A pegada de carbono da pecuária leiteira brasileira é menos da metade da média mundial, segundo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo e da Embrapa Gado de Leite, com apoio da Cargill.
O indicador foi estimado em 1,19 quilo de dióxido de carbono equivalente por quilo de leite produzido, enquanto a média global chega a 2,5 quilos.
O levantamento avaliou 28 fazendas distribuídas em sete Estados, reunindo 24,3 mil animais e uma produção anual de 162,1 milhões de litros, o equivalente a 0,45% do volume nacional. Para permitir comparações internacionais, os cálculos utilizaram o leite corrigido para gordura e proteína.
A principal variável associada ao menor nível de emissões é a produtividade das vacas. Quanto maior o volume produzido por animal, menor a emissão por litro entregue. Propriedades com produção diária superior a 25 litros por vaca registraram pegada média de 900 gramas de carbono equivalente por quilo de leite, cerca de 25% abaixo da média brasileira.
Na avaliação dos pesquisadores, eficiência operacional se traduz diretamente em sustentabilidade. Fazendas mais produtivas demandam menos recursos naturais e reduzem emissões relativas, enquanto sistemas menos eficientes tendem a ampliar o impacto ambiental por unidade produzida.
O estudo também identificou diferenças relevantes entre biomas. O Pampa apresentou a menor pegada do país, com média de 0,99 quilo de carbono equivalente por quilo de leite. Na sequência aparecem o Cerrado, com 1,12 quilo, a Mata Atlântica, com 1,19, e a Caatinga, com 1,5 quilo.
A mensuração considerou toda a cadeia produtiva por meio da Análise de Ciclo de Vida, incluindo desde a produção de grãos para ração até o descarte do produto. Entre as fontes de emissão, a fermentação entérica respondeu por 47% do total. A produção externa de alimentos para o rebanho representou 36,8%, enquanto o manejo de dejetos somou 8,1%.
Para especialistas envolvidos no estudo, medir com precisão as emissões permite orientar decisões baseadas em ciência, com potencial de elevar a eficiência, reduzir a pegada ambiental e fortalecer a competitividade do setor frente a compromissos de mitigação.
O avanço dos indicadores depende de uma abordagem integrada que combine nutrição, sanidade, ambiência e reprodução animal. O setor já dispõe de ferramentas de modelagem nutricional capazes de formular dietas específicas para reduzir a geração de metano entérico.
Estratégias de micronutrição também são apontadas como fator de melhora no status sanitário dos animais, com reflexos na produtividade, no bem-estar e, consequentemente, na redução das emissões por litro produzido. Para tomadores de decisão, os dados reforçam a eficiência como eixo central da agenda climática do leite brasileiro.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Globo Rural






