RS tem hoje um rebanho estimado em 50 mil bubalinos.

Na zona rural da Região Metropolitana de Porto Alegre é cada vez mais comum encontrar animais negros, de longos chifres e que podem pesar mais de uma tonelada. Ao se aproximar, o impressão pode ser a de se estar numa savana africana, em que imponentes e violentos búfalos, com capacidade de enfrentar leões, bebericam água, sob o calor. Mas o animal avança na direção do humano que o observa, oferecendo a cabeça para pedir carinho. “Ele busca contato, parecido com um cachorro”, diz Guilherme Giambastiani, segundo tesoureiro e gestor do programa Búfalo Gaúcho da Associação Sulina de Criadores de Búfalos (Ascribu).

A entidade reúne criadores de búfalos domésticos (Bubalus bubalis), espécie de origem asiática e parente distante do búfalo africano (Syncerus caffer). “Às vezes quem não está acostumado acha que é um animal agressivo, mas muitas vezes é por um problema de manejo da propriedade. Quando tu crias o búfalo com o manejo adequado, ele vira um animal extremamente dócil”, acrescenta Giambastiani.

“Quem conhece se apaixona”, comenta a presidente da Ascribu, Desireé Hastenpflug Möller. Essa amabilidade dos animais é apenas um dos atributos que têm atraído novos produtores para a atividade, especialmente em criatórios ao redor da Capital. De acordo com Giambastiani, só em Viamão o número de produtores aumentou de 34 para 37 em 2022.

O crescimento da atividade na região foi notado pela Emater/RS-Ascar, o que levou a entidade a se reunir para conversar sobre as demandas dos produtores, pela primeira vez, em dezembro de 2022. Um dos assistentes técnicos da Emater envolvidos com a atividade é o agrônomo Gladimir Souza. Ele afirma que o objetivo desse primeiro movimento é pensar em ações para incentivar o aumento da criação de búfalos no Estado. Pelo potencial aferido na região metropolitana, Viamão e cidades vizinhas vão ser o foco das atividades. “Viamão é o município com o maior número de pequenos criadores, a presidente da Ascribu mora em Viamão e a gente vê que está aumentando o número de animais”, diz Souza.

A Emater vai desenvolver um planejamento para essas ações em janeiro. De acordo com Souza, a prioridade neste início é fazer com que os produtores conheçam a atividade, com reuniões dentro das comunidades e, possivelmente, dias de campo, pois um dos empecilhos para o desenvolvimento da criação é a falta de conhecimento dos produtores, que muitas vezes acreditam que o animal é violento e difícil de lidar.

Mas a iniciativa dos produtores já mostra que o cenário está mudando. Em janeiro de 2023, um laticínio no bairro Lomba Grande, em Novo Hamburgo, vai começar a processar leite de búfala. Até então o Rio Grande do Sul centralizava sua produção de derivados em apenas um estabelecimento, em Glorinha. Por ser menor, novo laticínio tem o diferencial de atender melhor os pequenos produtores que vêm se interessando pela atividade.

Conhecendo a espécie

 Foto: Guilherme Almeida / CP.

No Rio Grande do Sul há cerca de 50 mil cabeças de búfalos. No Brasil, a maior parte do rebanho está localizada na Região Norte, especialmente na ilha de Marajó, no Pará, estado onde são criados 80% dos animais. A presidente da Ascribu, Desireé Möller, destaca que, além da docilidade que vem sendo comprovada pelos produtores, os búfalos têm características diferenciadas de fertilidade, produtividade e longevidade. Bem comportada e com o hábito de andar sempre em grupos, a espécie facilita a vida do produtor. “Então tu consegue tocar 50, 60 búfalos, sozinho”, afirma Giambatini, que ainda acrescenta: “Não tem na pecuária um sistema tão fácil de manejo”.

Desireé conta que a criação dos bubalinos começou no Rio Grande do Sul na década de 1970 e foi aumentando gradativamente ao longo dos últimos 50 anos. “O problema do búfalo é que as pessoas não conhecem o manejo, então eles associam ao búfalo africano e acham que é um animal selvagem”, comenta. A dirigente ressalta que a comparação não se justifica e lembra da similaridade com as espécies de felinos, como o tigre e o gato, um selvagem e outro doméstico.

