O cooperativismo leiteiro passou a ser tratado como vetor estratégico para o Sudoeste do Paraná diante da percepção de que a região perdeu espaço no processo de agroindustrialização observado em polos vizinhos.
A avaliação parte da constatação de que, enquanto áreas do Oeste do Paraná e de Santa Catarina consolidaram cadeias integradas em suínos, aves e peixes, o avanço local foi limitado e concentrado em poucos casos.
Entre os fatores apontados para esse descompasso está a transferência da Sudcoop, central de cooperativas originalmente sediada no Sudoeste, para o Oeste paranaense. O movimento resultou no controle integral do abatedouro de suínos da Frimesa por aquela região. Caso a atividade tivesse prosperado localmente, a estimativa é que o território poderia hoje operar com abates diários superiores a 10 mil animais, sinalizando uma estrutura industrial significativamente maior.
Esse histórico ajuda a explicar por que a produção de leite passou a ser vista como a principal possibilidade de promover uma nova onda de agroindustrialização cooperativa. A leitura predominante é que a região reúne condições particularmente favoráveis para a atividade, reforçando a necessidade de evitar outra oportunidade perdida em um setor com capacidade de gerar escala e valor agregado.
Paralelamente, surgem sinais de desequilíbrio produtivo no próprio Oeste do Paraná. Apesar da presença industrial da Frimesa em Marechal Cândido Rondon, cooperativas locais não estariam ampliando a produção de leite no ritmo necessário para abastecer sua capacidade instalada. A prioridade conferida às grandes culturas e aos sistemas integrados de proteína animal teria deslocado o leite para um papel secundário entre produtores.
Nesse cenário, o Sudoeste passa a ser interpretado como território com maior vocação para a pecuária leiteira, graças ao desenvolvimento consistente dessa aptidão ao longo do tempo. O argumento reforça a ideia de que competitividade territorial pode se transformar em diferencial estratégico quando combinada com organização cooperativa.
O Oeste catarinense aparece como referência relevante. Mesmo com relevo mais acidentado, a região estruturou uma central robusta, a Aurora, e conta com a atuação da Terra Viva, também conhecida como Cooperoeste. A Camisc, sediada em Mariópolis, integra o grupo de filiadas da Aurora, enquanto a Cooperoeste realiza captação de leite no próprio Sudoeste paranaense.
Outros movimentos ampliam o mapa competitivo. A Cooperativa Cativa, baseada em Londrina e atualmente dirigida por lideranças oriundas do Sudoeste, mantém parceria com a Lactalis e opera uma unidade de captação em Pato Branco. A presença simultânea dessas organizações indica que regiões com produção leiteira consistente tendem a atrair estruturas cooperativas e ampliar a transformação industrial, especialmente em derivados como o queijo.
Diante desse contexto, cresce a defesa de uma articulação regional capaz de reunir cooperativas em torno de um projeto comum. O modelo frequentemente citado é o da região de Castro, onde produtores de origem holandesa concentram cerca de 3,5 milhões de litros diários em uma única planta industrial, volume equivalente ao captado pelas quatro grandes cooperativas mencionadas.
A experiência da Unium, holding criada por cooperativas daquele polo, surge como referência estratégica para quem busca escala, coordenação e maior capacidade de investimento.
Para tomadores de decisão, a mensagem central é clara: transformar potencial produtivo em força industrial dependerá menos da vocação natural e mais da capacidade de cooperação estruturada.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Jornal de Beltrão






