Aquisição no setor lácteo redefine o mapa industrial da Nova Zelândia após a venda do negócio de consumo da Fonterra para a Lactalis, em uma transação avaliada em US$ 4,2 bilhões.
O novo controlador anunciou cerca de US$ 100 milhões em investimentos adicionais, sinalizando integração operacional e expansão internacional.
O acordo está entre as maiores operações corporativas já realizadas no país e encerra um processo de 15 meses, conduzido em modelo duplo de avaliação estratégica. A operação recebeu forte apoio de acionistas e obteve autorizações regulatórias na Nova Zelândia e na Austrália. Aproximadamente US$ 3,2 bilhões dos recursos da venda serão devolvidos aos acionistas da cooperativa, alterando a alocação de capital no setor.
Do ponto de vista produtivo, a transação transfere 15 unidades industriais para a Lactalis, incluindo três na Nova Zelândia. A principal planta, localizada em Takanini, próxima a Auckland, processa mais de 200 milhões de litros de leite cru por ano. A unidade produz leite fresco e UHT, creme e iogurte, além de atuar como centro de distribuição, evidenciando a relevância logística do ativo.
A autorização do Overseas Investment Office destacou potenciais benefícios econômicos, como continuidade no fornecimento, ampliação do acesso a mercados internacionais e execução de investimentos planejados. As autoridades concluíram que o negócio não exigia avaliação por interesse nacional, pois não envolve investidor estatal estrangeiro nem infraestrutura considerada estratégica.
A Lactalis informou que pretende integrar as operações à sua rede global, buscando sinergias e ganhos de eficiência. A estratégia inclui reforçar a posição regional na Oceania, no Sudeste Asiático e no Oriente Médio. Para o mercado, a movimentação combina base produtiva consolidada com plataforma comercial internacional.
O processo de revisão também mencionou uma auditoria fiscal anterior envolvendo entidades do grupo na Europa, encerrada com acordo confidencial no fim de 2024. As autoridades avaliaram que o episódio não compromete a capacidade da empresa de investir na Nova Zelândia.
No plano político, as reações foram divididas. Parte da liderança destacou o retorno financeiro imediato aos produtores vinculados à cooperativa. Outros alertaram para possíveis efeitos estruturais no longo prazo, à medida que o controle de marcas e ativos de consumo passa a integrar uma estratégia multinacional. O que muda é o centro de decisão e a inserção desses ativos em um movimento mais amplo de consolidação global no setor lácteo.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de BusinessDesk