Mesmo com uma criação brasileira que se desenvolveu majoritariamente no Norte do país, o animal não teve problemas em se adaptar à Região Sul, graças a sua grande amplitude térmica de conforto, como elucida a zootecnista Vitória Di Domenico, com pesquisa de mestrado voltada para os búfalos. “Eles se incomodam mais com o calor do que com o frio que faz aqui, em relação ao Pará”, observa. Segundo ela, nos períodos quentes os animais costumam passar mais tempo dentro da água, chegando a mergulhar nos açudes disponíveis. “Tendo um local de abrigo no inverno e, durante o verão, água fresca e limpa para beber, água de imersão ou pelo menos sombra, eles se adaptam muito bem ao clima”, confirma.

Há quatro raças de búfalos encontradas no Brasil: Mediterrânea, Murrah, Jafarabadi e Carabao. Todas elas são de dupla aptidão, ou seja, podem ser criadas tanto para produção de leite quanto de carne. No Rio Grande do Sul, as raças predominantes são Mediterrânea e Murrah, mas a maior parte do rebanho gaúcho é composta por animais mestiços. Vitória destaca que é possível conciliar as duas aptidões, criando dentro do sistema leiteiro animais que irão para o abate e, nos sistemas de corte, vacas leiteiras.

Caminhos para fomentar a produção de leite

A partir deste mês, o Rio Grande do Sul passa a ter seu segundo laticínio com produção de queijo de búfala, no bairro Lomba Grande, em Novo Hamburgo, o qual vai iniciar também a fabricação de iogurtes

Em janeiro, a Laticínios Sítio Amigos da Terra, de Lomba Grande, distrito de Novo Hamburgo, vai ser a segunda empresa do Estado a produzir queijos e a primeira a produzir iogurte de leite de búfala, depois de fechar parceria com pequenos produtores da região. A conversa para iniciar a produção de laticínios de búfala começou há quase um ano, como relata a sócia administradora da empresa Denise Barbaro Da Rosa. Até o momento, a Amigos da Terra trabalha apenas com o leite de vaca orgânico e, há três meses, começou testes com o leite de búfala. De acordo com Denise, a empresa pretende processar o leite de búfala desnatado, semidesnatado, integral e fluido; iogurte integral, de morango e de amora; queijo minas frescal; e doce de leite. “São produtos que já testamos e ficaram muito bons”, afirma. Ainda não foi definido o volume inicial de produção do laticínio, mas a empreendedora garante que a agroindústria tem capacidade de processar até 500 litros por dia, assim não teriam problemas em sustentar a produção.

Com os produtos testados, a cooperativa está, agora, no processo de desenvolvimento dos rótulos e, em seguida, registro dos produtos, que então vão estar prontos para a comercialização. A ideia é começar esse comércio dos produtos na Amigos da Terra Casa Natural, loja da própria empresa, localizada em Lomba Grande. “E, sobrando produtos, a ideia é vender em outras casas naturais e mercados pequenos”, acrescenta Denise, satisfeita com a parceria com o setor produtivo. “Foi bom para nós porque a gente estava com o nosso laticínio com uma capacidade de produção maior do que a gente tem, então é a maneira de ocupar o nosso espaço”, diz.

As negociações foram encabeçadas pelo produtor Guilherme Aydos, de Gravataí. De acordo com ele, a empresa foi escolhida por estar próxima à propriedade e ser um estabelecimento pequeno. O produtor menciona que na região há muitos pequenos produtores, assim um laticínio menor pode se adaptar mais facilmente, além de ser logisticamente mais acessível, pois dispensa a necessidade de caminhões e resfriadores, por exemplo. Além disso, Aydos identifica-se com o perfil da empresa, preocupada com a produção de orgânicos e sustentável. “A gente tem toda uma questão de bem-estar animal, preservação ambiental, adubação orgânica, então são coisas que já estavam no perfil”, comenta o produtor. A cooperativa vai processar leite não orgânico no momento, enquanto a propriedade está em fase de transição para o modelo produtivo orgânico.

