Aumento dos custos de produção e escassez de matéria-prima fez com que as indústrias de lácteos acrescentassem soro de leite e outros ingredientes em seus produtos. As misturas e os compostos se proliferam.
composto
“A pessoa compra um produto que parece leite, achando que está ingerindo uma determinada quantidade de proteínas e/ou vitaminas, mas, na verdade não está. Naquele produto tem mais gorduras e carboidratos do que qualquer outra coisa”.

De uns tempos pra cá, surgiram nas prateleiras dos supermercados produtos lácteos com a denominação de ‘mistura láctea’ ou ‘composto lácteo’. De acordo com especialistas, houve um aumento na oferta de opções que substituem parte do leite por ingredientes, como o soro de leite, o amido, o açúcar, a gordura vegetal e os aditivos químicos, como conservantes e aromatizantes.

O creme de leite agora tem sua versão “mistura de creme de leite”; o queijo ralado ganhou um irmão ‘bastardo’ chamado “mistura alimentícia com queijo ralado” e o doce de leite, por sua vez, foi substituído pelo “doce de soro de leite sabor doce de leite”.

 

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Nova versão do doce de leite é regulamentada pelo Mapa. Divulgação Áurea

 

E aí? “Do ponto de vista nutricional, isso é ruim”, alerta a professora e nutricionista Christiane Horácio. “A pessoa compra um produto que parece leite, achando que está ingerindo uma determinada quantidade de proteínas e/ou vitaminas, mas, na verdade não está. Naquele produto tem mais gorduras e carboidratos do que qualquer outra coisa”, disse.

Venda é regulamentada

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Leite condensado também tem sua versão alternativa. Divulgação Nestlé
 

Importante dizer que a venda dessas opções é regulamentada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O problema é que vários desses alimentos lácteos “alternativos” têm uma embalagem muito similar à original, mesmo rótulo, cores e etc. Se a pessoa não estiver atenta, pode mesmo levar ‘gato por lebre’.

O que está por trás do fenômeno? 💸

Do ponto de vista da produção leiteira, a pesquisadora Kennya Beatriz Siqueira, da Embrapa Gado de Leite, com sede em Juiz de Fora, explica que essas novidades estão relacionadas à escassez de matéria-prima no mercado. Ela explica que toda a cadeia sofreu com o aumento dos preços: os custos da ração que alimenta as vacas, da energia elétrica que mantém o funcionamento dos currais e do próprio combustível que transporta esse alimento.

“Muitos produtores se desfizeram de parte do rebanho e venderam as vacas menos produtivas para os abatedouros.” Isso, por sua vez, significa que há menos leite saindo das fazendas brasileiras.

Composto que sobra do queijo 🧀

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Observe sempre a descrição do rótulo: na parte frontal, inferior das embalagens. Divulgação Nestlé
 

Com menos matéria-prima no mercado, a estratégia da indústria foi substituir parte do leite que ia nas formulações originais dos produtos por soro do leite. Esse é um composto que “sobra” durante a fabricação de queijos. Para se ter uma ideia, a produção de um quilo de queijo gera cerca de oito litros de soro. Até pouco tempo, esse ingrediente era jogado fora.

“Essencialmente, ele é composto de água, com um teor menor de proteínas e carboidratos”, alerta Christiane.

Para garantir que o produto “alternativo” fique mais parecido com o original, as empresas acrescentam em leites condensados, requeijões e bebidas lácteas no geral alguns ingredientes complementares, que dão consistência e sabor, como o amido, a gordura vegetal e o açúcar.

Cuidado com os corantes, emulsificantes, adoçantes

Além da menor qualidade nutricional de alguns desses lácteos “alternativos”, é preciso prestar atenção na adição dos compostos que terminam com “ante”, como os corantes, os emulsificantes, os adoçantes… Eles tornam o alimento palatável, mas fazem com que muitos desses novos lácteos se encaixem na categoria de ultraprocessados.

Na lista de ingredientes de uma mistura alimentícia de queijo ralado, por exemplo, é possível saber se ele contém amido de milho e/ou amido de mandioca, ricota em pó, queijos ralados, soro de leite em pó, creme de leite, acidulante ácido cítrico, antioxidante lecitina, conservantes sorbato de potássio e ácido sórbico, aroma idêntico ao natural de queijo parmesão e corante artificial amarelo.

De acordo com o Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado pelo Ministério da Saúde em 2014, o consumo de alimentos ultraprocessados deve ser evitado.

“Devido a seus ingredientes, alimentos ultraprocessados — como biscoitos recheados, salgadinhos ‘de pacote’, refrigerantes e macarrão ‘instantâneo’ — são nutricionalmente desbalanceados. Por conta de sua formulação e apresentação, tendem a ser consumidos em excesso e a substituir alimentos in natura ou minimamente processados.

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Atenção aos rótulos sempre para não levar ‘gato por lebre’. Divulgação Becel
 

O que fazer?

  • Fiquem atentos ao nome técnico de cada produto, que costuma aparecer em letras menores na parte inferior frontal do rótulo — é ali que você vai saber se está diante de um creme de leite ou de uma mistura de creme de leite, por exemplo.
  • Mesmo dentro das “misturas lácteas”, é possível procurar opções mais saudáveis. Algumas só trazem soro de leite e amido, enquanto outras têm o acréscimo de açúcar e aditivos químicos. Prefira a primeira opção.
  • Observe a lista de ingredientes que aparece na parte traseira da embalagem. Se itens como “xarope de glicose”, “açúcar” ou “gordura vegetal” aparecerem logo de cara, ligue o sinal de alerta.
  • Outra dica importante: se a palavra ‘sabor’ está no rótulo, isso significa que há a adição de aromatizantes para reforçar o paladar, como é o caso de opções como o ‘pó para preparo de bebida sabor leite’ ou a ‘bebida láctea sabor morango”.

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Embora o vírus até agora não tenha mostrado nenhuma evidência genética de adquirir a capacidade de se espalhar de pessoa para pessoa, as autoridades de saúde pública estão monitorando de perto a situação da vaca leiteira como parte dos esforços gerais de preparação para a pandemia.

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