Automatização na pecuária leiteira foi o tema central da primeira edição de 2026 do “Prosa no Agro”, iniciativa da Secretaria Municipal de Agricultura e Proteína Animal (Smap) de Toledo (PR).
O encontro reuniu produtores em uma visita técnica à Granja Risse e Engelmann, localizada no distrito de Concórdia do Oeste, para apresentar um modelo de ordenha quase totalmente robotizado.
Com um rebanho de 105 vacas, a propriedade é atualmente a única do município a operar com esse nível de tecnologia, instalada há cerca de um ano. As proprietárias Marlise Dietrich Risse e Jaqueline Risse conduziram a apresentação do sistema e detalharam as mudanças na rotina produtiva.
Segundo a diretora de Desenvolvimento Agropecuário e Abastecimento da Smap, Daliana Uemura, o objetivo foi aproximar os produtores de uma experiência prática de manejo. A proposta, afirmou, era permitir que observassem “como é feita a ordenha nesta granja” e avaliassem possíveis melhorias de produtividade. Ela acrescentou que a iniciativa considera não apenas a rentabilidade, mas também a qualidade de vida dos produtores.
Jaqueline relatou que a adoção da tecnologia alterou de forma significativa o dia a dia da família. Antes, a jornada começava às 4h15; hoje, inicia às 6h. As atividades passaram a se concentrar em cuidados específicos com os animais, enquanto a ordenha manual ocorre apenas quando o robô não consegue executar o procedimento.
O período inicial exigiu adaptação tanto das produtoras quanto do rebanho. “No início, essa tecnologia deu um certo trabalho para ser assimilada, sobretudo porque as vacas não aprendiam o que precisavam fazer”, recordou Jaqueline, observando que, após cerca de uma semana, o processo se normalizou.
Ela também destacou impactos na saúde ocupacional. Segundo a produtora, ela e a mãe sofriam com problemas nos braços provocados pelos movimentos repetitivos da ordenha tradicional. Com o novo sistema, relataram redução das dores crônicas e melhora na organização do trabalho. O equipamento envia notificações ao celular em caso de falhas, permite suporte remoto da empresa responsável e realiza automaticamente a ordenha e a higienização dos tetos, dos animais e do próprio sistema.
Durante a visita, os participantes esclareceram dúvidas com Cleverson Barp, representante da empresa desenvolvedora da tecnologia. Ele explicou que o equipamento utiliza porteiras inteligentes para controlar o acesso das vacas, autorizando apenas os animais aptos ao processo. O modelo guiado, segundo Barp, torna a operação mais rápida e organizada.
A empresa responde pela instalação e pela assistência técnica contínua. Por se tratar de um sistema eletrônico, falhas são identificadas automaticamente, o que muitas vezes permite a solução remota sem necessidade de deslocamento de técnicos.
Barp observou ainda que a tecnologia já é utilizada internacionalmente há anos e chegou ao Brasil há cerca de uma década, principalmente como resposta aos desafios de mão de obra enfrentados por propriedades familiares. Ressaltou, porém, que o equipamento não elimina todas as tarefas — a limpeza externa, por exemplo, segue manual.
Entre os principais ganhos apontados está a sanidade do rebanho. A possibilidade de até cinco ordenhas diárias reduz o tempo em que as vacas permanecem com o úbere cheio, contribuindo para a diminuição da mastite. Para operações leiteiras, experiências desse tipo indicam que a robotização tende a evoluir de diferencial tecnológico para ferramenta de gestão, especialmente em contextos de escassez de trabalhadores e busca por maior previsibilidade operacional.
Realizado em 28 de janeiro, o encontro contou com a presença do engenheiro agrônomo Gustavo Cecote Garcia e do zootecnista Diego Fernandes, do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), além de representantes técnicos da Smap.
Daliana destacou que o “Prosa no Agro” foi concebido para ampliar o diálogo entre o poder público e a cadeia produtiva. Após uma edição voltada à piscicultura, a secretaria já planeja novos eventos para discutir recursos hídricos e serviço de inspeção nos próximos meses.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Gazeta de Toledo