 Foto: Guilherme Almeida / CP.

Mais tradicional e pioneira no Estado, a Laticínios Kronhardt, de Glorinha, produz queijos de búfala há 20 anos, com o início da popularização do consumo no Brasil, em especial em São Paulo. O laticínio já produzia derivados de leite de vaca bovina e, por produzir produtos diferenciados, foi escolhido por um grupo de criadores para começar a produção no Estado, encabeçada pelo queijeiro do laticínio Roque Giordani, como afirma o sócio proprietário da empresa Filipe Signori. Na Kronhardt, dois dias da semana são exclusivos para a produção de queijo de búfala e, nos outros três, há produção de queijos de leite bovino.

O laticínio tem parcerias principalmente na grande Porto Alegre. “Temos um grande parceiro, que nos apoiou desde o início, que é o Zaffari, e trabalhamos com pizzarias, cantinas de massas e outros restaurantes”, diz Signori. Os queijos que o laticínio produz são a burrata gaúcha, bolinha tamanho cereja, bolinha média, mussarela em barra e mussarela em pedaços.

Signori afirma que os produtos têm se popularizado, mas ainda não são muito conhecidos, uma vez que seu consumo no Brasil é recente. “Tem entre 25 e 30 anos (que o produto é consumido) no Brasil, então o consumidor ainda esta experimentando, muitos não conhecem”, afirma. Para ele, as pessoas estão conhecendo os benefícios dos produtos de leite de búfala, entre eles um menor teor de colesterol, digestão mais fácil e sabor mais suave. Ele também relata que a produção do laticínio aumentou nos últimos anos, com criadores ampliando sua produção. “Os produtores de leite conseguiram se remunerar bem, então eles tendem a produzir mais”, explica. Segundo ele, o laticínio produz em média, por semana, 1,5 mil quilos de queijo de búfala, entre eles uma novidade para o mercado: a burrata gaúcha, produzida na Kronhardt a partir de 2022, quando foi lançada na Expointer. A burrata, que consiste em um queijo com massa cilada por fora e recheio de creme, tem recebido elogios e boa aceitação do público, de acordo com Signori.

Uma das vantagens para os laticínios que trabalham com o leite de búfala é o seu rendimento. Com mais gorduras, proteínas e sólidos totais que o leite bovino, cinco litros de leite de búfala são suficientes para produzir um quilo de queijo colonial. Para fazer o mesmo com leite de vaca, são necessários 10 litros, de acordo com a zootecnista Vitória Di Domenico. “Apesar de a búfala produzir menos leite que a vaca bovina, a gente vai ter um rendimento muito elevado para essa produção”, comenta.

Não só para o leite, mas também para a carne, há um movimento de abertura para novos clientes. “Esse ano a gente conseguiu colocar produtos de búfalo em vários mercados que até então não tinham”, diz a presidente da Associação Sulina de Criadores de Búfalos (Ascribu), Desireé Hastenpflug Möller. Conforme a dirigente, já há quatro mercados em Porto Alegre que disponibilizam esses produtos.

Comércio da carne esbarra nos hábitos de consumo dos gaúchos

Com capacidade para processar 500 litros de leite por dia, meta que não estava atingindo com a produção de derivados de leite de vaca, Denise, da agroindústria Amigos da Terra (na foto com o irmão), decidiu acabar com a ociosidade acrescentando o leite de búfala | Foto: Denise Barbaro da Rosa / Divulgação / CP.

A principal finalidade das criações de bubalinos no Rio Grande do Sul é a produção de carne. Com idade de abate entre 16 e 20 meses e peso de cerca de 400 quilos, os animais têm uma carne com 55% menos calorias que a carne bovina, menos 40% de colesterol, 11% mais proteína e 11% mais minerais. “A carne é extremamente suculenta e bem acabada e ainda é uma alimentação saudável”, diz o 2º tesoureiro da Ascribu, Guilherme Giambastiani.

