Celulose Microcristalina tornou-se um componente estratégico para a estabilidade de bebidas proteicas Ready-to-Drink no Brasil, categoria que cresce impulsionada pela busca por conveniência e pela chamada “shaketização” da dieta fitness.
O avanço do segmento trouxe um desafio técnico relevante: manter altas concentrações de proteína em suspensão por até seis meses sem comprometer textura ou sabor.
O processamento UHT submete as bebidas a temperaturas entre 135°C e 150°C por poucos segundos, condição que provoca desnaturação das proteínas e aumenta a tendência de agregação e precipitação. Sem um sistema estabilizante eficiente, o produto poderia apresentar separação visível, com fase líquida na parte superior e sedimentos de proteína e minerais no fundo da embalagem.
Nesse contexto, a Celulose Microcristalina, identificada como INS 460i, atua por meio de um mecanismo físico distinto das gomas solúveis. Em vez de apenas elevar a viscosidade do líquido, suas micropartículas insolúveis formam uma rede tridimensional que se espalha pela bebida após dispersão sob alto cisalhamento.
Essa estrutura funciona como uma armadilha física para partículas mais densas, incluindo cacau, carbonato de cálcio e micelas de proteína. O resultado é um sistema que permanece estável em repouso, mas flui facilmente quando agitado ou consumido, característica tixotrópica que contribui para a sensação cremosa associada a produtos lácteos.
Na prática industrial, a Celulose Microcristalina raramente atua sozinha. O padrão mais adotado é a combinação com Carboximetilcelulose. Como polímero solúvel e carregado negativamente, a CMC age como agente dispersante e colóide protetor, evitando a aglomeração das micropartículas e garantindo uniformidade da rede estabilizante.
Dados técnicos de fornecedores globais como IFF e Ashland indicam que essa combinação apresenta maior resiliência para bebidas expostas a variações de temperatura durante a logística brasileira, fator crítico para produtos de longa vida.
O mercado global de Celulose Microcristalina deve crescer cerca de 5% ao ano até 2030, segundo a Grand View Research, movimento diretamente associado à expansão de alimentos processados e bebidas funcionais. No Brasil, o avanço do plant-based intensificou essa demanda, já que proteínas de ervilha e arroz apresentam perfis de solubilidade mais complexos que o whey e exigem dosagens mais precisas de estabilizantes.
Embora a pressão por clean label leve fabricantes a reduzir aditivos, a Celulose Microcristalina permanece relevante por ser considerada segura, inerte e tecnicamente difícil de substituir em formulações de alta performance. Para a indústria, trata-se de um elemento que viabiliza o equilíbrio entre valor nutricional, estabilidade e experiência sensorial.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Portal A|I






