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9 jan 2026
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O nascimento da bezerra Girolando confirma a abertura do mercado e leva genética brasileira ao coração da África 🐄
A chegada da bezerra Girolando sinaliza avanço produtivo, tecnológico e econômico na Nigéria 🇳🇬
A chegada da bezerra Girolando sinaliza avanço produtivo, tecnológico e econômico na Nigéria 🇳🇬

A bezerra Girolando nascida na Nigéria representa um marco concreto na internacionalização da genética bovina brasileira e sinaliza uma nova etapa para a pecuária leiteira do país africano.

O nascimento ocorreu no centro produtivo da Harmony Farms, no estado de Ogun, e é resultado direto da recente abertura do mercado nigeriano para a importação de embriões bovinos oriundos do Brasil.

Mais do que um feito pontual, a chegada da bezerra Girolando simboliza a consolidação de uma estratégia brasileira que amplia o conceito tradicional de exportação agropecuária. Além de alimentos, o país passou a exportar genética, biotecnologia e conhecimento técnico, transformando inovação em ativo de alto valor agregado no comércio internacional.

Desde o início de 2025, o Brasil está oficialmente autorizado a exportar embriões bovinos e bubalinos, tanto produzidos in vivo quanto in vitro, para a Nigéria. Os acordos sanitários firmados entre os dois países fazem parte da política de abertura de mercados conduzida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, com foco em posicionar o Brasil como fornecedor global de soluções produtivas para sistemas tropicais.

O material institucional que acompanha a iniciativa resume o movimento de forma objetiva: a abertura de mercado gera oportunidades que, agora, literalmente nascem fora do território brasileiro. A bezerra Girolando em solo nigeriano tornou-se a expressão prática dessa diretriz.

O animal integra um programa estruturado de melhoramento genético conduzido pela Silagreen International Agro Development Limited, empresa nigeriana especializada em biotecnologia agropecuária. O projeto aplica tecnologia brasileira de transferência de embriões com o objetivo de acelerar a formação de rebanhos leiteiros mais produtivos, resilientes e adaptados ao clima tropical africano.

Segundo o diretor-executivo da Silagreen, Michael Akinruli, o nascimento da bezerra marca um divisor de águas para o setor leiteiro local. Em sua avaliação, a iniciativa inaugura uma nova era de produtividade, com impacto direto sobre a renda dos produtores, a segurança econômica das famílias rurais e o desenvolvimento das comunidades agrícolas.

A escolha da base genética não foi casual. O Girolando, raça desenvolvida no Brasil a partir do cruzamento entre Holandês e Gir Leiteiro, é reconhecido internacionalmente pela combinação entre elevada produção de leite, tolerância ao calor e robustez sanitária. Essas características são consideradas essenciais para sistemas produtivos em regiões tropicais como a Nigéria, onde o estresse térmico e os desafios sanitários limitam o desempenho de raças europeias puras.

De acordo com Akinruli, a tecnologia de transferência de embriões permite encurtar drasticamente o tempo necessário para a formação de rebanhos de elite. Processos que antes demandariam décadas de seleção genética podem ser realizados em uma única geração, com ganhos expressivos de eficiência e retorno sobre o investimento.

As projeções da Silagreen indicam que os animais oriundos do programa apresentam potencial produtivo estimado entre 30 e 50 litros de leite por dia na maturidade, desempenho significativamente superior à média dos rebanhos locais. Além do aumento de produção, a genética adaptada tende a reduzir taxas de mortalidade, melhorar a sanidade e diminuir custos veterinários, ampliando a sustentabilidade econômica da atividade.

O avanço da genética bovina brasileira na Nigéria ocorre em um contexto de fortalecimento das relações comerciais bilaterais. Com mais de 223 milhões de habitantes, o país africano figura entre as maiores economias do continente e se consolida como mercado estratégico para o agronegócio do Brasil. Em 2025, as importações nigerianas de produtos agropecuários brasileiros superaram US$ 774 milhões, reforçando o potencial para negócios de maior valor agregado.

A exportação de embriões inaugura um novo patamar nessa relação, ao transferir capacidade produtiva e tecnologia diretamente para dentro do território nigeriano. Segundo a Silagreen, o projeto está apenas em sua fase inicial. Novos nascimentos gerados por transferência de embriões já são esperados até março de 2026, formando um núcleo planejado de animais de alto valor genético.

A empresa informou que articula parcerias com produtores rurais, governos estaduais, órgãos federais e instituições financeiras para viabilizar a expansão do programa em escala nacional. A proposta inclui modelos de financiamento, políticas de apoio e marcos regulatórios que facilitem a adoção ampla da tecnologia.

Para o presidente do conselho da Silagreen, Dr. Amos Ayodele, a iniciativa está alinhada aos objetivos nacionais de segurança alimentar e redução da dependência de importações de leite. Em sua avaliação, o programa oferece um caminho baseado em ciência e inovação para fortalecer a produção local, gerar empregos ao longo da cadeia e promover transferência de tecnologia.

O nascimento da primeira bezerra Girolando na Nigéria consolida o protagonismo do Brasil em genética bovina tropical e aponta para uma transformação estrutural da pecuária leiteira africana, com produtividade, eficiência e autonomia alimentar no centro da estratégia.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de CompreRural

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