A presidente da Ascribu, Desireé Möller, tirou proveito dessas características. Ela fala que criou bovinos por quatro anos e não teve retorno financeiro, o que mudou quando substituiu todo o seu rebanho por búfalos. “Em quatro anos de búfalo já paguei o investimento e já deu lucro”, comenta.

Mesmo com essas vantagens, uma das dificuldades para o crescimento do rebanho de búfalos no Estado é a resistência dos gaúchos em provar produtos novos, já consolidados em outros mercados brasileiros, como o de São Paulo. Mas, Desireé afirma que ainda há uma produção menor do que a demanda gaúcha, concentrada principalmente na população da classe A. Para a dirigente ainda há mais facilidade de aceitação para o leite e derivados do que para a carne. “A carne é um pouquinho complicado. O pessoal tem preconceito porque acha que é carne de caça, é uma carne escura”, explica. Mas ela diz que oportunidades de degustação e exposição do produto, como a Expointer, ajudam a quebrar essas barreiras.

No Rio Grande do Sul, 30 frigoríficos abatem búfalos. De acordo com Desireé, no geral essas carnes não são vendidas como “carne de búfalo”, mas sim como “proteína vermelha”. “Então o pessoal come carne de búfalo sem saber”, explica. Também é pago cerca de R$ 1,00 a menos pelo quilo vivo do búfalo que pelo quilo do boi, enquanto na gôndola a carne é vendida pelo mesmo preço do bovino.

“Precisamos achar o nosso público, porque a gente é um nicho de mercado, nós somos 0,4% do rebanho gaúcho, então a gente tem que posicionar esse produto com características nutricionais excelentes para o público que pensa numa pecuária sustentável e em alimentação saudável, esse é o nosso desafio e foco para 2023”, relata Giambastiani. “Hoje 98% dos açougues e mercados no Estado vendem a carne de búfalo como carne de bovino”, afirma lembrando que isso prejudica a atividade, porque coloca um produto de nicho na “vala comum”.

Vida fértil longa garante até 20 crias por animal

 Aydos, produtor de Gravataí e dono do búfalo grande campeão da raça Murrah na última Expointer, o Jair da Herdade, pretende elevar sua produção leiteira a pelo menos 150 litros por dia, coletados depois de as búfalas amamentarem as suas crias durante todo o dia | Foto: Guilherme Almeida / CP.

Criador de Gravataí realça as qualidades dos búfalos e, em especial, das fêmeas, com produção de terneiros duas vezes maior que a das vacas bovinas e produtividade garantida quase que essencialmente a pasto

Guilherme Aydos, da Cabanha da Herdade, em Gravataí, cria búfalos desde 2007. Em 2019 fez uma pausa na produção e agora está voltando a produzir leite e genética de matrizes leiteiras e touros. Neste recomeço, sua ordenha é de 40 litros por dia, de seis búfalas. Mas, quando todas as suas matrizes estiverem em lactação, a produção da propriedade deve chegar a 150 litros por dia. “É importante dizer que isso é só o leite de uma ordenha, o restante fica todo para o terneiro”, ressalta Aydos. Na propriedade, todas as vacas amamentam seus terneiros durante o dia, até o anoitecer, quando o filhote é preso para que o leite produzido durante a noite seja coletado para consumo humano.

Dos 26 hectares de Aydos, 12 são destinados à criação dos búfalos. Nesse espaço, trabalha-se com piquetes rotacionados, modelo em que os animais passam cada dia em um piquete diferente, o que faz com que o campo não sofra tantos danos por pisoteamento do pasto e com que os animais comam tanto o pasto de melhor qualidade quanto o de pior qualidade (ao final do dia). “É uma forma de aproveitar melhor a pastagem”, resume o produtor, que tem na cabanha 60 piquetes, de 0,2 hectare cada. Ao todo, Aydos tem 20 matrizes e um touro, além de 15 animais que vão para exposições e feiras.

