O Conseleite de Santa Catarina realizou na sexta-feira, dia 23, sua primeira reunião de 2026, em um contexto marcado pela continuidade da crise no setor leiteiro.
O encontro teve como eixo central a discussão sobre o preço de referência do litro de leite, em um ambiente de forte pressão sobre os valores pagos aos produtores.
Segundo o presidente do Conseleite, Selvino Giesel, o debate ocorreu com os preços médios do leite abaixo de R$ 2 por litro, patamar que vinha sendo registrado desde o segundo semestre de 2025. De acordo com ele, o setor ainda não havia conseguido superar a crise que se aprofundou ao longo do ano passado.
Durante a reunião, Giesel avaliou que tanto produtores quanto indústrias iniciaram 2026 em uma situação considerada difícil. Na sua análise, os desequilíbrios do mercado permaneceram presentes, limitando qualquer reação mais consistente nos preços e ampliando as preocupações ao longo da cadeia produtiva.
Entre os fatores destacados esteve o nível elevado de estoques. Embora as importações de leite em pó tenham apresentado redução, o presidente do Conseleite afirmou que o volume ainda não havia atingido um patamar considerado ideal para aliviar a pressão sobre o mercado interno. Além disso, ele lembrou que o consumo tende a recuar nesta época do ano, o que reforça o descompasso entre oferta e demanda.
Na avaliação do dirigente, esse conjunto de fatores continuou a exercer influência direta sobre os preços de referência discutidos pelo conselho. O excesso de oferta, combinado com um consumo mais fraco, manteve o mercado pressionado e dificultou a recuperação da rentabilidade no início do ano.
Outro ponto abordado na reunião foi a relação do setor com os governos. Segundo Giesel, apesar das reivindicações apresentadas por sindicatos, federações e entidades representativas, incluindo o próprio Conseleite, o retorno das autoridades públicas vinha sendo motivo de frustração.
De acordo com o presidente do conselho, algumas iniciativas e formas de apoio foram anunciadas, mas com alcance limitado frente à dimensão do problema enfrentado pelo setor. Na sua avaliação, as medidas adotadas até o momento não foram suficientes para enfrentar a grande oferta de leite existente no mercado.
Nesse contexto, o programa estadual Leite Bom Santa Catarina, anunciado pelo governo catarinense em 2025, foi citado como um passo relevante, ainda que insuficiente. Para Giesel, a iniciativa representou um reconhecimento da gravidade da situação, mas precisaria ser ampliada para produzir efeitos mais concretos.
Entre as alternativas mencionadas esteve a possibilidade de compra de leite em pó por parte do governo estadual, como forma de reduzir estoques e aliviar a pressão sobre os preços. O dirigente afirmou que esse tipo de ação poderia contribuir para dar algum fôlego ao setor, embora tenha ressaltado que a participação do governo federal seria fundamental para ampliar o impacto da medida.
Segundo Giesel, o setor contava com uma atuação mais efetiva do governo federal e esperava volumes mais expressivos de compras, estimados em pelo menos 100 mil toneladas. A ausência desse apoio mais robusto foi apontada como um dos fatores que ampliaram a frustração entre produtores e indústrias.
Ao final, o presidente do Conseleite fez um alerta sobre os efeitos de médio e longo prazo da crise prolongada. Ele afirmou que muitos produtores vinham deixando a atividade diante da combinação de preços baixos, custos elevados e falta de perspectivas.
Na sua avaliação, esse movimento pode gerar consequências futuras para o abastecimento. Giesel observou que a população que atualmente se beneficia de preços mais baixos pode acabar arcando com custos maiores no futuro, caso não sejam adotadas medidas mais estruturais para garantir a sustentabilidade da cadeia leiteira.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Oeste SC Notícias






