 🇧🇷