O criador relata que seu objetivo é ter uma rentabilidade equivalente ou maior que a atingida com a criação de bovinos leiteiros. “O búfalo é uma alternativa para o produtor que procura um baixo custo”, afirma. De acordo com ele, esse custo é menor porque o animal aproveita melhor a fibra das pastagens, pois tem um tempo de ruminação maior. “O que é importante é que a búfala a gente vai poder nutrir com mais pasto, ela não tem tanto essa dependência de concentrado”, acrescenta. Aydos também destaca a longevidade do animal. “A búfala é muito mais longeva, ela pode tranquilamente parir 20 terneiros, ou até mais”, comenta. Se for criada em tambo de leite, o número cai para 10 terneiros. “Uma búfala com cinco anos de tambo está na metade da vida útil dela, enquanto uma vaca precisa ser trocada a cada cinco anos”, acrescenta. Ele explica que essa longevidade se dá, em parte, pela resistência dos dentes dos bubalinos, o que os faz se alimentar bem por mais tempo.

A raça criada por Aydos é a Murrah, escolhida por seu tamanho. “O Murrah é o menor dos búfalos e, para a pequena propriedade, a eficiência de produção é maior com um animal mais compacto, porque uma búfala de 600 quilos e uma de uma tonelada vão dar um terneiro por ano, só que a de uma tonelada vai comer mais”, calcula. O chifre da Murrah também é menor, o que para Aydos é uma vantagem por machucar menos os outros animais e causar menos disputa por espaço no cocho. Foi com essa raça que a Cabanha da Herdade participou da Expointer de 2022, para onde levou o touro Jair, sagrado grande campeão. Para Aydos, os bons atributos do touro se devem em parte à sua criação junto à mãe. “O Jair da Herdade era filho de uma búfala leiteira e ele competiu com animais de produção de carne”, menciona. “A gente quer que a vaca tenha um vínculo com o terneiro para justamente eu poder usar o terneiro como uma ferramenta para amansar ela e porque o terneiro faz parte do processo, ele vai mamar o leite da tarde sempre”, diz Aydos.

Com sua práticas de manejo, o criador evidencia sua opinião de que para mostrar o real potencial dos bubalinos é preciso tratá-los com as mesmas condições dadas aos bovinos. Por ser um animal considerado rústico, “muitas vezes ele tem um desempenho não tão bom, mas sempre em condições piores que os bovinos”, diz Aydos. Por isso o produtor tem excepcional cuidado na criação, principalmente por fazer uma seleção de matrizes voltadas para a produção de leite, que é pouco presente no Rio Grande do Sul.

Em seus esforços por uma produção exemplar, Aydos observa que as maiores dificuldades ainda são a busca por mercado consumidor e organização da cadeia produtiva. “É importante ter as coisas descentralizadas e o engajamento do pequeno produtor. O búfalo por muito tempo ficou uma atividade de grandes produtores”, relata. Ele também menciona o desafio de atrair mais criadores. “Todo ano estamos crescendo em número de produtores, não necessariamente de cabeças, o que é interessante, porque vai pulverizando e capilarizando a produção”, considera.

De acordo com Aydos, outra diferença entre criadores de bovinos e bubalinos é que os últimos precisam se preocupar mais com o mercado. “O produtor não pode ser alienado, pensar que vai produzir da porteira para dentro e o mercado vai vir comprar, ele tem que saber que ele tem que buscar alternativas, conversar com outros produtores, ver qual é o jeito certo de fazer”, reflete.

A criação de bubalinos é favorável, ainda, para aqueles que querem manter uma produção orgânica. “Quando tu tens o orgânico tu não vais poder usar certos químicos e remédios que normalmente se usa muito, e com o búfalo não precisa”, relata o produtor. “Eu não sei o que é dar remédio para uma búfala, a gente não tem doenças, o que eu tenho que fazer é a vermifugação dos terneiros, que é o que ainda pode ter algum problema de verminose”, complementa.

Resistência ao carrapato é vantagem no bubalino

 Parição de terneiros na água é uma das poucas precauções que o produtor tem de tomar em relação ao manejo das criações | Foto: Guilherme Almeida / CP.

Animais apresentam baixo custo com uso de medicamentos e são considerados verdadeiras “roçadeiras” das pastagens, onde limpam e melhoram o campo em que estão alojados, afirmam os produtores

Guilherme Giambastiani, de Viamão, começou a criar búfalos em 2011, quando um amigo queria se desfazer de 24 animais. O campo de sua propriedade era na beira de uma lagoa, com terra fraca em matéria orgânica. Nela encontrava-se dificuldades para manejo de bovinos. “E para a minha surpresa os animais começaram a se desenvolver bem, as novilhas entraram em período de produção”. Logo em seguida ele conseguiu multiplicar a produção. “No primeiro ano eu já tive dez terneiras, então aquilo me motivou muito”, relata. Ele diz que os animais limparam e melhoraram o campo: comeram gravata, alecrim e rabo de burro. “Ele é literalmente uma roçadeira, vai limpando tudo o que tem”, brinca Giambastiani.

Segundo ele, é possível sustentar o mesmo rebanho por 20 anos, com 90% de prenhez. “Isso é muito difícil tu conseguir num rebanho bovino”, afirma. Também é mais difícil haver casos de bicheiras de umbigo nos terneiros ou carrapatos, além de mais facilidade no manejo cotidiano. “O búfalo é um animal que respeita demais a cerca elétrica, então isso vai baixar muito o custo com a manutenção”, diz.

Em relação ao manejo, a criação de bubalinos não difere muito da de bovinos. “Sanidade é igual à dos bovinos, não muda nada: vacina tudo igual, manejo tudo igual, a única diferença é que os búfalos são mais resistentes a tudo”, diz o criador da Cabanha da Herdade, de Gravataí, Guilherme Aydos. Segundo ele, mesmo com a semelhança no manejo, é preciso atentar-se a algumas peculiaridades dos bubalinos. A primeira questão, segundo ele, é que não se pode aplicar organofosforados, presentes no produto conhecido como Pour on, usado sobre o lombo do animal para prevenir o aparecimento de ectoparasitas. “A búfala tem um couro mais vascularizado e se a gente coloca um produto à base de organofosforado ela vai se intoxicar”, explica Aydos.

Além disso, os búfalos também se intoxicam ao ingerir a monoensina, antibiótico ionóforo presente em determinadas rações para bovinos com a finalidade de regular a alimentação e evitar eventuais acidoses. A substância pode levar à morte dos bubalinos. “Não se pode dar ração à base de monoensina de jeito nenhum, o que é um erro muito comum”, enfatiza o produtor. A terceira diferença em comparação aos bovinos é uma maior ligação dos bubalinos com a água, o que exige que o produtor fique atento ao risco de afogamento de terneiros recém nascidos. “Como ela gosta muito de água, tem que tomar cuidado com a parição em água”, diz Aydos. “Como a água é um refúgio para ela, se ela sente o desconforto do parto pode ser que ela vá para a água”, acrescenta.

Segundo a zootecnista Vitória Di Domenico, na mesma condição nutricional fornecida geralmente aos bovinos, os bubalinos têm desempenho que se destaca, porque aproveitam melhor as fibras do alimento. Também são pouco acometidos por carrapatos e outros parasitas, em razão do couro mais grosso e do hábito de deitar na lama, e por doenças metabólicas. “São poucos gastos com medicamentos e carrapaticidas”, conclui Vitória, que aponta, entretanto, eventuais infestações por piolhos. “O piolho é um parasita característico do búfalo, é um piolho específico do animal, mas ele pode ser facilmente exterminado com a própria ivermectina”, diz Aydos, que, em sua propriedade, deu um fim ao problema passando na pele do animal o óleo de neem, fitoterápico que é, inclusive, uma alternativa para produções orgânicas.

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Claro que nem preciso contar que por trás dessa agenda tem um nome bem conhecido, cujas aplicações renderão, com toda certeza, rios de dinheiro para o onipotente investidor da agenda da Organização das Nações Unidas, ONU – Bill Gates.  O que tem de bom aí para nós? Provavelmente nada, e muito embora a abordagem seja “vendida” como sustentável e boa para o planeta, temo que para nós, humanos, não seja assim tão maravilhoso o caminho trilhado.

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